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PPK toma posse no Peru e pede ajuda ao Congreso para fazer reformas

O novo presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, 77, tomou posse nesta quinta (28) para um mandato que vai até 2021 com um discurso que se centrou mais em questões internas e pedindo apoio ao Congresso de maioria opositora.

PPK (como é chamado) afirmou que suas prioridades serão a segurança, apontada como a principal preocupação dos peruanos, segundo todas as pesquisas, e a luta contra a corrupção (“não haverá tolerância, quem falhar acabará diante da Justiça”).

Aos parlamentares, destacou a importância de aprovar reformas que permitiriam combater a insegurança e a corrupção e reativar a economia. “Não posso fazer isso sozinho (…), necessito a ajuda deste Congresso emblemático para a democracia”, disse.

A cerimônia teve a presença de seis chefes de Estado da região: Mauricio Macri (Argentina), Michelle Bachelet (Chile), Juan Manuel Santos (Colômbia), Enrique Peña Nieto (México), Rafael Correa (Equador) e Horacio Cartes (Paraguai). O Brasil foi representado por José Serra, ministro das Relações Exteriores.

Também tomaram posse o novo ministério e o primeiro-ministro (no Peru, o cargo corresponde ao de chefe de gabinete e é indicado pelo presidente), Fernando Zavala.

PPK assume um país cuja macroeconomia vem sendo bem administrada. Apesar de o Peru ter deixado de crescer nos níveis dos anos 2000 (em que atingiu picos de 8% e 9%), o crescimento do PIB em 2015 foi bom para a média da região (2,7%).

Além de um pacote de reformas internas que inclui mais investimentos na mineração, flexibilização de leis de trabalho e redução de taxas de investimento, uma das prioridades de PPK é a relação com os países do bloco da Aliança do Pacífico.

Criada em 2011 com a participação de México, Peru, Colômbia e Chile como membros plenos, a aliança reúne 40% do PIB da região e inclui 215 milhões de habitantes. Em apenas cinco anos, vem avançando rápido, atingindo o índice de 92% de produtos com tarifa zero comercializado entre os sócios.

“Apesar de ser um bloco jovem, já avançou muito em relação ao Mercosul”, diz o analista argentino Patricio Giusto.
O presidente mexicano Enrique Peña Nieto disse nesta quinta (28) ao jornal peruano “La Republica” que “justo no momento em que movimentos isolacionistas estão tomando força em algumas partes do mundo, a Aliança do Pacífico aponta para um caminho de abrir, e não de fechar, portas”. “Avançaremos para a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais.”

Na última reunião da Aliança, em junho, em Puerto Varas, no Chile, PPK compareceu como presidente-eleito junto com sua equipe econômica, e reforçou que apoiará a aprovação de mais projetos em comum.

Outro destaque do evento foi a presença de Mauricio Macri. A Argentina ingressou oficialmente como país observador do bloco. “Neste momento tão controverso no mundo, é claro que só teremos futuro se possamos construir redes e não paredes”, disse o argentino em seu discurso, na ocasião.

Foi uma clara mudança de direcionamento da política externa da Argentina em relação ao governo kirchnerista, seu antecessor, que preferiu apostar em políticas mais protecionistas e fechar-se dentro do Mercosul.

Do mesmo modo já pensa Horacio Cartes. Em entrevista à Folha de S.Paulo, em 2014, em Assunção, o presidente do Paraguai (também país-observador da Aliança), Cartes declarou: “Eu preferia que o Mercosul fosse mais pragmático e menos ideologizado, como é a Aliança do Pacífico”.

A principal reclamação de Macri e de Cartes com relação ao Mercosul é que, nos últimos tempos, o bloco havia colocado a identificação política acima das necessidades econômicas.

Já Bachelet, hoje única mandatária mais à esquerda dentro do bloco, defende uma “convergência” entre Aliança e Mercosul, mas evita falar de “fusão”.

Com o impasse criado no Mercosul por conta da recusa de Brasil e Paraguai de que a Venezuela passe, segundo a regra, a presidir o bloco a partir do dia 1o de agosto, o gesto de Macri ganha novo significado.

VENEZUELA

Em seus discursos recentes, PPK também apontou que será menos ausente do debate sobre a Venezuela do que foi seu antecessor Ollanta Humala -que no passado chegou a alinhar-se ao venezuelano Hugo Chávez.

“Temos um grande problema na região que se chama Venezuela, porque está violando as regras básicas de direitos humanos. Houve uma eleição e o governo não a está respeitando, além do problema humanitário, o país está no limite de um colapso econômico e social.”

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