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Presidente de conselho de segurança pede contribuição para PMs presos

“Aos que sempre citam nas redes sociais que ‘bandido bom é bandido morto’, agora é a hora de saberem o quanto de dificuldade e de sofrimento que estão passando estes policiais”. É assim que Celso Neves Cavallini, presidente do Conseg (Conselho de Segurança) Portal do Morumbi, pede contribuições para ajudar 11 PMs detidos.

A mensagem foi publicada em uma rede social no mesmo dia em que a Justiça Militar determinou a prisão temporária dos policiais pela morte de dois suspeitos de praticar um assalto no bairro Butantã, zona oeste da capital paulista.

As ações policiais aparecem em vídeos gravados no dia 7 deste mês que vieram a público na semana passada. Neles, PMs aparecem matando dois suspeitos já rendidos e aparentemente desarmados no Butantã.

Os dois eram suspeitos de roubar uma moto naquela região e, após perseguição, foram detidos. Mesmo assim, ambos foram mortos. Um deles chegou a ser jogado do telhado de uma casa antes de ser baleado. O outro foi morto numa calçada, após ter suas algemas retiradas. Nos dois casos, a versão dos policiais no boletim de ocorrência apontava versão diferente para as mortes.

O dinheiro arrecadado pela internet, que deve ser depositado na conta bancária de um outro policial militar, servirá para custear um advogado para o grupo. “A frase ‘bandido bom é bandido morto’ tem efeito inverso. Aqueles que tanto falam isso, agora chegou a hora, tem que ajudar.”

Questionado sobre as gravações que mostram a atitude suspeita dos policiais, Cavallini critica a prisão dos policiais antes de uma investigação sobre os casos. “A imagem tá distante, não dá pra ver direito o que aconteceu. A princípio, a imprensa, o corregedor e secretário [de Segurança] já deram o veredito. Mas ainda precisa investigar o que aconteceu. Antes de prender, tem que ter um julgamento feito por pessoas que não queiram ferrar [os policiais]”, completa.

“Eu sou contra a Corregedoria prender sem provas. Dentre os 11 policiais deve ter gente inocente que foi presa indevidamente”, afirma o presidente do Conseg Portal do Morumbi. Ele diz conhecer pessoalmente seis dos PMs detidos.

Os PMs Tayson Oliveira Bastiane, Silvano Clayton dos Reis, Mariani de Moraes Figueiredo, Silvio André Conceição e Jackson Silva Lima tiveram prisão temporária decretada pela morte de Paulo Henrique de Oliveira.

Já os policiais Angelo Felipe Mancini, Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva, Paulo Eduardo de Almeida Hespanhol, Samuel Paes, João Maria Bento Xavier são suspeitos da morte de Fernando Henrique da Silva, morto ao ser jogado de um telhado por um policial.

Cavallini afirma ainda que recebeu muitas respostas ao seu comentário, mas não sabe dizer se alguém contribuiu para a vaquinha virtual. “Policial é penalizado sempre, é um problema muito sério o que está acontecendo.”

Os Conselhos de Segurança são uma entidade comunitária e voluntária, que visam apoiar as polícias. As reuniões mensais contam com a participação de representantes oficiais, como o comandante do batalhão da PM e o delegado da delegacia da região. Os conselhos devem ser homologados pelo secretário de Segurança Pública.

GRUPOS DE EXTERMÍNIO

Nesta terça (15), o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, confirmou em entrevista coletiva que expulsará os policiais suspeitos de envolvimento em duas mortes no Butantã, zona oeste da capital paulista. “Onze PMs estão presos, eles vão ser processados criminalmente e expulsos.”

Apesar da forma como os suspeitos foram assassinados, o secretário de Segurança Pública disse que “não há nenhuma relação desse caso com grupos de extermínio”.

À reportagem, o ouvidor da polícia, Julio Cesar Fernandes Neves, afirmou que as imagens de PMs matando suspeitos já rendidos só evidenciam a existência de grupos de extermínio na corporação que vêm agindo há anos.

Moraes rebateu declarações do ouvidor de polícia do Estado. “As declarações foram feitas sem nenhuma base, com todo respeito ao ouvidor. É uma declaração panfletária”, disse Alexandre de Moraes.

Em depoimento prestado à Corregedoria da PM, o policial flagrado empurrando o suspeito de cima do telhado e seus colegas de corporação alegaram que o suspeito tentou lutar e, com isso, se desequilibrou.

A Corregedoria da PM considera a versão mentirosa, pelo fato de o vídeo gravado por um vizinho mostrar Silva sendo empurrados por um dos policiais em direção os fundos da casa, quando já estava algemado.

 

Por Folhapress

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