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Inquérito apontou, durante reconstituição, que policial militar foi assassinada

A família, as testemunhas e a própria defensora estão sendo perseguidas e recebendo ameaças de morte - foto: Arthur Castro

A família, as testemunhas e a própria defensora estão sendo perseguidas e recebendo ameaças de morte – foto: Arthur Castro

O inquérito policial militar que investiga o assassinato da soldado da PM Deusiane da Silva Pinheiro, 26, apontou, durante reconstituição do crime, na tarde desta terça-feira (16), por volta de 16h, que a jovem foi vítima de homicídio. A ação conjunta foi realizada pelas polícias Civil e Militar, nas dependências da Companhia Fluvial do Batalhão Ambiental, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.

Em primeiro momento, a Delegacia Especializada de Ordem Política (Deops) apontou suicídio. Porém, as investigações realizadas pelaDelegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), apontaram homicídio.

Conforme a perícia realizada na cena do crime, a pistola foi encontrada a 40 centímetros de distância do corpo da vítima – descartando a hipótese de suicídio. Por se tratar de um crime ocorrido dentro das dependências da PM, a corregedoria assumiu o caso.

Segundo a advogada Marta Gonzáles, o laudo da balística confirmou que a arma usada no assassinato da soldado estava com o ‘ferrolho’ trocado. “A pistola do suspeito [Elson] estava com o ferrolho trocado e também continha dois números de série, comprovando que houve a troca do dispositivo de segurança da arma encontrada no local do crime”, relatou.

Com base nos resultados da perícia realizada na arma do suspeito, foi apontado que a pistola continha dois números de série – PT100 71893 com o ferrolho trocado de numeração PT100 51035 – armaque seria utilizada pela vítima.

De acordo com a irmã da policial, Claudete Pinheiro, os resultados não mentem. “Se a minha irmã [Deusiane] estivesse armada, ela estaria portando uma pistola PT100 de numeração 51005. Mas, a arma apresentada na perícia foi uma PT100 51035, sendo que a pistola do cabo é uma PT100 71803”, disse.

Os familiares da vítima ainda desaprova o fato de Deusiane ter sido designada para trabalhar em local ilegal e sem autorização, já que o laudo aponta que o barco – onde o corpo da vítima foi encontrado – estava em situação irregular, sendo apreendido pela Polícia Federal após o crime.

A família também questiona o fato da PM não ter feito registro no livro de carga – mostrando a assinatura de todos os soldados presentes que estavam armados no local, menos da vítima – comprovando o fato da vítima estar desarmada no dia do crime.

No dia do crime, seis militares estavam de serviço, mas somente o casal foi visto caminhando até o local onde o corpo de Deusiane foi encontrado.

A ambulância foi acionada por volta de 18h30. Conforme o laudo, a PM morreu por volta de 17h30 (uma hora de diferença até o socorro chegar ao local).

As investigações ainda apontaram que, além das digitais encontradas na arma do crime não pertencerem à vítima, a mulher apresentava hematomas nos braços e nas pernas – dois dedos do pé direito estavam quebrados, apontando possíveis sinais de tortura.

Segundo a dona de casa Antônia Assunção da Silva, 49, mãe da PM assassinada, a família, as testemunhas e também a advogada do caso estão sofrendo perseguição e recebendo ameaças de morte.

Antônia da Silva também garantiu que afilha jamais teve problemas psicológicos que a levasse a cometer suicídio. “Minha filha nunca teve perfil de suicida. Ela [Deusiane] sempre foi uma pessoa muito alegre e estudiosa. Uma menina feliz e de bem com a vida. Ela nunca se mataria”, afirmou.

Ainda conforme a mãe, avítima contou aos familiares que o suspeito do crime – o cabo da PM e ex-namorado, Elson Santos de Brito, 36 – a ameaçava, dizendo que a mataria e nunca seria preso, alegando ter conhecimento suficiente para se desfazer do corpo sem deixar pistas. “Ele [Elson] dizia que tinha apoio do Batalhão Ambiental e que, por conta disso, ele poderia matá-la e ninguém se importaria em investigar, pois acreditariam nele”, revelou.

A dona de casa também disse que a família vem sofrendo ameaças constantemente. “Eu já registrei seis boletins de ocorrência (B.O.) e, ainda assim, nada é feito. A minha filha [Claudete] quase foi atropelada. Meus filhos também sofrem ameaças e ele [Elson] continua solto”, desabafou a dona de casa.

De acordo com a mãe da vítima, a polícia tem um prazo de 65 dias para concluir o inquérito. “Esse prazo já expirou e ainda não foi apresentada nenhuma conclusão. Hoje completam 77 dias que a Deusiane faleceu”, concluiu.

Por Narel Desiree (especial EM TEMPO Online)

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