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Primeiro Dakar da história do Brasil

Além de terrenos difíceis, os campeões enfrentaram calor, frio e altitude de até 5 mil metros – Marcelo Machado

Buenos Aires (Argentina) – A dupla brasileira Leandro Torres e Lourival Roldan colocou, no último sábado (14), seu nome na história do Rally Dakar e do automobilismo mundial. Eles se tornaram os primeiros brasileiros a vencer a maior e mais difícil prova off-road do planeta na classificação-geral de uma categoria. A dupla, que participou pela segunda vez, foi campeã entre os UTVs. O melhor resultado até hoje era de André Azevedo, vice-campeão nos Caminhões, em 2003.

Os brasileiros completaram os quase 9 mil quilômetros de disputa em 54h01min, com mais de quatro horas de vantagem para os segundos colocados, os chineses Wang Fujiang/Li Wei.

O piloto Leandro Torres, 45, é carioca, radicado em São Paulo, e disputou o Dakar pela segunda vez. Em 2016, também tendo Lourival Roldan, 58, como navegador, ficou na terceira colocação. Lourival é paulista e participou do Dakar pela décima vez. Sua experiência foi um dos fatores fundamentais para a conquista. Eles assumiram a liderança da prova na quinta etapa, no dia 6 de janeiro, e se mantiveram na ponta até o fim.

Para Lourival, a vitória foi a realização de um sonho, que ocorreu somente após a 10ª tentativa. “O sonho começou quando o UTV se tornou uma categoria (até o ano passado era uma subdivisão dos carros). Deu certo, formamos uma dupla maravilhosa e realizamos o nosso sonho”, declarou.

Antes da largada, em Assunção (Paraguai), o diretor-geral do Dakar, Étienne Lavigne, avisou que esta seria a edição mais difícil na história sul-americana da prova. E durante as 12 etapas os competidores passaram por situações extremas. Eles enfrentaram o calor (na casa dos 40ºC), frio, altitude (beirou os 5 mil metros), muita chuva, enchentes e até uma avalanche, nas proximidades de Salta (Argentina), que bloqueou a estrada que levava ao acampamento. E muitos ficaram pelo caminho.

Os brasileiros Leandro Torres e Lourival ainda tiveram de superar alguns contratempos. Logo na segunda etapa, o radiador do UTV ficou coberto de lama e o motor ferveu. Por pouco, a aventura não acabou precocemente. Na quinta-feira (12), bateram em uma pedra, o que quebrou a bandeja do UTV. Eles concluíram o percurso nas primeiras horas da madrugada de sexta-feira.

Em Uyuni (Bolívia), foram penalizados com o acréscimo de uma hora ao tempo de prova. Ao chegarem ao parque fechado (onde os veículos passaram a noite), Leandro se irritou com um vazamento de óleo no câmbio do UTV, o que o levou a ser penalizado.

Cinco brasileiros concluem provas

Dos oito brasileiros que iniciaram o Rally Dakar, apenas cinco completaram a prova. Além de Leandro e Lourival na categoria dos veículos UTVs, Sylvio de Barros e Rafael Capoani (Mini), nos carros, e Richard Fliter (Honda), nas motos.

Barros e Capoani receberam o convite para a competição faltando 12 dias para a largada. Correram contra o tempo, disputaram e terminaram em 18º lugar, além de serem a terceira melhor dupla de estreantes na categoria. “O Dakar leva você ao limite. É uma grande experiência de superação. É uma prova muito dura. Mas tivemos um carro incrível, com uma equipe fantástica. Estamos felizes com o resultado”, afirmou Sylvio de Barros, empreendedor e executivo de sucesso.

Na disputa da categoria de motos do Rally Dakar, Richard Fliter ficou em 59º. Gregorio Caselani (Honda South America Rally Team), sofreu uma queda sobre cactos e os espinhos causaram processo inflamatório que o tirou da prova. Ricardo Martins (Yamaha) também abandonou, assim como Marcelo Medeiros, que disputou nos quadriciclos.

Agora é hora do Piocerá

Após colocar o nome na história com o primeiro título brasileiro na classificação-geral de uma categoria no Rally Dakar, Lourival Roldan estará em ação no Enduro Rally Piocerá. O navegador, campeão da maior e mais difícil prova off-road do planeta ao lado do Leandro Torres, agora terá como companheiro o piloto cearense Armando Bispo.

“Estou com vontade de ganhar de novo”, afirmou Roldan. O Piocerá, que completa 30 anos, será realizado entre os dias 23 e 28 de janeiro, com largada em Teresina (PI) e chegada em Caucaia (CE).
Esta será a quarta vez que o navegador irá disputar o Piocerá. “O convite já havia sido feito antes do Dakar. Eu estou com muita vontade de ganhar também este título”, afirmou Roldan, que utilizará um UTV Polaris semelhante ao do Dakar.

Ter um campeão do Dakar ao lado anima o Bispo. “Estou muito feliz por participar deste momento inusitado do off-road brasileiro. Podendo estar na prova de 30 anos do Piocerá e ao lado do Lourival”, comemorou.

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