Dia a dia

Prefeitura faz diagnóstico de venezuelanos acampados na rodoviária de Manaus

Centenas de venezuelanos cruzaram a fronteira do Brasil e chegaram a Manaus – Márcio Melo

Equipes das secretarias municipais de Saúde (Semsa) e da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), em parceria com técnicos da secretaria estadual de Justiça, Direitos e Cidadania (Sejusc), realizaram, na manhã desta quarta-feira (15), uma abordagem para fazer o diagnóstico situacional dos indígenas venezuelanos, que se instalaram nas imediações do Terminal Rodoviário de Manaus, localizado na avenida Mário Ypiranga, Zona Centro-Sul. Eles estão na cidade há duas semanas aproximadamente.

A visita teve como objetivo compreender os motivos da vinda e as condições de saúde e de legalidade do grupo. Pela Semsa, a avaliação foi realizada por técnicos do projeto ‘Consultório na Rua’ que, desde 2015, faz a articulação, dentro da rede de atenção, de medicações, consultas ou exames para pessoas em situação de rua. O levantamento não indicou a presença de infecções ou problema grave de saúde na população atendida.

“Qualquer pessoa vivendo nas ruas está exposta ao risco de doenças, entre outros problemas. Nesse caso específico, o agravante é o fato de que essas pessoas vieram de outro país, de uma aldeia indígena, da qual não temos muitas informações, por isso, o prefeito Arthur Virgílio Neto orientou que fizéssemos esse monitoramento”, explicou o secretário municipal de Saúde, Homero de Miranda Leão.

O coordenador do ‘Consultório na Rua’, que fez o atendimento aos venezuelanos, Jailson Barbosa, disse que os indígenas relataram que são da aldeia Warao, um dos povos mais antigos do Delta do Orinoco, no Nordeste da Venezuela, e que vivem da pesca, dos recursos naturais e da produção de artesanato. Anualmente saem de sua comunidade e vão para a cidade mais próxima vender seus artesanatos. Com a venda, compram alimentação e roupas, e retornam à aldeia.

“Segundo eles, no ano passado não conseguiram vender em seu próprio país pela escassez de dinheiro na Venezuela e suas famílias estavam passando dificuldades, o que os fez vir para o Brasil”, contou Jailson, complementando que parte do grupo pretende arrecadar roupas e alimentos e retornar para sua aldeia no começo de abril. Os técnicos identificaram que outra parte do grupo admite permanecer na cidade, alegando que “aqui tem comida, as pessoas vêm trazer e quando a gente pede eles dão dinheiro e compram artesanato”.

O grupo abordado é composto por 21 pessoas, sendo dez adultos, quatro jovens e sete crianças. Alguns apresentaram protocolo de solicitação de refúgio, atendendo a uma orientação que receberam em Boa Vista/RR, por onde também passaram, para que não correrem o risco de deportação.

“Estamos realizando o trabalho conjunto no mapeamento dessas populações indígenas venezuelanas. A partir daí, poderemos traçar a forma de atuação, já que alguns afirmam que pretendem retornar ao país de origem. Enquanto isso, continuamos com o atendimento de alguns desses imigrantes no Centro Pop, com refeições, higienização e guarda-pertences quando necessário”, afirmou o secretário da Semmasdh, Elias Emanuel.

Com informações da assessoria

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