Esportes

Professora de educação física vai representar o Amazonas nos Jogos Paralímpicos de 2016

Laiana representou o Brasil no Parapan deste ano, disputado no Canadá – foto: divulgação

Laiana representou o Brasil no Parapan deste ano, disputado no Canadá – foto: divulgação

Movimentos de superação. Alguns pulam e outros engatinham até o centro da quadra para iniciar o aquecimento. Engana-se quem pensa que o vôlei seja um esporte apenas para as com porte físico avantajado e com boa envergadura. O esporte sentado é praticado por atletas com dificuldades de se locomover, sejam eles deficientes ou amputados. Hoje já é a modalidade paralímpica que mais cresce no Brasil.

Uma história de garra e persistência que faz parte da vida da atleta amazonense Laiana Rodrigues Batista, de 33 anos. Com sangue caboclo correndo nas veias, a professora de educação física participou recentemente dos Jogos Parapan-Americanos de Toronto e já confirmou presença nas Paralimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.

Quem olha Laiana em quadra sequer imagina que ela tinha desistido da prática esportiva. Dos 14 aos 18 anos, a atleta jogava vôlei convencional, mas acabou abandonando as quadras depois que teve dengue hemorrágica. A doença acabou causando uma sequela na perna direita jovem, conhecida como síndrome de Guillain Barret. Ao começar a conviver com pessoas com dificuldade de locomoção, a professora de educação física viu novas possibilidades de competir.

“Meu sonho sempre foi ser atleta profissional, mas depois do diagnóstico, pensei: acabou tudo, meu sonho está morto”, disse a atleta, que ficou 14 anos sem entrar nas quadras.
Segundo Laiana, o esporte a motivou a superar os traumas da doença. A atleta concluiu o curso de educação física e começou a ministrar aulas para pessoas com deficiência em um programa da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped).

Esforço
Laiana conta que tem ido frequentemente a São Paulo, onde são realizados os treinos. Os trabalhos são duros, mas a determinação não a faz desistir.

“Passo dez dias em treinamento com o time, durante sete horas em dois turnos. É muito puxado, mas o esforço vale a pena para conquistar o meu objetivo,” afirmou a atleta, que comenta estar vivendo um sonho ao jogar ao lado de referências no esporte, como Janaina Petit e Suellen Cristine.

A mais nova jogadora da seleção brasileira está com o coração cheio de expectativa e segue juntamente com as meninas da equipe na preparação para as Paralímpiadas. “É uma experiência que vou levar pra toda vida. Fico feliz, porque conquistei meu espaço. Hoje me aceito pelo que sou, uma atleta realizada, sempre buscando a conquista de mais títulos para o Brasil”, declarou.

Questionada sobre os projetos, Laiana explica que o maior desafio é montar um time de adaptados em Manaus. “Nós temos uma necessidade muito grande de montar uma equipe. Recebi proposta de jogar no Sesi, em São Paulo, mas a minha vontade é de jogar pelo Amazonas”, finalizou.

Por Lindivan Vilaça

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