Economia

Privatização pode elevar o custo da energia elétrica no AM

Conta de luz deverá ficar mais cara no Amazonas, segundo presidente da Comdec – arquivo EM TEMPO

A privatização da concessionária Amazonas Distribuidora de Energia poderá gerar custos elevados para o bolso do consumidor amazonense.Representantes dos trabalhadores do setor energético tentam evitar a privatização das empresas públicas. Uma audiência pública será realizada na Câmara Municipal de Manaus (CMM), em data a ser marcada, e uma outra reunião ocorrerá em Brasília para discutir a questão em breve.

Conforme o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara Municipal de Manaus (Comdec-CMM), vereador Álvaro Campelo (PP), os dados são preocupantes. Segundo ele, nos Estados onde aconteceu a privatização no setor elétrico, como no Pará e Maranhão, houve a precarização dos serviços e o aumento da tarifa, que chegou a quase 400%.

Álvaro Campelo afirmou que o Amazonas já tem uma das tarifas mais caras do país, para um serviço que não oferece uma total qualidade. Diante dessas informações, o presidente da Comdec-CMM explicou que é preciso se debruçar e ter mais informações a respeito do processo. “Caso a privatização venha a se concretizar, nós não podemos penalizar o povo de nosso Estado”, disse o parlamentar.

Atualmente, segundo Álvaro Campelo, das cem localidades onde a Amazonas Energia se encontra, apenas quatro mantêm o mesmo nível, e os demais locais são todos deficitários. Para o presidente da Comdec-CMM, a empresa que irá assumir os controles da concessionária vai querer obter lucros e deverá fazer um enxugamento e o aumento da taxa que é praticado.

O vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas, Joseirton Pereira de Albuquerque, explicou que o projeto de privatização das empresas do setor público é idealizado pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) e tem como matriz inicial a área enérgica do país.

Segundo ele, a privatização do setor energético traz prejuízos irreparáveis para o Estado, com o possível abandono do interior do Amazonas, além da possibilidade do aumento da tarifa energética. “Em todos os locais que foram privatizados, como no Maranhão e no Pará, houve aumento de 200% a 400%. Então, tanto a tarifa vai aumentar como deverá ocasionar um abandono nos municípios mais longínquos, uma vez que, a iniciativa privada visa o lucro”, disse.

Como exemplo, Joseirton citou um dos projetos do governo Fernando Henrique Cardoso, que privatizou empresas públicas de telecomunicações em meados da década de 1990. Segundo ele, por conta do processo de privatização daquela época, o governo federal terá que investir, hoje, quase R$ 1 bilhão para recuperar a telecomunicação.

Henderson Martins
EM TEMPO

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