Economia

Polo de duas rodas busca uma ‘luz no fim do túnel’

 foto: Ione Moreno

foto: Ione Moreno

Patinando nas curvas sinuosas da economia brasileira, na escassez de crédito e na desconfiança do consumidor que está retraído para evitar assumir novas dívidas no financiamento, o polo de duas rodas ainda está longe de encontrar uma “luz no fim do túnel” em sua acelerada para sair da crise que afeta o segmento. Apesar do otimismo adotado pelas fabricantes de motocicletas, a via crucis para superar o momento de turbulência parece não ter fim.
No primeiro semestre deste ano, o polo de duas rodas derrapou bruscamente ao registrar, naquele período, o seu pior índice de produção dos últimos dez anos. A queda verificada, entre janeiro e junho de 2015,  foi de 9,5%. Nos seis primeiros meses do ano, a produção somou 699.461 unidades contra  772.943 motocicletas fabricadas no mesmo período de 2014, de acordo com dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
Esse desempenho só não foi pior do que o número registrado no primeiro semestre de 2005, quando 610 mil unidades foram produzidas nas linhas de montagem das fábricas de motocicletas na primeira metade daquele ano.
De acordo com o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, a falta de crédito, a desconfiança do consumidor que não quer fazer dívidas e a própria política macro econômica do país, que tem demorado para adotar as medidas de ajustes fiscais, são os principais fatores que têm levado o polo de duas rodas a derrapar no seu desempenho. “O varejo como um todo foi afetado. As pessoas estão com medo de comprar por receio do futuro. Se a pessoa não sabe se estará empregada, não tem como ela assumir dívidas para pagar as parcelas. Há também outros aspectos do cenário macro econômico que precisam ser resolvidos”,
avalia o empresário.

Revisão
Segundo o gerente de Relações Institucionais da Moto Honda da Amazônia, Mário Okubo, a empresa líder do mercado nacional de motocicletas previsou revisar os números de sua produção para 2015. A projeção inicial era de uma queda
prevista de 5%.
Porém, diante do cenário nada animador, a multinacional trabalha com perspectiva de que a retração chegue a 10% em relação a produção do ano passado, quando foram fabricadas em torno de 1,2 milhão de unidades pela Moto Honda da Amazônia. “O mercado de motocicletas sofre um processo de retração devido à dificuldade de acesso ao crédito e não pela rejeição ou falta de atratividade pelo produto. Para este ano,  trabalhamos com queda de 5% no segmento como um todo, mas as prévias do primeiro semestre apontam que podemos chegar à queda de 10%”, conta Okubo.

Investimentos
Situação semelhante vive a Yamaha. Apesar de a empresa ter investido em novos lançamentos e na modernização de alguns modelos antigos, a queda na produção deverá ficar acima do índice médio de 10% previsto para todo o segmento.
Por sua vez, até junho deste ano, a Triumph já produziu aproximadamente 58% do número de motocicletas que fabricou durante todo o ano de 2014, quando contabilizou 4.383 unidades produzidas, de acordo com a assessoria da empresa instalada no PIM.

 

Por Anwar Assi

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