Dia a dia

Prédios públicos viram criadouros do Aedes

Na capital é possível encontrar diversos imóveis em situação de abandono, inclusive de propriedade do Estado - foto: Gerson Freitas

Na capital é possível encontrar diversos imóveis em situação de abandono, inclusive de propriedade do Estado – foto: Gerson Freitas

A determinação do governo federal de invadir imóveis abandonados, a fim de identificar focos do mosquito Aedes aegypti e prevenir a proliferação do inseto, ainda não foi aplicada em Manaus. De acordo com informações repassadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), desde o início da mobilização contra o mosquito, o uso da referida tática, para fiscalizar estes tipos de imóveis ainda não foi necessário.

Segundo o órgão, o cumprimento da portaria da Presidência da República deve obedecer a um protocolo. São necessárias três visitas aos imóveis e a elaboração de um laudo atestando a impossibilidade de vistoriar os locais com o consentimento dos proprietários. Dos imóveis já visitados em Manaus, a Semsa informou que conseguiu vistoriá-los em uma segunda e terceira visita.

Na capital é possível encontrar diversos imóveis em situação de abandono, inclusive de propriedade do Estado, como é o caso da obra do 16º Distrito Integrado de Polícia (DIP), localizado no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, paralisada há meses, conforme os relatos de moradores da proximidade. No local é possível ver que a área onde está sendo construído o distrito, virou depósito de lixo, entulhos, matos, materiais e equipamentos de construção e principalmente de criadouros do mosquito.

Na avenida Japurá, no Centro, um prédio de propriedade das Forças Armadas, também virou ambiente propício para a proliferação do Aedes aegypti. Moradores da área afirmam que o órgão responsável pela manutenção do espaço não realiza nenhum tipo de limpeza no imóvel há anos.

“O Exército se diz proprietário do local, mas nunca realizou nenhum tipo de benfeitoria no prédio, inclusive a limpeza, serviço esse fundamental para afastar qualquer possibilidade de criadouro de doenças. Nem a prefeitura realiza serviço de limpeza na estrutura. Nós moradores que de vez em quando entramos no terreno e limpamos”, relatou a dona de casa Maria do Carmo Soares.

Feiras

Nas feiras da Banana, no Centro, e da Panair, no Educandos, Zona Sul, buracos, esgotos abertos e lixos acumulados em calçadas geram ambiente de risco a população, por se tornarem potenciais criadouros do Aedes. Em alguns casos, os próprios comerciantes também contribuem para a situação.

Andar pelas principais avenidas no entorno das feiras e se deparar com água parada, seja em garrafas, poças, ou em qualquer outro recipiente, tem sido muito comum nos últimos meses, de acordo com os frequentadores das duas feiras.

Eles destacam que mesmo com toda a campanha de combate ao mosquito, transmissor da doenças dengue, chigunkunya e zika vírus, os órgãos que deveriam fazer a limpeza estão fazendo vista grosso em relação aos devidos cuidados que devem ser tomados para combater a proliferação das larvas do mosquito.

“O serviço de limpeza pública passa diariamente aqui, mas faz aquela famosa maquiagem. Passam a vassoura apenas nas calçadas, tiram artificialmente a terra, mas aquele lixão jogado nos cantos, os buracos, os meios fios, que acumulam uma grande quantidade de água, eles nem mexem. Quando questionamos, eles dizem que se mexer, a água vai liberar mau cheiro. Um absurdo, total descaso com a saúde”, relatou Josefina Lima, que trabalha na feira da Banana.

Procurada pela equipe do Em Tempo, a Secretaria Municipal de Limpeza Pública não se pronunciou sobre as reclamações.

Por Gerson Freitas

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