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Prefeitura corta recursos da Parada Gay de SP e é criticada por militantes

Devido a restrições no orçamento, a Prefeitura de São Paulo vai destinar neste ano menos recursos do que o previsto para a 19ª Parada LGBT, que será realizada na avenida Paulista em 7 de junho. O corte causou revolta entre militantes gays e organizadores do evento.

Segundo Alessandro Melchior, coordenador de Políticas para LGBT da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, a prefeitura previa investir R$ 2 milhões na parada. Agora, investirá R$ 1,3 milhão.

“A população [que for à Paulista] não vai perder exatamente nada com isso”, disse Melchior, afirmando que só serão afetados o camarote VIP – mantido nos últimos anos pela prefeitura para receber políticos e autoridades – e a Feira Cultural LGBT, que acontece três dias antes da festa e faz parte do calendário oficial da parada.

De acordo com Melchior, os cortes nas ações LGBT estão em consonância com cortes feitos em outras áreas pela prefeitura, como na educação, e por outras esferas de governo. O orçamento previsto para políticas LGBT em geral, em 2015, era de cerca de R$ 8 milhões, mas a Câmara dos Vereadores aprovou R$ 3,4 milhões – 57,5% a menos.

Membros da Associação da Parada do Orgulho LGBT, que organiza o evento, fizeram duras críticas à gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) durante coletiva concedida na tarde desta segunda-feira (18) no centro de São Paulo.

FEIRA LGBT
Para Nelson Mathias, se faltavam verbas para políticas LGBT, a prefeitura deveria ter buscado recursos em outras pastas, como na de Cultura. “O evento está no calendário da cidade. Ninguém está pedindo favor aqui. A parada está muito bem paga”, queixou-se, concluindo que a festa movimenta milhões de reais na cidade.

Ainda segundo Mathias, que é um dos fundadores da associação que organiza a parada, a prefeitura cortou recursos do evento para produzir um outro, uma semana depois – o Festival Juventude LGBT, ligado a outras entidades civis e marcado para o dia 14 de junho. “Ninguém aqui foi chamado para discutir esse festival”, reclamou.

O representante da prefeitura negou que os recursos da parada tenham sido realocados para esse outro evento. “[O Festival da Juventude] É uma coisa bem menor do que seria a Feira LGBT [que ficou sem recursos da prefeitura]”, rebateu Melchior.

Para viabilizar a Feira Cultural LGBT, realizada no Anhangabaú, a associação está negociando com o governo do Estado. A coordenadora estadual de Políticas para a Diversidade Sexual, Heloisa Alves, disse que o governo pretende aportar recursos para a feira – o valor, em negociação, não foi divulgado.

TEMA
Neste ano, o tema da 19ª edição da Parada Gay será “Eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim: respeitem-me”. A ideia, segundo os organizadores, é fazer um resgate da alegria da população LGBT, em meio a tanta violência homofóbica vivenciada no dia a dia.

Uma das ideias da associação era pôr na avenida um trio elétrico VIP – seriam vendidas pulseirinhas para quem quisesse subir nele. Após críticas de setores do movimento gay, porém, a entidade desistiu de criar esse espaço.

O representante da prefeitura afirmou que a Parada LGBT movimenta em torno de R$ 3,2 milhões na cidade, conforme estudos do setor de turismo.

Por Folhapress

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