Sem categoria

Políticos do AM se unem para buscar apoio privado aos bumbás de Parintins

Aleam_Parintins

Festival de Parintins foi objeto de homenagens e preocupações, na Assembleia Legislativa do Amazonas e na Câmara Municipal de Manaus, na semana passada – fotos: divulgação

No ano do 50º aniversário do tradicional Festival Folclórico de Parintins, parlamentares da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) afirmam que, devido à crise econômica nacional, o poder público está buscando apoio na iniciativa privada para os patrocínios ao evento.

O vereador Arlindo Júnior (Pros), ex-levantador de toada do boi-bumbá Caprichoso, falou sobre as dificuldades que o evento enfrenta hoje em dia, devido ao encarecimento das passagens, da hospedagem e de tudo o que envolve a festa.

“Há alguns anos, a festa tem se tornado muito cara; dessa forma as pessoas estão preferindo ir para o exterior e outros lugares, pois é mais caro ir a Parintins, apesar de ser bem ao lado de Manaus. Acho que os bois têm que repensar isso, para que não se torne uma festa apenas de ricos”, observou.

Retorno financeiro

Segundo Arlindo, além do legado cultural que o festival deixa, não só para o Estado, mas principalmente para a capital, o retorno financeiro que a cidade obtém, anualmente, é importante, pois a maior parte dos turistas que prestigiam a festa passa por Manaus, de forma que sempre contribuem para o aquecimento, no mês de Junho, do comércio local, tanto quanto da rede hoteleira, da gastronomia e de outros setores da economia da cidade.

“Todos os anos, boa parcela dos que seguem rumo à ilha Tupinambarana passam pela capital e por muitas vezes ficam em Manaus, o que acaba culminando em um rendimento melhor nos hotéis, no comércio e na gastronomia, gerando recursos para a capital. Fora o ensaio dos bois, que ocorre nos meses de março a junho, arrecadando dinheiro para os cofres públicos, por meio do ISS e outros impostos e encargos, movimentam a cidade e permitem também aos manauenses dar a sua contribuição para o festival”, considerou.

O vereador acredita que, se o governo estadual permanecer incentivando e trazendo mais recursos, não públicos, mas da iniciativa privada, o atual quadro do festival tende a melhorar.

Vereador Arlindo Júnior quer mais investimento no festival

Vereador Arlindo Júnior quer mais investimento no festival

Além do papel do governo do Estado, o parlamentar chamou a atenção para a responsabilidade das organizações dos bumbás no que se refere a tornar o festival mais atrativo, como nos anos 1990 e início dos anos 2000. Ele ressaltou o aspecto histórico e que muitas mudanças ocorreram durante o tempo.

“Antes, os bois recebiam R$ 1 milhão, e hoje em dia já chegaram a alcançar R$ 10 milhões, isso deixou o próprio público na defensiva. Ao longo do tempo as coisas vêm mudando e os bois têm muita culpa nisso, os torcedores que ainda existem estão envelhecendo, pois tanto Garantido quanto Caprichoso não estão sabendo cativar novos torcedores: as coreografias estão muito difíceis e ninguém consegue acompanhar. As toadas não tocam mais na rádio e nem no carro de ninguém; não há mais divulgação maciça. O povo de Manaus, que era o maior consumidor do evento, está perdendo o gosto, pois o que agitava era toda aquela festa nas ruas – o bumbódromo lotado”, relembra.

O deputado estadual e ex-prefeito de Parintins, Bi Garcia (PSDB), também relembrou a história da festa, fazendo referência a várias mudanças pelas quais o evento passou.

“Aceitação grande”

“O festival de Parintins alcançou uma aceitação muito grande nos anos 90, 2005 e 2006, devido a vários fatores como a mudança na data para o último final de semana de junho, o ajuste no regulamento de julgamento, o aumento no patrocínio para os bois e a ampliação do aeroporto que recebia cerca de 2,4 mil turistas durante o festival, em aviões bandeirantes e passou a recepcionar 12 mil pessoas em aviões ATR e Boeing, e assim diminuiu um pouco o número de visitantes nos barcos”, informou.

Conforme o tucano, a queda de público observada em 2014 deve-se ao fato de Manaus ter sido uma das cidades-sede da copa do mundo.

“Ano passado caiu a quantidade de público por causa da Copa, e esse ano estamos encontrando dificuldades por causa da crise econômica nacional, que está bem clara para todos e está atingindo a toda a união, Estados e municípios, no entanto, estamos trabalhando de forma criativa para buscar no setor privado recursos que possam patrocinar as apresentações do garantido e caprichoso. A questão do acesso aos preços das passagens aéreas está sendo bastante debatido, porém já existe uma redução nos preços das passagens fluviais. O governo estadual tem sido muito presente no sentido de fortalecer o festival folclórico de Parintins”, declarou.

Conforme o deputado Bi Garcia (PSDB), a queda de público observada em 2014 deve-se ao fato de Manaus ter sido uma das cidades-sede da Copa de 2014

Conforme o deputado Bi Garcia (PSDB), a queda de público observada em 2014 deve-se ao fato de Manaus ter sido uma das cidades-sede da Copa de 2014

O vice-líder do governo na Aleam e presidente Comissão de Cultura da casa, deputado Bosco Saraiva (PSDB), fez relação entre o festival e o Carnaval carioca.

“É comum que eventos dessa natureza e tamanha grandiosidade com o tempo fiquem mais valorizados, comercialmente falando, isso encarece e torna também um evento mais seletivo. Nessa linha é possível estabelecer uma relação direta entre o festival e o Carnaval carioca, das escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro, que também é um evento magnífico e grandioso”, exemplificou.

O tucano disse que a perda do romantismo na festa deve-se exatamente ao fato de o elemento comercial ter passado a figurar de forma mais intensa no evento.

“Existe por parte da comissão de cultura uma preocupação no sentido de resgatar uma maior freqüência no festival e ajudar para que o evento volte a ser um evento poético, folclórico e romântico como era no passado e que se mantenha muito bem freqüentado, como é atualmente, pelas pessoas do amazonas e de fora também”, arrematou.

Até o fechamento desta matéria, a reportagem não conseguiu falar com o secretário de Estado de Cultura, Robério Braga.

Por Helton de Lima (Jornal EM TEMPO)

Click to comment

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top