Saúde e Bem Estar

Problemas emocionais são causa de compulsão alimentar

Episódios de compulsão são acompanhados de sensação de arrependimento – Divulgação

O hábito de comer compulsivamente, mesmo quando não se tem fome, ou como forma de compensação a preocupações cotidianas, com a consequente sensação de arrependimento após a ingestão descontrolada, pode sugerir a existência do Transtorno de Compulsão Alimentar Periódico (TCAP). É o que explicam as especialistas entrevistadas pela reportagem, a endocrinologista e nutróloga Camila Bandeira, que atua na Endoclinic, e a psicóloga Cíntia Lima.

“A compulsão, na maioria das vezes, é desencadeada por um fator emocional. Seja estresse, ansiedade, problemas de relacionamento pessoal. Os pacientes costumam possuir antecedentes familiares de obesidade ou histórico de sobrepeso durante a infância, um ambiente familiar de constantes desentendimentos e preocupações dos pais ou cuidadores com a forma física, peso e alimentação”, destaca Camila Bandeira. A médica alerta que, embora haja um consumo desenfreado de alimentos, não há uma preocupação com o ganho de peso, como acontece com os bulímicos, que induzem o vômito e fazem uso de laxantes para “colocar para fora o que comeram”.

Cíntia Lima acrescenta que o transtorno pode se desenvolver após dietas muito rígidas. “Isso acontece porque há o aumento do desejo por comidas em que essas pessoas não poderiam comer durante o período de restrição. Também são fatores de risco problemas com a imagem corporal relacionados à baixa autoestima e comer por conforto emocional”, enfatiza.

Além do consequente ganho de peso e da obesidade, os pacientes podem adquirir hipertensão, diabetes, disfunções respiratórias (como a apneia do sono), problemas ortopédicos (artrose), esteatose hepática (excesso de gordura no fígado), problemas de pele (feridas), síndrome de ovários policísticos, ressalta a endocrinologista. “Normalmente, quanto maior o IMC (Índice de Massa Corporal) do paciente, maior é o consumo calórico durante um episódio compulsivo”, afirma.

Como identificar e tratar

O isolamento social e a baixa autoestima são fatores que apontam para a ocorrência do transtorno. “Muitas vezes, observa-se que o portador de TCAP come rápido, come mesmo quando não tem fome e evita comer na frente dos outros por se sentir envergonhado de comer tanto. Os pacientes costumam ter sua vida pessoal comprometida”, pontua Bandeira. Nesse sentido, os relatos dos familiares e do próprio pacientes são determinantes para o diagnóstico.

A psicóloga Cíntia Lima orienta que o tratamento da compulsão envolve um grupo de profissionais multidisciplinar, que inclui psicólogo, psiquiatra, nutrólogo e endocrinologista. “O tratamento é direcionado para fatores físicos e emocionais. Na parte emocional, o psicólogo atua nos seguintes pontos: como lidar de forma eficaz com os sentimentos; como ser capaz de dizer não à comida, além de melhorar a autoestima. Os medicamentos utilizados dependem da quantidade de episódios de compulsão e, em certos casos, pode-se fazer uso de remédios para controlar a ansiedade ou inibidores de apetite”, destaca.

Kássio Nunes
EM TEMPO

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