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Professores do Paraná encerram greve após 44 dias

Após uma paralisação de 44 dias, que envolveu confronto com policiais e protestos de milhares de pessoas contra o governo, os professores estaduais do Paraná encerraram nesta terça (9) a greve da categoria.

Esta foi uma das maiores paralisações dos docentes no Estado, e gerou um imenso desgaste ao governo de Beto Richa (PSDB), reeleito em primeiro turno no ano passado e hoje em uma grave crise política e financeira.

O ponto mais crítico ocorreu no final de abril, quando uma ação policial deixou quase 200 feridos durante uma manifestação dos grevistas, que na época protestavam contra a mudança na previdência dos servidores estaduais. Aprovado o projeto, a categoria disse estar em luto, e prosseguiu em greve pelo reajuste salarial.

A categoria se mostrou dividida na assembleia desta terça (9), realizada num estádio de futebol, com 10 mil pessoas.

Enquanto parte dos professores gritava nas arquibancadas, durante a assembleia, “a greve continua” e “não tem arrego”, outra parte se mostrava receosa e defendia que era preciso “mudar de trincheira” e que o desgaste por continuar a paralisação seria muito grande.

“Se apostarmos no tudo ou nada, podemos nos desgastar. E quem é que vai ganhar com isso?”, discursou um professor de Curitiba.

Na véspera, a maioria dos núcleos sindicais (24, de um total de 29) se manifestou a favor da suspensão da greve.

“A gente está numa guerra. Agora, temos que mudar de trincheira. Já chegamos no limite”, disse à reportagem a professora Nádia Brixner, que integra a diretoria da APP Sindicato.

Outros professores duvidavam que o governo cumprisse o que promete. Alguns carregavam cartazes ironizando Richa, caracterizando-o como o personagem Pinóquio. “E se chegar em outubro e ele não pagar? É uma palhaçada”, dizia uma professora.

Em crise financeira, o governo do Paraná, que antes se recusava a cobrir a inflação do último ano, ofereceu 1% de ganho real aos servidores em 2017, além de cobrir a inflação de 2015 e 2016.

Neste ano, porém, o aumento será de apenas 3,45%, que corresponde à inflação entre maio de 2014 (data do último reajuste salarial) e dezembro de 2014. A ideia é concedê-lo em parcela única, em outubro.

“Nós teremos uma perda de massa salarial por um período, mas os nossos direitos estão assegurados”, discursou o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

“Esse governo não é de confiança. Nossa luta é por 8,17% [de reajuste salarial], e não por 3,45%”, discursou outro professor.

A APP informou que iria acolher a decisão da maioria, mas o comando de greve se posicionou pelo encerramento da greve.

O governo do Paraná aceitou não descontar ou lançar as faltas dos grevistas nem punir diretores que tenham fechado as escolas durante a paralisação.

Tensão

A última oferta do governo ocorreu após o acirramento das negociações. Richa, que acusa o sindicato dos professores de agir politicamente para desgastá-lo, chegou a dizer que as tratativas estavam encerradas e que suas propostas eram “irrecusáveis” -as primeiras não cobriam a inflação.

Em maio, o governo começou a divulgar no Portal da Transparência os salários dos professores, para argumentar que a média salarial da categoria é maior que a do resto do país. Segundo a gestão, ela chega a R$ 3.200.

Os professores são a única categoria que tem os salários listados e em destaque no portal. As remunerações são listadas por município, ao lado do nome de cada professor, de forma bem mais transparente do ocorre que com as demais categorias. Nesse caso, a consulta exige o nome do servidor e exibe o salário apenas após outro clique.

O tucano também veiculou uma campanha publicitária na semana passada com os dados salariais, fazendo uma “convocação de volta às aulas” e argumentando que deu 60% de reajuste aos professores nos últimos quatro anos.

Por Folhapress

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