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Professores voltam a protestar contra projeto de Platiny, na Aleam

O projeto apresentado dia 8 de maio foi rechaçado pelos educadores do estado e ganhou o apelido de ‘lei da mordaça’ - foto: divulgação

O projeto apresentado dia 8 de maio foi rechaçado pelos educadores do estado e ganhou o apelido de ‘lei da mordaça’ – foto: divulgação

Um grupo de pelo menos 20 educadores protestou na manhã desta quinta-feira (2) contra o Projeto de Lei nº 102/2016, de autoria do deputado Platiny Soares (DEM), que impede os docentes de opinarem sobre política e religião na sala de aula. Intitulado ‘Programa Escola sem Partido’, o projeto apresentado dia 8 de maio foi rechaçado pelos educadores do estado e ganhou o apelido de ‘lei da mordaça’.

A manifestação começou por volta de 8h30, primeiramente em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na Zona Centro-Sul, e após uma hora seguiu para a galeria do plenário, onde os educadores entraram pacificamente com faixas e cartazes, gritando palavras de ordem.

O professor de história Jonas Araújo, do Movimento Vem pra Luta pela Educação, comentou que o protesto visa chamar a atenção da sociedade para os reflexos negativos que o PL, se aprovado, terá para a educação, não só pública como privada.

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“É na escola que explodem todos os problemas que acontecem na sociedade, como tráfico de drogas, violência, aliciamentos, maus tratos a menores etc. A partir do momento em que esse projeto é aprovado, os deputados entendem que esses temas não devem ser discutidos na escola, ou seja, devem passar invisíveis, o que é um absurdo”.

Outro educador que participou do protesto foi Alrivan Gomes Matarazzo, do Grupo de Estudos e Pesquisas em Gênero e Sexualidades e interseccionalidades (Gesecx) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Conforme ele, além do projeto de Platiny, o grupo luta também contra o Projeto de Lei 389/2015, do vereador Marcel Alexandre (PMDB), que visa restringir a discussão sobre orientação sexual e identidade de gênero na sala de aula.

“Ambos os projetos são um atentado à liberdade de expressão dos educadores, por isso nos unimos e vamos entrar com uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) provar a inconstitucionalidade dessas propostas, que vão de encontra a uma ampla legislação que assegura a liberdade de expressão dos educadores”.

Araújo disse que convidou o Platiny para um debate sobre a medida. Algumas universidades públicas e particulares se ofereceram para sediar o debate, mas o parlamentar não se manifestou até o momento, segundo ele.

Os manifestantes protocolaram junto ao gabinete do deputado Platiny Soares documento desafiando-o para um debate público sobre as características e o impacto político educacional que o projeto, se aprovado, pode gerar.  O movimento também tem outro documento para ser protocolado junto à Comissão de Constituição e Justiça explicando porque acha essencial que o PL seja vetado.
“Um projeto de lei como este só tem um objetivo: bestializar e idiotializar o segmento na educação”, afirmou.

Já o deputado Platiny Soares voltou a defender que, ao contrário do que afirmam os educadores, seu projeto é de extremo interesse público e não “prevê não apenas liberdade, como pluralismo e neutralidade nas escolas, estimulando o debate sobre todas as questões, porém de forma imparcial”.  Ele também afirmou que quem está reclamando é justamente quem trabalha de forma parcial, mostrando apenas a sua visão e fazendo um recrutamento de militância política para os seus partidos.

Por Yndira Assayag

1 Comment

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  1. Fernanda

    3 de junho de 2016 at 11:28

    Um Verdadeiro retrocesso para a educação, País atrasado! onde já se viu, impedir o professor de ensinar o aluno a questionar.

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