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Dia a dia

Polícia dá suporte a reintegração de posse na comunidade Cidade das Luzes, Tarumã

As tropas estão concentradas em frente a uma das entradas da invasão – foto: Josemar Antunes

As tropas estão concentradas em frente a uma das entradas da invasão – fotos: Josemar Antunes

A Polícia Militar do Amazonas dá suporte, na manhã desta terça-feira (24), ao cumprimento de mandado de reintegração de posse a uma área invadida no bairro Tarumã, Zona Oeste, conhecida como comunidade Cidade das Luzes, onde já residem cerca de cinco mil pessoas, segundo estimativas dos próprios moradores.

Os policiais chegaram ao local nas primeiras horas de hoje, porém, a reintegração propriamente só começou por volta de 9h, com a chegada dos oficiais de justiça.

Na tentativa de impedir a reintegração, um grupo de moradores armou uma barricada de árvores derrubadas e outros fizeram até um cordão de isolamento humano. Homens e mulheres adultos, assim como jovens, idosos e até crianças faziam parte da barreira, que acabou saindo do local após a concentração das tropas na entrada da invasão.

Equipes especiais da PM-AM, como Companhia de Operações Especiais (COE), Grupamento de Radiopatrulhamento Aéreo (Graer), Grupamento de Manejo de Artefatos Explosivos (Grupo Marte), Canil, Cavalaria e Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) participam do trabalho, sob a coordenação do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

Também foi registrada a presença de servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), Instituto Municipal de Fiscalização e Engenharia do Trânsito (Manaustrans), além do Corpo de Bombeiros e Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu).

Conforme o coordenador do GGI, delegado Frederico Mendes, um efetivo de mais de 700 pessoas está envolvido no trabalho de reintegração executado nesta terça. Membros da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) e da Defensoria Pública do Estado também estão no local para acompanhar o cumprimento da medida judicial.

“O objetivo desse trabalho é o cumprimento de uma ação civil pública impetrada pelo município numa área de preservação ambiental, onde todas as pessoas já foram devidamente notificadas”, disse Frederico Mendes.

Ainda segundo ele, o cumprimento dessa medida já foi postergado por duas vezes, no intuito de possibilitar aos ocupantes da área invadida que se retirassem de forma espontânea, como isso, porém, não ocorreu, os oficias de justiça cumprem hoje o mandando de reintegração.

“Além de dar suporte de segurança ao cumprimento de mandado pelos oficias de justiça, nós também vamos dar suporte logístico a todos que quiserem sair de forma pacífica”.

cavalaria

Demolição
Pelo menos cinco máquinas, entre tratores, escavadeiras, retroescavadeira e pá carregadeira estão no local para fazer a demolição dos casebres construídos irregularmente na área de preservação ambiental.

Também foram visualizados cerca de dez caminhões-baú e alguns ônibus que estão sendo disponibilizados para a locomoção dos invasores que quiserem deixar o local pacificamente.

Por volta de 9h30, a polícia iniciou efetivamente o trabalho de reintegração, adentrando com suas tropas na área invadida. Bombas de efeito moral e spray de pimenta foram utilizados para afugentar os invasores que tentaram resistir à ação judicial. Alguns moradores inclusive chegaram a atear fogo em galhos de árvores e outros objetos inflamáveis que formavam as barricadas, mas a polícia conseguiu avançar.

Os profissionais de imprensa que acompanham o trabalho foram impedidos de entrar além da área demarcada pela polícia.

Alguns moradores chegaram a atear fogo em galhos de árvores e om bombeiros tiveram de agir - foto: divulgação/Bombeiros

Alguns moradores chegaram a atear fogo em galhos de árvores e om bombeiros tiveram de agir – foto: divulgação/Bombeiros

Truculência
Alguns moradores que falaram com a imprensa após saírem da invasão contaram que os policiais agiram com truculência, não dando chance para as famílias retirarem seus pertences. “Eles usaram spray de pimenta e muitas mulheres e crianças se machucaram”, contou o morador Claudemir Falcão Freitas Júnior, que há um ano residia no local com a esposa e dois filhos.

Afirmando que não tem onde morar, Claudemir lembrou que em 2016 vai haver eleição e que, com certeza, as mesmas pessoas que os estão expulsando hoje irão procura-los para pedir votos. “O governo vem comer peixe assado com a comunidade e depois manda tirar a gente, mas ano que vem tem eleição de novo”, ponderou.

Outro morador que se identificou apenas como Tiago Augusto contou que as bombas de feito moral vinham do alto, jogada pelo helicóptero e que muitas pessoas ficaram desesperadas com a ação. “Estava todo mundo desesperado. Senhoras, crianças, ninguém conseguia respirar. Queimou o rosto da gente, o olho. Estava um caos lá dentro. A gente com bandeira branca e a polícia não para de atirar as bombas do helicóptero. Não soltaram só aqui na gente, mas no meios das casas onde as pessoas estavam arrumando suas coisas”, reclamou.

 

Por equipe EM TEMPO Online

Colaborou Josemar Antunes

Texto atualizado às 11h para inserção de informações

 

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