Economia

Produção industrial recua 11,4% em março e completa 25 meses de queda

Com a inflação elevada, demissões e negociações salariais restritas, a folha de pagamento real do setor teve uma forte queda de 6,1% no primeiro semestre deste ano – foto: arquivo EM TEMPO

Nos três primeiros meses deste ano, a queda da produção foi de 11,7%, na comparação anual – foto: arquivo EM TEMPO

A produção industrial teve uma queda de 11,4% em março em relação ao mesmo mês do ano passado, divulgou nesta terça-feira (3) o IBGE.

O resultado completa o 25º mês consecutivo de queda na produção, superando a marca de dois anos de recuo ininterrupto.

A queda da produção havia sido de 9,8% em fevereiro na comparação anual. Em janeiro, a queda havia sido ainda maior, 13,7%, também na comparação com o mesmo período de 2015.

A sequência negativa tão longa nunca foi vista pela atual série histórica da pesquisa do IBGE, apurada desde o início de 2003.

Nos três primeiros meses deste ano, a queda da produção foi de 11,7%, na comparação anual.

Foi o pior primeiro trimestre da indústria desde 2009, quando houve queda de 14,3% na produção e o país vivia sob o impacto da crise econômica mundial.

A indústria foi um dos setores que primeiro começou a sofrer com a crise econômica e o recuo do PIB (Produto Interno Bruto) no Brasil. A falta de investimentos e o consumo das famílias em baixa contribuíram para o resultado negativo.

No intervalo de um ano -entre março deste ano e igual mês de 2015-, os segmentos que mais perderam produção foram bens de capital (-24,5%) e bens de consumo duráveis (-24,3%)

MENSAL

Na comparação de março com fevereiro, a produção avançou 1,4%. Foi o melhor resultado desde janeiro de 2014, quando houve alta de 1,8%.

Segundo o técnico da coordenação da Indústria do IBGE, André Luiz Macedo, a alta não significa o início de uma retomada.

Ela é efeito de uma base de comparação muito alta -as quedas verificadas em 2015 foram tão grandes que a melhora na produção não é necessariamente uma boa notícia.

Além da questão estatística, Macedo lembrou que houve melhora, ainda que tímida, nos estoques de setores como informática e produtos alimentícios.

“Dado que o cenário não mudou, a alta é efeito da base de comparação. Tivemos perdas importantes em 2015 e isso explica a magnitude do avanço. Em nada muda a leitura que vínhamos fazendo de que o setor industrial está com ritmo mais lento”, disse.

Por Folhapress

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