Economia

Preços dos alimentos em supermercados de Manaus estão inflacionados, diz IPS

 O produto que mais puxa a inflação é comercializado a R$ 7 o quilo, seguido da carne, que custa R$ 9 o quilo, e do arroz, vendido a R$ 2,90 o quilo - foto: Marcio Melo

O produto que mais puxa a inflação é comercializado a R$ 7 o quilo, seguido da carne, que custa R$ 9 o quilo, e do arroz, vendido a R$ 2,90 o quilo – foto: Marcio Melo

Em meio ao momento conturbado da economia brasileira, os consumidores e representantes dos supermercados de Manaus buscam caminhos para driblar a inflação dos preços dos supermercados, que atingiu, no período de um ano, 13,39%, segundo dados do Índice de Preços dos Supermercados (IPS).

Para o gerente do supermercado Veneza, na Zona Centro-Sul, Otávio Marinho, não há como segurar os preços com as altas da inflação. Ele considera que o feijão é o grande vilão nos supermercados. O produto que mais puxa a inflação é comercializado a R$ 7 o quilo, seguido da carne, que custa R$ 9 o quilo, e do arroz, vendido a R$ 2,90 o quilo.

Marinho aponta que as chuvas fizeram com que o feijão ficasse escasso em todo o Brasil, o que elevou mais ainda os preços. O gerente conta que, hoje, só revende o feijão carioca. “Se fossemos comercializar o jalo, o feijão seria vendido a R$ 25. Ninguém pagaria esse preço e teríamos prejuízos”, diz.
Ele afirma que, devido ao atual momento financeiro do país e o baixo poder de compra dos clientes, a proposta é ter o mínimo de lucro ou demitir funcionários se não houver lucro nenhum. O gerente destaca que o caminho é apostar em promoção para vencer a redução no consumo que, segundo ele, caiu 50%.

Cotação

De acordo com o gerente do supermercado Casa do Óleo, Ivan Araújo, a saída para driblar a inflação é fazer cotação de preço e variar entre as marcas para que os produtos não fiquem tão caros nos supermercados. “Nós estamos chamando os fornecedores e fazendo a cotação. Estamos seguindo a lógica do consumidor. Quando o preço de determinado produto fica mais caro o consumidor procura outro mais em conta. Esse é o caminho para não repassar a inflação aos nossos clientes”, conta Araújo.

O gerente observa que alguns produtos essenciais são os que mais puxam a inflação. Ele avalia que as altas acontecem, principalmente, por produtos voltados a alimentação como a farinha, feijão, açúcar e hortifrutis. “Procuramos trabalhar com o menor preço para não afastar os clientes, mas as pessoas estão com o poder de compra reduzido por conta das demissões. Esse é um fator que influencia”, destaca.

Produtos baratos sumiram

Empresários do ramo do comércio sofrem dificuldades com a inflação dos produtos de supermercados. Como de costume, os microempresários compram os itens comercializados em seus estabelecimentos em grandes redes.
A comerciante Ivanes Nascimento afirma que está difícil encontrar produtos nos supermercados para a revenda. “Os itens que saem bastante estão com os preços elevados. A manteiga, leite, feijão e material de limpeza estão 50% mais caros. Até nas redes de atacado os preços subiram bastante”, revela.

Dados gerais
O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela Apas/Fipe, apresentou em maio alta de 0,80%. No acumulado de janeiro a maio, houve elevação de 6,15%. Em 12 meses a alta nos preços dos supermercados atingiu 13,39%.

Consumidores sentem ‘no bolso’

Em função da crise econômica, que acarreta desemprego em diversos segmentos, o consumo de forma geral diminuiu nos últimos meses. Os consumidores sentem no bolso o peso da inflação e atribuem o menor consumo aos altos preços e ao momento conturbado nas finanças.

No entanto, consumidores afirmam que não é possível diminuir tanto a quantidade comprada, principalmente, em produtos considerados essenciais.

O aposentado Luiz Carlos Mello conta que o caminho é pesquisar os locais com produtos mais em conta, e não comprar tudo em um só lugar. “Faço uma rota e vou nos supermercados para avaliar os preços. Não podemos diminuir tanto o consumo, por este motivo busco os itens mais baratos”, conta o aposentado.
A escolha por uma marca inferior também é um dos caminhos encontrados pelos consumidores.
Conforme o industriário Douglas de Freitas, os dados apresentados da inflação não são verdadeiros, pois, segundo ele, os preços estão “astronômicos”.

“O jeito é escolher produtos de marcas que não temos costume de adquirir e que são mais em conta, principalmente os produtos voltados a alimentação que aumentaram bastante nos últimos meses”, afirma o industriário.

Por Asafe Augusto

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