Cultura

Projeto leva a estudantes discussões sobre arte, cultura e política

 

“Show didático” do Inca utiliza linguagens artísticas como as toadas de boi-bumbá – Divulgação

Com a finalidade de debater temas ligados à cultura e à história amazonense no âmbito escolar, o Instituto Cultural Ajuri (Inca) tem promovido ações em escolas de Manaus e de Parintins, onde a entidade foi fundada. A ideia, de acordo com o criador do Inca, o educador popular e cientista político Marcos Moura, é realizar um “show didático”, utilizando “diferentes linguagens artísticas, principalmente as artes lítero-musicais, com destaque para as toadas de boi-bumbá”. O projeto “Ciclo de Palestras Etnias – Um Show Didático nas Escolas” já atingiu diretamente mais de 300 alunos, conforme Moura.

A iniciativa partiu da necessidade de incluir conteúdos que abordem a identidade cultural amazônica. “A partir dessa verificação, resolvemos desenvolver um plano de aula a partir dos conteúdos oferecidos em obras artísticas da cultura regional. Seguimos as orientações do mestre Paulo Freire, que defendia uma prática pedagógica onde o educador atua como mediador da construção do conhecimento, uma educação libertadora que leva a uma cultura cidadã e transformadora. Sabemos que a escola é o principal espaço para essa vivência, mas não o único, pois a educação se dá em qualquer lugar. Lançamos mão também das ideias de Antônio Gramsci, que defendia a cultura fator de elevação da consciência coletiva. Mais um motivo que nos leva a priorizar comunidades socialmente vulneráveis”, explica.

Conteúdos oferecidos em obras artísticas ajudam a desenvolver o plano de aula – Ione Moreno

Para Marcos Moura, o trabalho educativo por meio da arte é capaz de “amadurecer a formação do gosto, estimular a inteligência e contribuir para a formação da personalidade do indivíduo”. Ele afirma que o foco do projeto é despertar a consciência de cidadania e a metodologia incentiva a participação dos alunos. “Fugimos das carteiras organizadas em filas e fazemos um ‘círculo de cultura’ para que possamos interagir e envolver a todos. Ao fim das atividades, realizamos uma avaliação coletiva e posteriormente um diálogo com os professores das escolas atendidas para verificar os impactos do nosso projeto junto aos educandos. Até agora, os resultados foram exitosos”, garante.

Ainda de acordo com Marcos Moura, sua próxima meta é busca de apoio junto ao poder público para que a ação possa ser levada a escolas de Manaus e de municípios do Baixo Amazonas de forma mais ampla. “Para essas intervenções, iremos priorizar temas ligados ao Estatuto da Igualdade Racial e à lei que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e africana e ressaltar a importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira. Nessa nova fase, contaremos com a parceria do Instituto Ganga Zumba e dos músicos educadores do Grupo Regional Parintins”, adianta.

Em Manaus, já receberam o projeto a escola estadual Luizinha Nascimento, no bairro Praça 14, e o Centro de Educação de Tempo Integral Eliza Bessa, no Jorge Teixeira. Em Parintins, o Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro e a escola municipal Charles Garcia também foram contemplados com as atividades. Os temas debatidos foram cultura afro-amazônica, igualdade racial, resistência indígena, Amazônia sustentável, história do Amazonas, cidadania e controle social das políticas públicas.

A iniciativa partiu da necessidade de incluir conteúdos que abordem a identidade cultural amazônica – Ione Moreno

Entidade

O Inca foi fundado em 10 de abril de 2009, na cidade de Parintins, com a colaboração de artistas da música e da dança e professores. A proposta de criação surgiu “a partir da compreensão da importância de institucionalização das ações socioculturais” desempenhadas pelo do grupo musical Ajuri, fundado em 1984, pelo Centro Universitário de Cultura e Arte da União Nacional dos Estudantes e também pelo Movimento Grito da Periferia, que mobilizava a juventude dessas áreas de Parintins para realizar mostras culturais e outras intervenções artísticas.

Kássio Nunes

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