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Profissão ‘Fifeiro’ é um sonho que não cabe para todos

 

Wendell se prepara para o Brasileiro e para o Mundial da modalidade, que serão disputados no segundo semestre – fotos: Michael Dantas

É um sonho que não cabe para todos. Tem que ter dedo. É isso que dizem os jogadores profissionais de futebol virtual a respeito do sonho de buscar a independência financeira através de dribles, jogadas e gols com o joystick nas mãos. Esse é o mesmo pensamento do quarto colocado no Campeonato Brasileiro de games “Fifa”, o brasiliense Wendell Lucas Monteiro, 17, que reside em Manaus desde dezembro.

A promessa do mundo virtual conquistou o honroso vice-campeonato do Vídeo Game Show, em Taguatinga (DF), no último dia 23 de abril. Ele foi superado por 6 a 5 no placar agregado pelo campeão brasileiro de Fifa, Lucas Salles. Patrocinado pela Scorpions/DF, que custeia suas viagens e inscrições, ele agora foca sua preparação para o certame nacional, no segundo semestre, e a seletiva on-line para o Mundial
da modalidade.

“Preciso manter um ritmo de 40 partidas por fim de semana. O meu planejamento me obriga a vencer no mínimo 36 partidas. Não é fácil, pois para manter o pique existe também um desgaste, a partir do momento que você trabalha e não brinca com o videogame, passa a produzir estresses. Nessas horas, a alimentação correta e o descanso noturno ajudam bastante”, explica Wendell, que já faturou o título da Seletiva Brasiliense em 2016.

Wendell concentrado enquanto disputa uma partida de “Fifa”

‘Candango amazônida’

Após o pai ser transferido de Brasília para Manaus, a promessa dos games respirou novos ares em territórios barés. Fez amigos e prossegue o curso de direito na capital amazonense. Sua meta de vida, porém, tem o videogame como principal parceiro, pois enxerga nesse ramo uma oportunidade de independência financeira.

“A independência financeira vem quando você tem um nível alto. É possível, sim, pois hoje em dia o videogame deixou de ser visto como algo para quem não tem o que fazer. As coisas mudaram. Jogar ‘Fifa’ virou uma profissão. Existem competições com valores altos aos vencedores. Estão investindo pesado lá fora”, relata.

Quando chegou a Manaus, Wendell foi saudado por outros “fifeiros”, integrantes de grupos de jogadores locais e admiradores da plataforma. “Cheguei aqui no dia 23 (de dezembro) e passei o Natal na cidade. O povo manauense é muito receptivo. Gostei bastante de Manaus. A galera me recebeu muito bem. Conheci o Leo Simas, que é o campeão daqui e foi muito legal saber que todos me conheciam e admiravam meu trabalho”, conta.

Auxílio às crianças

Para Wendell, o videogame é uma ótima maneira de socializar as crianças e evitar a marginalização infantil.

“Por se futebol, acaba atraindo a meninada. O video ame oferece uma boa maneira para aproximar as crianças e tirá-las de caminhos ruins. Vejo como uma importante ferramenta de socialização, já que as grandes cidades estão cada vez mais violentas”, diz o fifeiro.

“O povo manauense é muito receptivo. Gostei bastante de Manaus”, disse Wendell

Para começar a jogar, ainda pequeno, a mãe de Wendell solicitava uma contrapartida para liberar o game: ajudar nas tarefas de casa. O jogador digital conta que no início a família foi contra o videogame, mas com o tempo ele provou tamanho talento e convenceu a todos.

“No começo minha mãe ficava muito chateada. A maioria das partidas são no modo on-line e não tem como pausar. Foi difícil no começo, mas meus pais foram vendo que eu possuía dom para coisa. Então, resolveram me liberar para dedicar boa parte do meu tempo para o jogo ‘Fifa’”, lembra Wendell.

João Paulo Oliveira

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