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Pódio lista revelações e decepções brasileiras dos Jogos Olímpicos do RJ, que terminam neste domingo

O brasileiro Thiago Braz conquista o ouro e quebra recorde olímpico na final do salto com vara masculino. Superando o francês Renaud Lavillene, detentor do recorde antigo, durante as Olímpiadas Rio 2016, nesta segunda feira (15): foto -Thiago Bernardes/ FramePhoto

O brasileiro Thiago Braz conquista o ouro e quebra recorde olímpico na final do salto com vara masculino:  foto -Thiago Bernardes/ FramePhoto

Imprevisibilidade. Este, talvez, seja um dos principais motivos que torna o esporte algo tão apaixonante. Favoritos são desbancados, desconhecidos surpreendem e vencem. Na edição dos Jogos Olímpicos do Rio não faltaram exemplos de “zebras” e fiascos. O PÓDIO, então, resolveu listar as cinco principais surpresas e fracassos da Olimpíada, apenas com atletas nacionais.

Revelações

Vela

Começamos a lista de gratas surpresas com as mulheres. Tradicional por sempre garantir medalhas ao Brasil em Jogos Olímpicos – 18 no total –, a vela nacional conheceu suas primeiras campeãs na história. Martine Grael e Kahena Kunze ficaram com o ouro na classe 49er FX. Vencedoras do Mundial em 2014 e prata nos Jogos Pan-Americanos Toronto 2015, a conquista pode ser considerada surpreendente pelo fato delas nunca terem disputado uma Olimpíada antes.

Por outro lado, se formos olhar para o sobrenome de ambas, o lugar mais alto do pódio não espanta. Martine se tornou a terceira medalhista olímpica de sua família. O pai, Torben Grael, é bicampeão na classe Star, com títulos em Atlanta 1996 e Atenas 2004, e conquistou ainda dois bronzes na mesma categoria, em Seul 1988 e Sydney 2000. Além disso, faturou a prata na classe Soling, que já não faz parte dos Jogos, em Los Angeles 1984. Já o tio Lars Grael foi bronze na Tornado, também atualmente fora dos Jogos, em 1988 e 1996. Já Kahena é filha de Claudio Kunze, campeão mundial júnior em 1973.

Salto com vara

Thiago Braz foi o responsável por uma das maiores façanhas brasileiras neste Jogos Olímpicos. No começo, ninguém dava nada por ele. Depois, o sarrafo começou a subir. Concorrentes ficaram pelo caminho. No final, surpreendeu todos: saltou 6,03 metros, dez centímetros a mais que sua melhor marca no ano, que até então era de 5,93 metros, e desbancou o francês Renaud Lavillenie, favorito e vencedor em Londres 2012 para ficar com o ouro.

Aos 22 anos, ele disputou sua primeira edição de Olimpíada. Dono de alguns títulos em categorias de base, chegou ao Rio longe de ser considerado favorito, mas comeu pelas beiradas e garantiu o primeiro lugar. De acordo com a presidente da Federação Desportiva de Atletismo do Estado do Amazonas (Fedaeam), Marleide Borges, o resultado premia a dedicação de Braz.

“Não deixa de ser surpresa, pois ele estava enfrentando o melhor do mundo, mas também já era esperado, pois o Thiago já estava em preparação há cinco anos, com o treinador dos melhores atletas do mundo. E ele já afirmou que em dois anos o Thiago bate o recorde mundial”, diz Marleide.

Boxe

Após fracassar nas Olimpíadas de Pequim 2008 e Londres 2012, o pugilista Robson Conceição conquistou o primeiro ouro do boxe brasileiro na história. Mais seguro e maduro em relação as derrotas passadas, o baiano chega ao ápice de sua carreira ao subir no lugar mais alto do pódio no Rio de Janeiro. Para chegar lá, teve de superar o cubano Lázaro Álvarez, considerado o melhor do mundo pela Associação Internacional de Boxe (Aiba) no peso até 60 quilos na semifinal e derrotar o francês Sofiane Oumahi. A tendência agora, é que o baiano migre para o boxe profissional e deixe o olimpismo de lado.

