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Presidente do México diz que fuga de traficante é uma afronta ao país

O presidente do México, Enrique Peña Nieto, afirmou neste domingo (12) que a fuga do traficante Joaquín “El Chapo” Guzmán da prisão é uma afronta ao país.

Nieto anunciou com grande barulho a prisão de Chapo, chefe do Cartel de Sinaloa, em fevereiro do ano passado e chegou a receber elogios internacionais. A fuga do traficante é um golpe especialmente duro contra Peña Nieto por ter ocorrido no Estado do México, o Estado natal do presidente, que assumiu o cargo em 2012 prometendo enfrentar os cartéis.

Antes de sua vitória eleitoral, políticos do Partido Revolucionário Institucional (PRI) de Peña Nieto ridicularizaram seus rivais conservadores por deixar Guzmán fugir enquanto eles corriam o país, dizendo que isso não teria acontecido sob sua vigilância.

Quando a notícia da fuga de Guzman se espalhou, o presidente mexicano estava a caminho da França, onde acaba de desembarcar.

A Interpol emitiu neste domingo (12) um alerta internacional pela fuga do nacrotraficante.

Fuga de cinema

Joaquín Guzmán, que estava preso desde fevereiro de 2014, escapou da prisão de Altiplano, a 90 km da capital mexicana, por um túnel de 1,5 quilômetro que ligava um banheiro do presídio a uma casa próxima. Esta foi a segunda fuga do criminoso de uma prisão de segurança máxima – a primeira ocorreu em janeiro de 2001.

Quando as autoridades procuraram por “El Chapo” em sua cela na noite deste sábado (11), encontraram uma “boca de túnel” na área do banheiro, que tem ligação com um duto vertical de aproximadamente dez metros de profundidade habilitado com uma escada, disse Monte Alejandro Rubido, comissário nacional de Segurança.

Assim, era possível chegar a um túnel de 1,7 metro de altura por 80 centímetros de largura, “que se estende por um comprimento ainda indeterminado, mas que em linha reta, de ponta a ponta, representa mais de 1.500 metros”, completou o comissário.

No sofisticado canal, que contava com ventilação e iluminação, as autoridades encontraram uma motocicleta adaptada sobre trilhos que teria servido para transportar as ferramentas e máquinas necessárias para as obras de escavação, assim como para retirar a terra.

A passagem, na qual também foram encontrados instrumentos de construção, tanques de oxigênio e recipientes com combustível, desemboca em um imóvel ainda em construção ao sudoeste da penitenciária, onde o traficante estava preso desde fevereiro de 2014.

Ismael “El Mayo” Zambada, que havia sido considerado o sucessor natural de Guzmán à frente do cartel de Sinaloa, também está foragido.

Dezoito agentes penitenciários serão convocados para prestar depoimento sobre a segunda fuga de Guzmán de uma penitenciária de segurança máxima. As autoridades mobilizaram uma grande operação na área próxima ao presídio, que abriga os criminosos mais perigosos do país.

Também determinaram a suspensão das atividades no aeroporto de Toluca, capital do Estado.

Ficha corrida

Guzmán, que chegou a ser o criminoso mais procurado do México e dos Estados Unidos, foi detido pela primeira vez em 9 de junho de 1993 na Guatemala.

Na ocasião, o narcotraficante foi levado para a penitenciária de segurança máxima de Puente Grande, em Jalisco (oeste), de onde conseguiu fugir em 19 de janeiro de 2001, aparentemente escondido em um carrinho de roupa suja.

O governo iniciou então uma longa e intensa perseguição, mas o criminoso conseguiu evitar a prisão em diversas ocasiões graças a portas reforçadas com aço em suas residências e um sistema de túneis secretos, assim como uma grande conivência com autoridades de todos os níveis.

Finalmente, em 22 de fevereiro de 2014 Guzmán foi novamente detido por oficiais da Marinha em seu reduto no Estado de Sinaloa (noroeste).

Na época, a procuradoria mexicana oferecia por Guzmán uma recompensa de US$ 2,3 milhões, enquanto a Justiça norte-americana estipulou o valor de US$ 5 milhões.

Além disso, a cidade de Chicago o declarou “inimigo público número um”, o primeiro criminoso a ser apontado como tal desde Al Capone (1899-1947).

As autoridades exibiram o narcotraficante algemado na ocasião. O governo dos Estados Unidos expressou o desejo de extradição, mas o México descartou de maneira taxativa.

Com a primeira fuga, Joaquín “El Chapo” Guzmán se transformou no grande símbolo do narcotráfico contra o qual o ex-presidente Felipe Calderón (2006-2012) ordenou uma grande operação militar. O criminoso chegou a aparecer na lista das maiores fortunas do mundo feita pela revista “Forbes” em 2011, com mais de US$ 11 bilhões.

Depois da fuga, “El Chapo” retornou ao comando do cartel de Sinaloa e em poucos anos levou a organização a dominar o mercado do México com o tráfico de cocaína e o dos Estados Unidos, Europa e Ásia com o de maconha.

Com o avanço, passou a ser considerado o narcotraficante mais poderoso do mundo e seu grupo travou batalhas sanguinárias, especialmente contra o cartel rival Los Zetas.

Mais de dez mil pessoas foram assassinadas apenas em Ciudad Juárez, localidade chave na fronteira com o Texas, em disputas atribuídas aos cartéis de Sinaloa e Juárez.

Guzmán, cujo apelido, “El Chapo”, serve de diminutivo para a palavra “chaparro” – atarracado, em tradução livre; ele tem a estatura de 1,55 m-, nasceu em 4 de abril de 1957 em Badiraguato, Sinaloa, região mexicana mais emblemática para o narcotráfico por cultivar há décadas papoula e maconha e ser o berço da maioria dos traficantes mais conhecidos.

Por Folhapress

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