Dia a dia

Polícia e Ministério Público investigam mortes em Manaus

Mais de 30 assassinatos foram registrados neste fim de semana - foto: Arthur Castro

Mais de 30 assassinatos foram registrados neste fim de semana – foto: Arthur Castro

Após a sequência de assassinatos que assustou a população e levantou suspeitas quanto à vingança pela morte do sargento da Polícia Militar Afonso Camacho e por brigas entre facções criminosas que atuam dentro e fora de presídios de Manaus, à cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSP-AM) afirmou, nesta segunda-feira (20), estar em alerta e promete ir as ruas com efetivo de policiamento reforçado para evitar que a criminalidade se alastre.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) também promete apurar os crimes, caso fique comprovada a participação de policiais.

De acordo com o secretário da SSP, Sergio Fontes, a Polícia Militar, o Comando de Policiamento Especializado (Coe), a Delegacia de Homicídios e Sequestros (DEHS) e a Polícia Civil estão nas ruas para dar mais segurança à população bem como desvendar os 34 homicídios e nove tentativas de homicídios, que ocorreram de sexta-feira até a madrugada desta segunda-feira (20).

“Já temos a informação de pelo menos três suspeitos na morte do sargento Camacho e estamos no encalço deles. Em relação as demais mortes, as equipes de investigadores estão atuando nas ruas para dar uma resposta à população. Existem fortes indícios de correlações entre os crimes, indícios de proximidades, calibres, e o fato de que esse desvio da curva não é normal. Das primeiras 23 mortes, aproximadamente quatro têm identificação conhecida. Para o resto, há indicação de que foi uma ação orquestrada, ou seja, tem ligação e interligação entre um fato e outro e são essas que vamos nos empenhar para esclarecer. A morte do detendo no sistema prisional, quanto o assassinato do sargento no bairro de Educandos, podem ter desencadeado essas mortes, ou outra razão que vamos descobrir quando as investigações forem concluídas”, disse.

O secretário explicou ainda que as investigações para chegar aos responsáveis dos homicídios, devem se basear no depoimento das vítimas que sobreviveram às tentativas de homicídios, imagens de câmeras de seguranças e testemunhas oculares que estavam próximas aos locais dos acontecimentos. “Temos relatos de que teria sido um grupo à bordo de duas motos e um carro que cometeu esses homicídios e mais algumas tentativas de homicídios, em torno de nove tentativas. Iremos ouvir todos os que foram baleados e vamos recolher imagens de câmeras de segurança. A polícia também recolheu provas nos locais dos crimes, por exemplo, cápsulas de armas de uso restrito da polícia (ponto 40) que foram utilizadas nos assassinatos”, declarou.

Fontes afirmou ainda que a população não deve ficar preocupada e nem ter medo de sair de casa por conta da onda de ameaças em redes sociais e aplicativos de celular, pois tudo não passa de uma brincadeira de mal gosto de pessoas que estão querendo se aproveitar da situação, do grande número de mortes, para causar pânico e terror na cidade.

“Desde sábado (18) estamos com um grande efetivo de policiais nas ruas para evitar que o pânico se espalhe. As pessoas não têm quer ficar com medo, pois essa situação de pânico que circula na internet não existe. Quero deixar claro que essas invenções de carro atirando nas ruas para tudo que é lado, motoqueiros com armas e pessoas inocentes sendo baleadas é mentira. Essas mortes que aconteceram foram atípica, estamos trabalhando para chegar até os responsáveis e com certeza elas vão responder à justiça”, pontuou.

Investigação das mortes será prioridade

O delegado geral da Polícia Civil, Orlando Amaral, informou que a elucidação dos crimes ocorridos de sexta-feira até a madrugada serão prioridades para a polícia. Ele acredita que os mesmos possam estar atribuídos a determinados grupos criminosos, uma vez que foram praticados de forma semelhante, com pistoleiros em motos e com apoio de um carro.

“Foi mencionado a possibilidade de brigas entre facções criminosas em Manaus, coisas que partem de dentro da cadeia que repercutem aqui fora. Ventilou-se e muito se fala da coincidência da morte do sargento e na sequência da grande quantidade de mortes que ocorreram, evidentemente que a gente não vai descartar nenhuma hipótese, porque eu não tô aqui para proteger os policiais militares e nem aqui pra condenar. Estamos empenhados em desvendar os crimes e dar uma resposta à sociedade”, disse.

Amaral destacou também que no momento não possui nenhuma informação concreta sobre os fatos, devido o caso está recente, mas que pretende chegar aos autores o mais rápido possível, com o apoio de todas as delegacias. “O que a gente sabe é que das 23 primeiras mortes, 16 estão ligadas ao tráfico de drogas, as demais estão sendo apuradas. Eu quero dizer que a coisa não está fora do controle. Estamos diante do fato atípico, que ocorreu de sexta-feira para o sábado. Vamos esclarecer e tudo vai voltar ao normal. Vamos dar uma resposta pra isso. Queremos dizer à população que não vamos deixar a bandidagem vencer”, frisou.

MPE também vai investigar

O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), Fábio Monteiro, informou que a Promotoria de Justiça Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) poderá abrir um processo para investigar as mortes, caso seja constatado indícios de envolvimento de policiais nos crimes.

“Se houver relação entre os crimes e estes  tiveram ligação com amorte do policial, considero um absurdo. Assim como é absurda a morte do sargento, mas ainda é mais absurdo que uma série de mortes tenha sido motivada por vingança, pois a polícia é um braço armado do Estado”, disse.

Por Michelle Freitas

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