Dia a dia

Professores que não aderiram à greve da UFAM se reúnem com a Adua nesta terça

A greve dos professores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) está na terceira semana, mas continua dividindo opiniões de professores e alunos.

Na manhã desta segunda-feira (29) a Associação de Docentes da Ufam (Adua) realizou uma reunião setorial no departamento do Instituto de Ciências Humanas e Letras, para esclarecer o porquê do movimento dos professores que ainda não aderiram à greve.

De acordo com o primeiro vice-presidente da ADUA o professor de departamento do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), Lino João de Oliveira Neves, a greve desse ano é pelos mesmos motivos da greve realizada em 2012.

“Podemos dizer que essa greve é um desdobramento da greve de 2012, onde fizemos uma paralisação de quatro meses. Na época a greve foi suspensa porque o governo não conduzia as negociações. Desse tempo para cá, só fez aprofundar a precarização da universidade. Péssimas condições de trabalho para os professores, e péssimas condições de aprendizado para os alunos. Precariedades muito claras que são a razão da greve.”

O professor Lino João questionou o posicionamento do Governo Federal para a resolução dos problemas nas universidades federais, e apontou os agravantes que fizeram a Ufam deflagrar greve.

“Não há contratação de professores, as bibliotecas deficitárias para atender os alunos, os salários dos professores não são adequados, a residência universitária já não existe mais.” Observou.

Lino apontou ainda outros problemas que atingem a universidade e que fomentam a greve. “Nesse começo do segundo mandato da presidente Dilma, alguns elementos novos entraram em cena, por exemplo, a lei de terceirização que permite a contratação de professores por organizações sociais, ou seja, deixa de existir professores enquanto servidor público e passam a ser terceirizado, contratados não pela instituição, mas por uma organização social para prestar serviço. Há também problemas na revisão da aposentadoria. Tudo isso fez com que a situação se agravasse e hoje (29) em 38 universidades pelo Brasilm, os professores estão em greve. Isso indica que nós vivemos um problema enorme”, firmou.

“O vice da ADUA indicou as pautas de reivindicação da greve. ”As principais pautas são a defesa da universidade pública. Nós nos opomos frontalmente contra o repasse de verbas para as universidades privadas, via Prouni ou Fies. Se os recursos públicos estão sendo injetados para as universidades privadas porque não investir esse dinheiro nas publicas. Contratando professores dando bolsa aos alunos, é isso que queremos fortalecer o ensino publico, pois isso é uma obrigação do estado. A educação é uma obrigação do estado. A segunda é isonomia salarial. O professor aposentado deve ganhar o mesmo que um professor ativo. Temos, hoje, um pequeno salário com alguns acréscimos, quando um professor se aposenta ele perde esses acréscimos e fica com um salário extremamente reduzido. Ir para aposentadoria hoje é se condenar a viver em precaríssima condição de vida. O terceiro é a defesa da autonomia. A universidade tem que ela própria decidir seus cursos, decidir onde devem ser aplicados os recursos. O quarto é a carreira docente. O professor precisa ter um plano de carreira. O governo impôs um plano de carreira defasado e a categoria não concordou.”

“Precisamos de melhores condições de trabalho, discutir a carreira e contratação imediata de professores.” Completou.

De acordo com Lino João se não houver uma mudança radical nas condições de funcionamento, as universidades vão parar de qualquer forma, pela greve ou pelas condições precárias.

Divergência

Um dos fundadores da Associação de Docentes da Ufam (Adua), o professor de ciências exatas, Marcílio de Freitas, afirma que ele e os demais professores não aderiram ao movimento por não reconhecer a legitimidade da assembleia que deflagrou a greve na Ufam.

De acordo com Marcílio Freitas há uma série de fatores que o fazem não aderir à greve. “No meu ponto de vista, há três fatores que me fazem não aderir. O primeiro é que a mesa que dirigiu a assembleia não acatou diversos encaminhamentos que foram feitos nessa assembleia, transgredindo o estatuto da Adua”, disse.

Com 37 anos de universidade, o professor Marcílio Freitas se diz decepcionado politicamente. Para ele, a ADUA deveria usar ferramentas para reunir o corpo docente, ao invés de fazer uma divisão no meio dos professores.

Para a aluna do primeiro período de Letras e literatura Aline Maria, 18, a greve está prejudicando os alunos. “Eu sou contra. Isso não dá uma positividade pra quem chega, parece que isso é um descaso com o aluno. Eu entendo os motivos que eles têm, mas não concordo com a forma que estão fazendo.”

Para as alunas do quinto período de Arquitetura e Urbanismo Thayanie Patrícia, 20, e Desiree Fontes, 20, o momento não é o certo. “Não somos contra os professores, mas somos contra essa forma de greve. A situação está confusa, e o que está acontecendo não é transparente.”

Conselho universitário

A ADUA espera em alguns dias a reunião do conselho universitário para pedir a suspensão do calendário acadêmico.

Por Asafe Augusto

 

 

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