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Produção de guaraná no Amazonas recebe reforço da Coca-Cola

 iniciativa também beneficiará família produtoras e não produtoras de guaraná, de municípios da região Leste do Amazonas como Parintins, Urucará é Novo Aripuanã - foto: Márcio Melo

iniciativa também beneficiará família produtoras e não produtoras de guaraná, de municípios da região Leste do Amazonas como Parintins, Urucará é Novo Aripuanã – foto: Márcio Melo

A cadeia produtiva do guaraná no Amazonas ganhou reforço para o fortalecimento da cultura, junto a agricultura familiar. A iniciativa partiu da Coca-Cola do Brasil, nesta terça-feira (31), quando lançou, em Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), o projeto “Olhos da Floresta”. A iniciativa também beneficiará família produtoras e não produtoras de guaraná, de municípios da região Leste do Amazonas como Parintins, Urucará é Novo Aripuanã.

Com o projeto construído em parceira com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e a usina Agropecuária Jayoro do Amazonas, a companhia começa neste ano a fomentar a cultura do guaraná por meio do dos Sistemas Agroflorestais (SAFs), explicou o diretor de valor compartilhado da Coca-Cola do Brasil, Pedro Massa. O modelo combina cultuas agrícolas e especiais florestais num mesmo espaço.

Segundo Massa, como o guaraná demora de 2 a 3 anos para colher depois do plantio, o incentivo a cultura no sistema consorciado com outros produtos agrícolas, permitirá ao produtor iniciar os trabalhos com o fruto ao mesmo tempo que já poderá garantir renda com outras plantações de tempo menor para o consumo familiar ou comércio.

“Não existe sustentabilidade se não se estabelecer uma relação de ganha-ganha com o produtor. Por isso criamos com a Imaflora um projeto que visa maximizar o produtor com a cultura do guaraná como âncora junto com outras culturas como o feijão, a mandioca, o milho e o açaí, conservando o meio ambiente que será protegido pelos olhos dos produtores do Amazonas”, explicou Massa.

O projeto piloto que começará com 30 famílias e pretende alcançar 350 ainda neste ano, de acordo com o diretor da Coca-Cola do Brasil, terá três níveis execução. O primeiro é com a assistência técnica para a implantação do sistema agroflorestal. Depois vem o empoderamento no sentido de fortalecer as cooperativas agrícolas e o intercâmbio com os jovens das famílias produtoras, para mostrar as vantagens econômicas do negócio com o guaraná, no campo.

O terceiro passo, segundo Massa, será mostrar aos produtores agrícolas os acessos ao mercado de venda do produto, cuja principal compradora na região será a Jayoro, responsável pela produção do xarope de guaraná para a Coca Cola do Amazonas. “Nossa cadeia é transparente, sempre com um preço justo para o produtor”, afirmou o diretor.

O diretor-presidente da Jayoro, Eduardo Camillo Pachikoshi, explicou que a usina será a responsável pela produção e distribuição aos produtores das mudas, que são resultado de 16 anos de pesquisa, em parceria com a Embrapa. O diretor da Jayoro afirmou que elas têm alta resistência às pragas, além de garantir alta produtividade de sementes, o que diminuiu a necessidade de derrubar floresta.

“O conceito do projeto é, a Jayoro produz as melhores espécies, entrega as plantas para quem tem o pré-requisito básico, onde não tenha trabalho escravo nem trabalho infantil, onde não vai se desmatar e já tenha área apropriada para esse plantio, e onde a terra tenha regularidade fundiária”, disse Camillo.

Ele observou que, a ideia não é entregar apenas a melhor planta. “Mas dizer como deve ser plantada e ajuda-los com adubos se necessário e assistência técnica, com o compromisso de recomprar essas sementes, caso eles queiram revender para a Jayoro, uma vez que não existe esse compromisso de vender apenas para gente”, afirmou.

Futuro

Produtor de açaí, o agricultor Osias Brasil Queiroz, 49, vive hoje do beneficiamento do fruto e do comércio do seu suco, em Presidente Figueiredo e em Manaus. Ele observou que segue a vida com a família nesse ritmo, porque não encontrou uma indústria ou um restaurante que compre dele a sua produção. Após conhecer o projeto “Olhos da Floresta”, ele disse que vai lutar para ser uma das primeiras famílias a empreender com o guaraná, no sistema agroflorestal, sem a necessidade de deixar de lado a sua produção de açaí.

“Planto açaí a 6 anos, mas não temos para quem vender em grande quantidade. Com o guaraná, nós teremos a chance de produzir com a certeza de um bom comprador como a Jayoro. O guaraná agora será o nosso futuro. Por isso vou atrás para começar logo no projeto pilo”, ponderou Osias, morador da comunidade Urubuí 2.

O vizinho do Osias, o agricultor Francisco Alencar, 57, também se agradou da ideia de passar a produzir o guaraná, com a assistência do projeto da Coca-Cola do Brasil. Ele que produz açaí, cupuaçu, macaxeira e abobora, observou que essas culturas não costumam gerar uma renda para além da subsistência e disse acreditar que isso será possível com a cultura do guaraná.

O presidente da Jayoro, Eduardo Camillo lembrou que a planta do guaraná, que é nativa do Amazonas, foi levada para o Estado da Bahia, nos anos 1990, onde conseguiram reproduzir em larga escala, com plantas que geram até 600 gramas de sementes secas, de onde se extrai o xarope e o pó de guaraná.

Mas, hoje, após investimento em pesquisas e tecnologia, a Jayoro, de acordo com o diretor presidente da usina, já conseguiu reproduzir plantas jovens, no Amazonas, com capacidade de colheita de até 740 gramas de sementes secas, e até 900 gramas numa fase adulta.

Por Emerson Quaresma

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