Canoagem

Ele não cansa de ganhar medalha. Só nesta edição de Jogos Olímpicos, faturou duas (uma de prata e outra de bronze). Aos 22 anos Isaquias Queiroz conquistou o Brasil com suas remadas que o transformaram em herói nacional. Praticando um esporte pouco comum no país, ele se tornou apenas o quinto do país a medalhar mais de uma vez em uma única edição de Olimpíada. Antes dele, já tinham conseguido isso: Guilherme Paraense e Afrânio da Costa, no tiro esportivo, em 1920, Gustavo Borges, na natação, em 1996, e César Cielo, também nas piscinas, em 2008. Ele disputou outra prova na manhã de ontem, após o fechamento desta edição.

Natação

Com o maior número de atletas da modalidade na delegação brasileira em todos os tempos, a natação foi, de longe, a maior decepção do país no Rio de Janeiro. Sem o medalhista olímpico Cesar Cielo, que alcançou o índice, mas não entrou por ter feito um tempo inferior a outros dois atletas, número máximo permitido para participação dos 50 metros livre. Mesmo com 33 nadadores, o Brasil não subiu ao pódio nenhuma vez.

Para o presidente da Federação Amazonense de Desportos Aquáticos (Fada), Vitor Façanha, os resultados deixaram a desejar. “Para mim, não vou chamar de decepção, mas ficou devendo demais. No geral, vi que tinha evolução, mas faltou medalha. Bastava uma de ouro ou de prata para a gente ter um resultado muito bom, mas infelizmente não aconteceu. Acredito que a comissão técnica vai se reunir e avaliar o que houve, porque disputou várias finais e ficou sem medalha. Em outras ocasiões fomos para quatro ou cinco finais e voltamos com medalha. Só faltou ser coroado com medalha, para o resultado ser ótimo, só final não adianta”, avalia.

Futebol

Perto, mas ao mesmo tempo longe. Ao ver a seleção norte-americana ser eliminada nas quartas de final para a Suécia, a confiança aumentou. A sensação de que dessa vez o ouro não escaparia era grande. O caminho parecia fácil: na semifinal, duelo com as suecas, mesma equipe que o Brasil havia goleado na fase de grupos por 5 a 1. No entanto, veio a decepção. Marta e companhia perderam nos pênaltis para as europeias e sequer ficaram com o bronze, já que caíram para o Canadá na disputa pelo 3º lugar.

“Criou-se uma expectativa muita positiva, a equipe entrou com a intenção de ganhar a medalha de ouro, mas infelizmente não foi possível. Agora, a gente tem que entender que o Brasil perdeu para seleções muito fortes, como a Suécia e o Canadá. A gente fica triste num primeiro momento por não ter conseguido alcançar o ouro, mas também tivemos grandes vitórias. Acho que nossa medalha foi a presença do público, que lotou todos os estádios pelos quais as meninas passaram”, declara o pentacampeão amazonense de futebol feminino e técnico do Manaus FC, Olavo Dantas.

Vôlei

Bicampeã olímpica, a seleção feminina de vôlei era uma das barbadas para conquistar uma medalha para o Brasil. Com uma geração talentosa e experiente, o passeio durante a primeira fase da Olimpíada dava indícios de que o pódio era apenas questão de tempo. Mas, logo nas quartas de final, as comandadas do técnico José Roberto Guimarães sucumbiram frente às chinesas. O resultado pôs fim à história de duas importantes jogadoras do time. Sheilla e Fabiana já anunciaram a aposentadoria da seleção e outras atletas devem seguir o mesmo caminho.

Handebol

A melhor geração da história do handebol feminino brasileiro, que conquistou a Copa do Mundo da modalidade em 2013, não conseguiu atingir a meta de ganhar uma medalha olímpica no Rio de Janeiro. Assim como em Londres 2012, a seleção avançou à segunda fase como a líder de seu grupo, porém, caiu nas quartas de final. Não diferente do vôlei, a tendência é de que algumas jogadoras deixem de atuar com a camisa brasileira, como é o caso da goleira Mayssa e das pivôs Dani Piedade e Dara.

A tendência é que a armadora Deonise e a ponta-direita Alexandra sigam o mesmo caminho.

Por André Tobias

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