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Políticos do AM ignoram efeitos da Lava Jato

Empreiteiros, doleiros, funcionários da Petrobras e de bancos, além de políticos de vários partidos estão envolvidos no esquema - foto: reprodução

Empreiteiros, doleiros, funcionários da Petrobras e de bancos, além de políticos de vários partidos estão envolvidos no esquema – foto: reprodução

A operação Lava Jato, investigação promovida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), vem causando polêmica com o Congresso Nacional e o governo da presidente Dilma Rousseff (PT), envolvidos em denúncias graves de corrupção e desvios de dinheiro público.

Péssimo para qualquer imagem, certo? No entanto, políticos do Amazonas não acreditam que esse escândalo vá prejudicar seus partidos nas eleições municipais de 2016. Boa parte dos partidos citados nos esquemas de corrupção trazidos à tona pela investigação são o PT, PP, PMDB, PSDB e PTB.

“Nós acreditamos que não existe partido culpado. O que existem são pessoas com desvio de conduta que a Justiça saberá julgar. Sendo assim, essas pessoas que saiam do partido, pois o partido é muito maior do que isso e é composto em sua maioria por pessoas idôneas”, defendeu a ex-deputada federal Rebecca Garcia, do PP, um dos partidos apontados como chave do esquema.

“Lamentamos que alguém do PT tenha algum envolvimento. Não aceitamos a corrupção. Mas querem criminalizar o PT, poupando todos os partidos. Quase 28 partidos receberam recursos no ano passado das empreiteiras investigadas na Lava Jato, mas apenas o tesoureiro do PT foi preso. Poucos são os políticos do PT acusados, comparado a outros partidos. Com certeza a imagem do PT fica prejudicada”, defendeu o deputado estadual José Ricardo, do PT.

Ao ser questionado sobre seu partido que, em nível nacional também teve três expoentes vinculados ao esquema de corrupção na Petrobras que veio à tona na operação Lava Jato, o PSDB, o deputado federal Arthur Bisneto se exaltou.

“Acho essa pergunta até engraçada. O único envolvido nisso é o senador Antônio Anastasia (PSDB). E ele é alvo de uma denúncia ridícula. Disseram que viram uma pessoa parecida com ele em uma garagem. Que governador iria até uma garagem para pegar dinheiro de um bandido? Dezenas de pessoas poderiam fazer isso para ele. É absurdo. Se a Lava a Jato vai influenciar nas eleições? Basta avaliar aprovação do PT. O meu partido é o maior incentivador da Lava a Jato”, respondeu o parlamentar.

Escândalo pode virar arma

Toda essa tranquilidade não é justificada. “A operação Lava Jato encontra-se, ainda, em funcionamento e não é possível, no momento, prever todas as suas consequências para a política brasileira. Contudo, pode-se vislumbrar que as investigações ao trazerem à tona nome de políticos e de partidos políticos podem, sim, influenciar nas eleições. Um candidato, por exemplo, a prefeito ou vereador de um município não gostaria de ter o seu nome veiculado junto ao nome de um político, ainda que com força regional, citado na operação Lava Jato”, explica o sociólogo e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP), Rodrigo Prando.

O especialista afirma ainda que na hora da campanha, o tema será usado por opositores. “Além disso, na disputa eleitoral candidatos ou partidos podem citar nominalmente os envolvidos ou as siglas partidárias num jogo de desconstrução do adversário. Ao que tudo indica, de todos os partidos, o que mais vai sofrer nas próximas eleições é o PT e não necessariamente por ter mais nomes citados ou investigados. Há um desgaste geral que se cola ao PT e, sobretudo, as suas principais referências hoje: Dilma e Lula. É bem provável que ao final das próximas eleições municipais, tenhamos uma diminuição do número de prefeituras ligadas ao PT, bem como de cadeiras nas Câmaras municipais”, acrescentou.

Por Fred Santana

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