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PMs fazem “desfile” de presos com carro aberto no sertão da Paraíba

Um comboio de carros da polícia com sirenes ligadas e escoltado por motos conduziu presos, em cima de camionetes, até a delegacia de Patos (a 266 km de João Pessoa), no sertão da Paraíba, no último sábado (6).

Apesar do aparato que chamou atenção da comunidade, a Polícia Militar “nega que tenha feito um desfile com os presos”. Segundo a polícia, a atitude “mostra transparência na ação e condução dos suspeitos”.

Os presos foram transportados de pé, algemados, em cima de camionetes. Eles são suspeitos de terem assassinado o cabo da PM Ubirajara Moreira Dias durante um assalto na madrugada de sábado.

Segundo a PM, 3 mil pessoas participaram do enterro do cabo “Bira”, como era chamado o policial, no último domingo (7).

A PM afirma que mais de 50 policiais ajudaram na captura dos sete homens envolvidos com o crime. Segundo a corporação, policiais de folga ajudaram espontaneamente na busca por se importarem com o colega morto.

Durante a operação dois homens morreram. Um deles, Joílson da Silva Galdino, 19, é apontado pela PM como assassino do cabo. Ele havia saído há três meses da prisão, onde cumpria pena por tráfico de drogas. Eriosmar Ferreira Lucena, 53, também foi morto na troca de tiros com a polícia. Ele era considerado o “mentor intelectual do crime” .

Severino Aires da Costa, 34, preso durante a ação, era o dono da casa onde Galdino e Lucena foram encontrados bebendo, na cidade vizinha de São José do Bonfim. Ele também havia sido detido, há 15 dias, por violência doméstica.

Também foram presos, nas proximidades da casa, Raimundo de Oliveira Barbosa, 19, e Jefferson dos Santos de Oliveira, 18. O segundo já tinha sido preso há pouco tempo por tentativa de furto de veículo. Os outros suspeitos são dois adolescentes de 15 e 16 anos, que foram apreendidos e serão encaminhados para medidas socioeducativas.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), defendeu a atitude da polícia nesta segunda-feira (8), durante seu programa de rádio semanal.

“A polícia agiu e agiu rápido. Prendeu todo mundo. Só ocorreram essas duas mortes porque eles reagiram. Queriam que a polícia se escondesse? Saísse correndo?”, disse Coutinho. “Longe de mim incitar violência”, disse o governador.

Imagens da TV Cabo Branco, afiliada da Globo, mostram os suspeitos recebendo ameaças de linchamento ao chegarem na delegacia.

O Ministério Público da Paraíba instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da prisão e da morte dos suspeitos. A apuração pode gerar um inquérito civil ou até mesmo uma ação civil pública, dependendo do resultado.

Segundo o delegado Sylvio Rabello, os três homens foram indiciados por latrocínio (roubo seguido de morte), assalto (a outras pessoas na noite do crime) e associação criminosa. Eles estão no presídio da cidade e devem ser julgados depois que Justiça aceitar a denúncia encaminhada pela promotoria.

O inquérito, que pode levar até 30 dias para ser concluído, ficou pronto em menos de um dia.

“Foi rápido porque encontramos arma do crime e uma roupa com mancha de sangue”, diz o delegado sobre a vestimenta que foi identificada nas imagens de câmeras de segurança.

Para a professora do Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da UFPB (Universidade Federal da Paraíba), Maria de Nazaré Tavares Zenaide, a polícia errou ao exibir os suspeitos em carros abertos.

Segundo a professora, a ação simboliza que eles já foram julgados culpados pelo crime antes mesmo do julgamento pelos órgãos competentes.

“O que a gente quer é que a lei seja cumprida”, diz a professora. “A gente entende a revolta deles [policiais]. Mas eles não podem agir com emoção, precisam agir com razão”, alerta Maria.

Por Folhapress

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