Economia

Política preocupa comércio local, que aposta nas Olimpíadas

O comércio varejista do centro da cidade conseguiu um movimento melhor do que os shoppings centers - foto: Ricardo Oliveira

O comércio varejista do centro da cidade conseguiu um movimento melhor do que os shoppings centers – foto: Ricardo Oliveira

Apesar de um movimento aparentemente bom nas últimas semanas do fim do ano, o comércio varejista amazonense não espera recuperação do ano ruim que foi 2015, e não alimenta boas perspectivas para os próximos 12 meses do ano novo. Mas, conforme os empresários, tudo dependerá dos passos que serão dados no campo político no primeiro semestre para que os comerciantes mudem as expectativas com relação ao ano novo e de como se dará a organização dos Jogos Olímpicos.

De acordo com avaliação da Associação Comercial do Amazonas (ACA), o comércio varejista do centro da cidade conseguiu um movimento melhor do que os shoppings centers. Mas, segundo o presidente da entidade, Ismael Bicharra, isso porque o poder de compra das pessoas caiu e nesse sentido elas passaram a procurar preços mais baixos. Para ele, esse movimento é um sinal de que o nível pode cair ainda mais em 2016. “Hoje estamos próximos de um equilíbrio. Mas, somente se os dois (Centro e shoppings) tivessem bem, nós poderíamos dizer que seria bom”, observa.

Enquanto para a indústria, a mudança no Ministério da Fazenda com a entrada de Nelson Barbosa no lugar de Joaquim Levy, “assusta”, para o comércio ela pode significar retomada, segundo Bicharra. A sua avaliação se deu no momento em que o mercado sinalizava queda do dólar e subida da bolsa nacional. Mas, no geral, ele observa ainda muita insegurança, dado o cenário de incertezas geradas pela ameaça de impeachment contra a presidente da República, Dilma Rousseff.

“O que percebemos é que a mudança [no Ministério da Fazenda] criou uma nova expectativa no mercado. Mas, para o cenário de 2016 existe uma preocupação muito grande por conta de um impeachment que está andamento. Isso, possivelmente vai provocar problemas estruturais”, aponta Bicharra.

Entre os problemas estruturais elencados pelo presidente da ACA estão as incertezas pelas tão esperadas reformas tributárias, trabalhistas, previdenciárias e políticas, que país tanto precisa. “O impeachment gera muitas incertezas. O mercado internacional não tem que em quem confiar num país de incertezas. Estamos vendo quedas nas agências reguladoras. E isso tudo está transformando a nossa economia em algo muito negativo”, observa.
Olimpíadas

Diferente da Copa do Mundo de 2014, Bicharra avalia que, se tudo ocorrer bem com a organização das Olímpiada 2016 – quando Manaus receberá 6 partidas de futebol, entre o feminino e o masculino -, desta vez o comércio poderá tirar um bom proveito. Segundo ele, na Copa, a expectativa foi muito grande, os empresários fizeram alto investimentos, mais não teve retorno.

“O movimento começou a desabar a partir do segundo jogo. Mas, as Olímpiadas são um público mais selecionado. Na Copa, o comércio fez sucesso limitado aos bares do Centro, mas nos restaurantes não. As delegações que virão para as Olimpíadas são formadas por pessoas com poder aquisitivo alto. Eu acredito que nesse cenário teremos bons resultados”, avalia o presidente da ACA.

Por Emerson Quaresma

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