Política

Políticos citados em lista da Odebrecht negam ilegalidades em doações

Na relação da Odebrecht aparecem nomes de ministros do governo, senadores, deputados, todos com foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal) - foto: divulgação

Na relação da Odebrecht aparecem nomes de ministros do governo, senadores, deputados, todos com foro privilegiado no STF (Supremo Tribunal Federal) – foto: divulgação

Políticos negaram qualquer ilegalidade em doações da Odebrecht ao comentarem, nesta quinta-feira (24), a menção de seus nomes na lista apreendida pela Polícia Federal no endereço de um dos executivos da empreiteira.

A maioria disse que todas as doações foram legais e declaradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Alguns chegaram a negar o recebimento de recursos da empresa.

Os documentos apreendidos com Benedicto Barbosa Júnior, um dos executivos da Odebrecht, na 23ª fase da Operação Lava Jato, em fevereiro, trazem dados de repasses que os investigadores apuram se foram doação eleitoral ou propina, em uma espécie de contabilidade paralela.

As planilhas foram disponibilizadas pela Polícia Federal nos autos de busca e apreensão e eram públicos até a manhã de quarta (23). Contudo, após a repercussão da divulgação dos documentos, o juiz Sérgio Moro decretou o sigilo.

Ministro

Citado em uma das planilhas com nomes de políticos, o ministro da Defesa, Aldo Rabelo (PC do B), negou que o pagamento tenha sido ilícito.

Aldo disse que a doação foi legal e está indicada para o CNPJ do seu partido, não para ele pessoalmente. Em uma das planilhas da Odebrecht, o nome do ministro é mencionado em uma relação de pagamentos feitos em 2010, quando ele concorreu à Câmara dos Deputados.

Senadores

O senador Jader Barbalho (PMDB-PA) negou, em mensagem postada na sua página no Facebook, recebimento de “dinheiro” ou “favores” da Odebrecht. “Se eles tiveram intenção de contribuir com minha campanha em 2010, não materializaram”.

Jader criticou as investigações da Lava Jato e se colocou à disposição para esclarecimentos. “Eu acho que essa apuração já virou avacalhação. Só falta aparecer o papa Francisco em alguma delação. Estou ao inteiro dispor da Justiça brasileira e não tenho nada a temer. A minha participação nesse episódio é zero”.

Também na rede social, a senadora Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) disse que só recebeu em suas campanhas recursos “legais e registrados”.

“Todas as prestações de contas foram analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”, afirmou a parlamentar. “Estranhei o aparecimento de meu nome numa lista que não sei como surgiu”, completou.

O senador José Agripino (DEM-RN) disse que as doações recebidas das empresas do grupo Odebrecht foram todas legais e objeto de prestação de contas junto ao TSE.

Deputados

O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) disse que pediu recursos à Odebrecht para financiar sua campanha de 2012, quando concorreu à Prefeitura de Santos, no litoral paulista. Segundo ele, as doações foram regulares e os valores foram declarados.

“Em 2012, eu podia buscar recursos de empresas privadas [para a campanha]. E eu pedi recursos para a Odebrecht, assim como pedi para outras empresas. A Odebrecht depositou dinheiro no partido e o partido me repassou. Então entrou na minha conta, com o desconto da TED, R$ 399.986,50. Não tem problema nenhum. Como ela, outras empresas me ajudaram. Pedi recursos e declarei.”

“Não tenho negócio com a Odebrecht. Fui prefeito em Santos por oito anos e nunca tive obras com a Odebrecht. Não há nada de irregular nisso”

Os petistas Paulo Teixeira (SP) e Maria do Rosário (RS) também negam que o favorecimento tenha sido ilegal.

“Na própria lista consta CNPJ da minha campanha e depósito em conta do Banco do Brasil, e tudo isso foi feito dentro rigorosamente da lei”, afirmou o deputado por São Paulo.

Já Maria do Rosário se manifestou através de sua conta no Facebook. Para ela, “está se fazendo uma confusão proposital para misturar o joio e o trigo”. Sobre a menção na lista da Odebrecht, ela afirma se tratar de “uma doação legal feita em 2012 a qual indiquei, ao PT Nacional, a então candidata a vereadora de Porto Alegre, Ariane Leitão”.

“A prestação de contas da candidata demonstra o devido registro ao TRE em 19 de setembro daquele ano”.

O deputado Jutahy Jr. (PSDB-BA) afirma a legalidade das doações de 2014, nega ter recebido contribuição em 2012 e argumenta que, em 2010 a legislação vigente era diferente da atual.

“Toda doação da Odebrecht em 2014 está declarada no TSE de forma legal e transparente. Não existe ilegalidade de nenhuma forma. Em 2010 sei que doaram. Mas não existia a legislação de hoje. Pode ter ido para o diretório, mas naquela época não era informada a transferência”

Sobre um repasse de R$ 24 mil que aparece em seu nome nas planilhas da Odebrecht, Jutahy diz não existir. “Não conseguimos detectar na minha conta nem na conta de campanha”.

O também deputado tucano Daniel Coelho (PE), além de negar irregularidades nas contribuições recebidas em sua campanha, atacou o PT, a quem acusou de vazar a lista para “confundir a população”.

“É muito evidente que isso talvez seja a última tentativa desesperada do PT em confundir a população ou tentar acuar a oposição. Dou apoio ao trabalho da Lava Jato e do Moro. É muito diferente do PT que está com culpa no cartório. Temos certeza que havendo delação vai ficar muito claro quem recebeu propina e quem não recebeu.”

Em nota na sua conta no Facebook, o deputado completou: “Tenho a tranquilidade de não ter recebido absolutamente nada além do que foi declarado oficialmente no período eleitoral”.

Por meio de nota em seu site, Otávio Leite (PSDB-RJ) também negou ilegalidades e esclareceu que “as doações recebidas do Grupo Odebrecht foram feitas via Diretório Nacional do partido e se deram dentro do estrito rigor legal”.

É a mesma justificativa também dada por Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG). Em nota no Facebook, o deputado afirma: “O valor listado onde consta o meu nome, se refere à doação recebida e declarada, conforme pode ser facilmente constatado no site do TSE, aberto à fiscalização de todo cidadão”.

O presidente do PPS, deputado Roberto Freire (SP), divulgou em sua página uma nota em nome do partido na qual destaca que todas as doações recebidas por dirigentes da sigla foram declaradas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Mendes Thame (PV-SP) também divulgou uma nota de esclarecimento em sua página no Facebook. Afirma não conhecer os atuais diretores e presidente da empreiteira e reitera: “Coloco à disposição os sigilos bancário, telefônico e fiscal, bem como me disponho a prestar informações pessoais que possam contribuir para as investigações da Polícia Federal”.

Por Folhapress

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