Dia a dia

Presos de Juruá querem a permanência de Trindade

Foto compartilhada nas redes sociais mostra detentos em defesa do delegado suspeito de abuso de autoridade - divulgação

Foto compartilhada nas redes sociais mostra detentos em defesa do delegado suspeito de abuso de autoridade – divulgação

Os presos da 70ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), no município de Juruá (a 671 quilômetros de Manaus), enviaram fotos, ontem, via redes sociais pedindo que deixem o delegado titular do distrito, Daniel Pedreira da Trindade, 31, em paz. Nas fotos, os detentos posam com cartazes feitos em duas folhas de papel com a frase “Deixe o nosso delegado em paz”.

O titular da 70ª DIP foi afastado e teve o pedido de transferência negado após vazar um vídeo nas redes sociais da  internet em que o delegado aparece incitando brigas entre detentos dentro da delegacia. A transferência, que seria para a 65ª DIP, em Carauari, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça, na última sexta-feira (12).

Daniel Trindade começou a ser investigado pela Corregedoria Geral após o vídeo ser divulgado nas redes sociais. Uma equipe da Corregedoria da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) chegou a ser enviada para o município para fazer as devidas apurações. De acordo com a Polícia Civil, os servidores da Corregedoria retornaram à capital no dia 10 e vão entregar hoje um levantamento feito no município, para a Unidade de Apuração de Atos Infracionais da Polícia Civil do Amazonas (Uaip-PCAM).

O delegado chegou ainda a ser afastado de suas funções enquanto a investigação continua. A informação do afastamento foi dada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Orlando Amaral.

Mais acusações contra o delegado Daniel

Abusos

No vídeo compartilhado nas redes sociais, dois presos trocam socos, incentivados pelo delegado, que “abre” a luta, e por outros presos e policiais que aparecem nas cenas.

Segundo uma fonte ouvida pelo EM TEMPO, Trindade obrigaria os presos a participarem das sessões de “luta livre”. Caso se negassem, teriam que brigar com os colegas de cela. O próprio prefeito de Japurá, Tabira Ferreira, afirmou que ouvira comentários a respeito da atividade, mas manteve-se imparcial à situação.

Em sua defesa, Daniel Trindade, professor de artes marciais, informou que desenvolve projetos de inclusão social em Juruá desde maio do ano passado e que as denúncias seriam perseguições contra sua pessoa, por motivos ignorados.

Além do vídeo de incentivo à violência entre os presos, outra denúncia contra Daniel Pedreira da Trindade diz respeito a suposto abuso sexual contra, pelo menos, cinco meninas com idades entre 11 e 16 anos. Os familiares das garotas afirmaram que, depois da publicação das denúncias, Trindade os estaria intimidando.

O delegado confirmou que namorou com uma das jovens, uma adolescente de 16 anos – o que seria de conhecimento de todos os familiares  da jovem -, porém nunca manteve relações sexuais com ela. Ambos teriam se conhecido em uma das palestras sobre violência doméstica e prevenção às drogas que ele ministrava nas escolas.

As duas denúncias estão sob investigação da Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública. Daniel Trindade assumiu o posto há menos de um ano.

Por Moara cabral

1 Comment

1 Comment

  1. asdasd

    15 de junho de 2015 at 22:17

    Nossa da pra perceber a cara de felicidade dos presos querendo que deixem o delegado deles em paz, reparem no detento perto da parede e os que estão acocados, é muuuita felicidade.

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