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Posicionamento contra Trump domina imprensa dos EUA a um mês da eleição

Editoriais da revista norte-americana ‘The Atlantic’ e do jornal ‘USA Today’ publicados nesta semana declararam o apoio dos dois veículos à candidata democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

O caso chamou a atenção por ser apenas a terceira vez na história em que a revista se posicionou politicamente nas eleições -depois de ter apoiado Abraham Lincoln, em 1860, e Lyndon B. Johnson, em 1964- e por ser o primeiro apoio oficial do jornal em eleição presidencial em 34 anos.

O posicionamento das duas publicações é um reflexo de uma tendência crescente na mídia dos EUA. Nas últimas semanas, a imprensa do país está se colocando fortemente contra o republicano Donald Trump, e defendendo o voto em Hillary.

O posicionamento pró-Hillary de veículos de imprensa mais tradicionalmente liberais, ligados aos democratas nos EUA, como o ‘New York Times’ e o ‘Washington Post’, não chegou a surpreender. Mas impressiona o posicionamento crítico de publicações que normalmente se colocam como politicamente neutras, e o fato de até mesmo veículos tradicionalmente ligados a eleitores e políticos republicanos estarem apoiando Hillary, ou o libertário Gary Johnson, em detrimento de Trump.

Foi o caso do ‘New Hampshire Union Leader’ e o ‘Cincinnati Enquirer’, que apoiavam republicanos para presidente há um século, e defenderam o voto em Johnson e Hillary neste ano.

Assim também o ‘Arizona Republic’, defensor de voto republicano desde 1890, o ‘Dallas Morning News’, que desde 1940 sempre apoiou republicanos. O ‘Detroit News’, que defendeu voto em republicanos desde sua fundação, em 1873, foi contra Trump e Hillary, defendendo o voto em Johnson.

Segundo uma reportagem do ‘New York Times’, a candidatura de Trump criou uma divisão dentro da mídia tradicionalmente conservadora nos Estados Unidos -normalmente personificada em torno da rede de TV Fox News. O jornal diz que mesmo que muitos dos republicanos nesses grupos de mídia digam que vão votar em Trump na eleição, eles têm se recusado a ‘jogar confete’ no candidato, como diz um dos entrevistados.

Mesmo sem uma declaração formal de apoio, veículos como a rede Fox News e os sites Breitbart e Drudge Report normalmente são elencados entre os que apoiam Trump. Logo depois do primeiro debate entre os candidatos, os comentaristas da Fox News deram espaço ao republicano e defenderam que ele havia vencido o encontro, ao contrário do que diziam as principais análises sobre o debate.

Contra Trump

Em comum, a maioria desses posicionamentos da imprensa a favor de Hillary têm um tom altamente crítico ao candidato republicano -mais do que uma defesa da democrata.

Com o título ‘Contra Donald Trump’, o texto da ‘Atlantic’ diz que o republicano pode ser “o candidato mais ostensivamente despreparado de um grande partido nos 227 anos de história da Presidência norte-americana”. Hillary, por outro lado, observa o editorial, tem o direito de ser levada a sério como uma pretendente à Casa Branca, ainda que tenha falhas.

O ‘USA Today’ diz que a opinião unânime do seu conselho editorial é de que Trump é “inapto para a Presidência”.

“Desde o dia em que declarou sua candidatura, 15 meses atrás, até o primeiro debate, Trump demonstrou repetidamente que não tem o temperamento, o conhecimento, a segurança e a honestidade que os EUA precisam dos seus presidentes”, diz o jornal.

Na mesma linha, o ‘Washington Post’ estampou um título acusando o “perigo claro e presente” representado pelo republicano.

Diferentemente do que ocorre nos EUA, no Brasil não é comum haver um posicionamento político claro dos veículos da imprensa.

Folhapress

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