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População promete ir às ruas neste domingo de impeachment

De norte a sul da capital, movimentos pretendem reunir milhares de pessoas para protestar e aplaudir – foto: divulgação

De norte a sul da capital, movimentos pretendem reunir milhares de pessoas para protestar e aplaudir – foto: divulgação

Este domingo, 17 de abril, vai entrar na história do Brasil com cenas fortes, atos e protestos de muito apelo emocional e mostrando um país totalmente dividido entre os que defendem a presidente Dilma Rousseff e denunciam um golpe e os que acreditam no impeachment e na saída urgente do PT do Palácio do Planalto.

Num domingo atípico, em que a Câmara dos Deputados se reúne para votar o impeachment da presidente, as ruas de todo o país, inclusive de Manaus, estarão tomadas de manifestantes contra e a favor. Serão palco e testemunhas do desenrolar da história.

Na capital amazonense, os grupos anti e pró-Dilma irão se reunir em pontos estratégicos para acompanhar a votação do processo de cassação de Dilma, na Câmara. O movimento “Fora, Dilma!”, por exemplo, espera reunir mais de 100 mil pessoas na Ponta Negra, Zona Oeste, onde serão instalados telões e trios elétricos para o ato. Do outro lado, militantes e movimentos sociais, ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), centrais sindicais e estudantis, preparam mobilização com artistas e intelectuais, a partir das 14h, no largo São Sebastião, no centro de Manaus.

Além disso, o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracomec) articula levar um comboio de mais de 4 mil operários até a Ponta Negra para defender a presidente Dilma. De outro lado, servidores públicos federais filiados ao Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Amazonas (Sindsep-AM) planejam realizar uma vigília pela democracia neste domingo, a partir das 12h, na praça São Sebastião, Centro.

Todos estes movimentos irão acompanhar o cronograma das sessões de votação do impeachment. O rito na Câmara dos Deputados iniciou na última sexta-feira e culmina, hoje, com a votação do relatório do deputado federal Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda a cassação da presidente. A sessão será reaberta e transmitida ao vivo a partir das 11h deste domingo. A expectativa do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é de que o resultado seja anunciado por volta das 21h, ainda no domingo.

Em Manaus, os organizadores do movimento “Fora, Dilma” irão instalar um grande telão na Ponta Negra para que os favoráveis ao processo de impeachment acompanhem a votação ao vivo. Segundo um dos organizadores do movimento, Augusto Sales, além do telão, três trios elétricos também serão levados para o local e a expectativa é que se supere as mais de 100 mil pessoas, de acordo com a organização do último ato no local, e 35 mil, segundo a Polícia Militar, em protesto realizado em março. “Estamos nos organizando para fazer uma grande festa da democracia. Se o outro lado tem apoio do governo, da CUT, e de organizações, nós não temos apoio de ninguém, a não ser de nós mesmos”, afirmou o organizador.

De acordo com Augusto, o ato não é ligado a nenhum partido político, mas que representa e tem o apoio dos maçons, em que se juntou “as grandes potências do Norte”, a Grande Loja, Grande Oriente e Comab (representantes da maçonaria no Amazonas), com intuito de agir contra o atual governo federal. “Não sabemos se a presidente será cassada. Mas as informações que temos é de 370 votos são favoráveis à cassação. Entretanto, o governo está distribuindo cargos no seu governo e muito dinheiro. Mas o fato é que este governo já acabou. Quem ficar nele afundará junto com ele”, disse o militante, que se diz apartidário”.

Pressão

Para o ativista político Valdenor Costa, que defende o impeachment, é fundamental a participação de todos no ato. “Vamos encher as ruas de todo o país. A cada dia que passa, o vento sopra mais ao nosso favor. Vamos continuar pressionando os deputados indecisos para que virem a favor do impeachment. Vamos lotar as ruas e bater o recorde de público, no mínimo, 12 milhões de manifestantes e pressionar os parlamentares indecisos”, conclamou o manifestante.

Contrários ao processo do impeachment, movimentos sociais, artistas, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o PT organizam e chamam a militância para a largo da praça de São Sebastião, no centro de Manaus, também para acompanhar a votação ao vivo.

Para o presidente do PT no Amazonas, Valdemir Santana, o que está em jogo é muito além de retirar a presidente Dilma do poder, mas retirar os direitos dos trabalhadores conquistados nos últimos anos pelos governos de esquerda. “O projeto do Eduardo Cunha e do Michel Temer, ambos do PMDB, é retirar os direitos dos trabalhadores, como 13º salário, férias coletivas, a lei de terceirização. Tem muita coisa além disso, mas nós não iremos permitir”, afirma.

Sobre a avaliação do placar pró-impeachment, o petista avalia de forma crítica o posicionamento da mídia, que ele avalia como “golpista”. “O que vemos é uma mídia que pressiona os deputados a tomarem uma posição favorável à cassação da presidente. É um absurdo. Os meios de comunicação são concessões públicas, devem ter o poder de informar a população, não ser um meio de poder paralelo ao sistema democrático”, desabafou.

A CUT em Manaus afirma que a questão é lógica: “Se de um lado estão todas as entidades patronais, como a Fiesp, a CNI e a CNA, certamente, esse golpe não vai ajudar em nada o trabalhador. Ao contrário, como alerta o presidente da CUT, o impeachment é atalho para arrancar direitos sem ter que passar pela urna”, diz em nota.

O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, diz que “a defesa dos direitos é uma luta que norteia a nossa atuação desde o início. É bom deixar claro, o golpe não é contra o PT, o Lula ou a Dilma, é contra os direitos dos trabalhadores, contra os direitos sociais e contra a liberdade de expressão”, afirmou.

A CUT em Manaus divulgou a programação deste domingo: das 5h às 7:30h, terá panfletagem e mobilização nas indústrias do Polo Industrial (PIM). Às 8h, haverá um ato conjunto na Zona Leste, na avenida Grande Circular, em frente a feira do Mutirão. Às 14h, a grande concentração no largo São Sebastião.

Rito da votação

Para que o processo de impeachment contra a presidente Dilma siga para o Senado, a votação do final deve contar com 342 dos 513 votos conta a presidente. Ausências e abstenções contam em favor de Dilma. Uma comissão especial aprovou parecer do relator Jovair Arantes a favor do impeachment sendo 38 votos favoráveis ao afastamento e 27 contrários.

Por Stênio Urbano

 

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