Política

Políticos do AM citados na Lava Jato contestam denúncias

 

Relator da Lava Jato no STF, ministro Edson Fachin abriu inquérito contra citados – fotos: Divulgação

Os cinco políticos do Amazonas que serão investigados no âmbito da Operação Lava Jato, conforme determinou o relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rechaçaram qualquer envolvimento com a construtora Odebrecht e afirmaram, por meio de nota, estarem confiantes com as investigações. Os citados nas delações de executivos da empresa foram os senadores Eduardo Braga (PMDB), Omar Aziz (PSD) e Vanessa Grazziotin (PCdoB), além do deputado federal Alfredo Nascimento e o prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB). Eron Bezerra (PCdoB), marido de Vanessa também foi citado em delação.

Esses nomes integram a lista enviada no mês passado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, que originou os 74 inquéritos determinados por Fachin, anteontem.

De acordo com o inquérito 4.443 no STF, o colaborador da Odebrecht, José de Carvalho Filho, relata ter participado de reunião com o deputado Alfredo Nascimento, na época em que era ministro dos Transportes no governo do ex-presidente Lula. O encontro foi a pedido do deputado federal Milton Monti (PR-SP), para tratar de temas ligados aos interesses da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias. Nessa ocasião, teria sido solicitada “ajuda financeira” para a campanha eleitoral de Alfredo, no valor de R$ 200 mil por empresas que lá se faziam presentes.

Denúncias vieram das delações de executivos da Odebrecht

O repasse teria sido feito no ano de 2006, por meio de recursos não contabilizados, quando Alfredo disputou e se elegeu senador pelo Amazonas. O texto do inquérito diz ainda que foi feito acordo entre as empresas que teria resultado em “benefício espúrio” a diversos agentes públicos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e no pagamento de vantagem indevida ao deputado federal Inocêncio Oliveira (PR-PE), supostamente beneficiado com o repasse de R$ 300 mil, por meio do Setor de Operações Estruturadas.

Procurado, o deputado disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que somente irá comentar sobre o assunto após começar as diligências da Justiça e que, até o momento nem sequer foi notificado ou teve acesso aos autos e vídeos do processo e, disse ainda ter ficado surpreso ao ver seu nome envolvido entre os investigados. “Não tenho e não tive qualquer relação com executivos, empresas e estatais envolvidos. Não fui notificado e soube da inclusão do meu nome pela imprensa. Estou absolutamente tranquilo porque nada fiz de errado e isso será provado”.

O inquérito 4.418, que vai investigar a senadora Vanessa Grazziotin e o marido, Eron Bezerra, é baseado nas declarações prestadas pelo colaborador Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis, informando o recebimento de repasses financeiros pelo Grupo Odebrecht à parlamentar, no valor de R$ 2,5 milhões a pretexto de doação para a campanha eleitoral nas eleições municipais de 2012, em que ela disputou a Prefeitura de Manaus, mas sem o devido registro oficial.

No despacho do ministro para abrir o inquérito, o recebimento do recurso da construtora teria acontecido em uma reunião com a participação de Eron, e informando que o pagamento foi efetuado pelo setor de Operação Estruturadas da empresa e registrado no sistema “Drousys”, a pedido de um colaborador do PCdoB, identificado apenas como “Biagio”.

Em sua defesa, Vanessa disse estar tranquila e consciente que não cometeu crime algum e confia que isso será provado a partir das investigações. “Falam por mim, minha vida pública e minha trajetória política de mais de 40 anos, sendo 29 desses exercendo mandatos eletivos. Pautei-me sempre baseada em princípios éticos, como atestam todos os que me conhecem, pela luta em defesa dos direitos da nossa gente e do país. Portanto, mesmo ferida, sobretudo pela falta de critérios quanto a investigação que coloca casos tão diferentes num mesmo patamar, reafirmo que não vou me intimidar, continuarei firme na luta em defesa dos trabalhadores e no interesse do Amazonas e do Brasil”.

Esses nomes integram a lista enviada no mês passado pelo procurador-geral da República

Já Eron Bezerra afirma que não tem como se defender de uma acusação pautada apenas na sua presença numa reunião que, à época, aconteceu para buscar apoio à campanha de Vanessa e, todos aqueles que doaram para a então candidata, foram informados nas prestações de contas do Tribunal Regional eleitoral (TRE).

“A única citação do meu nome é de estar presente na reunião que solicitou apoio e não que pediu dinheiro. A senadora pediu apoio e quem deu dinheiro foi declarado. Você pode ver que o dinheiro não foi repassado para mim ou para senadora e, sim, para um tal de Biagio, que eu não sei quem é. Alguém pode ter recebido esse dinheiro em nome da senadora, mas não fomos nós. Certamente essa pessoa deve aparecer na fase de investigação”, retrucou Eron.

 

Processos iguais

Juntos no mesmo processo, o inquérito 4.429, os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz foram envolvidos em razão das consignações prestadas pelo contribuinte Arnaldo Cumplido de Souza e Silva. A ocorrência é de ajuste entre o Grupo Odebrecht e o então governador do Estado, Eduardo Braga, para que fossem feitos pagamentos em seu favor relativamente à construção da ponte do Rio Negro, cujo repasse foi de R$ 1 milhão.

O inquérito informa que após a eleição de Braga para o Senado, as solicitações de pagamentos passaram a ser feitas por José Lopes, empresário amazonense supostamente ligado a Omar Aziz – que ficou no governo. Todos esses pagamentos teriam como objetivo o favorecimento do consórcio, integrado pelas empresas Camargo Corrêa e Construbase, no que se refere à conquista do projeto da construção da ponte.

Procurado pela reportagem, Braga ponderou, por meio de nota, desconhecer o conteúdo das informações que levaram a pedir abertura de inquérito. “Vale destacar que a abertura de inquérito não significa que os investigados respondam por qualquer tipo crime. Em caso de notificação, prestarei todas as informações necessárias à Justiça”, acrescentou.

Por sua vez, o Omar Aziz defendeu que ninguém tem mais interesse do que ele na conclusão desse inquérito. “Não tenho e nunca tive nenhum tipo de relação com a Odebrecht. Essa empresa não teve nem sequer contratos ou pagamentos recebidos no meu governo. Também não recebi nenhum centavo deles em campanha eleitoral. ‘O Globo’ inclusive publicou que, no documento divulgado pelo ministro Fachin, não há qualquer referência de valor em meu nome”, ressaltou.

O ministro Edson Fachin enviou o processo referente a Arthur Neto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF/1)

Prefeito rechaça

Também citado em delação da Lava Jato pelo diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho por ter recebido R$ 300 mil em propina durante sua campanha à reeleição ao Senado nas eleições de 2010, o prefeito Arthur Neto rechaçou as acusações e afirmou que em toda a sua vida pública, nunca participou de nenhum esquema de corrupção.

Em uma postagem em sua página no Facebook, Arthur diz que nos 12 anos como deputado federal não houve registro de nenhum gesto seu, que tenha beneficiado a Odebrecht e seus lobistas. “Como governante da sétima maior cidade do país pela terceira vez, a Odebrecht, ao longo desse tempo, não plantou um único metro cúbico de asfalto em Manaus. Nenhuma relação. Absolutamente nenhum liame”.

O ministro Edson Fachin enviou o processo referente a Arthur Neto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF/1) e caberá a esse órgão da Justiça Federal abrir inquérito ou arquivar o processo.

Diogo Dias

EM TEMPO

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