Dia a dia

Planejamento urbano está incompatível com o aumento do número de carros em Manaus

Para os especialistas, Manaus tem mais carros do que a estrutura viária pode suportar e é um dos principais gargalos do trânsito local. A falta de transporte público piora a situação – foto: Alberto César Araújo

Para os especialistas, Manaus tem mais carros do que a estrutura viária pode suportar e é um dos principais gargalos do trânsito local. A falta de transporte público piora a situação – foto: Alberto César Araújo

Basta um acidente de trânsito em Manaus para os veículos ficarem parados por horas. O caso da carreta que perdeu o controle e tombou, no dia 21 de maio deste ano, no complexo viário Antônio Simões, no Aleixo, foi exemplo disso. E nos horários de pico os automóveis ficam parados por muito tempo.

Para o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas, Jaime Kuck, o grande problema é a forma em que a cidade vai se expandindo, sem um planejamento para novas ruas e avenidas. Além disso, há  um crescente fluxo de veículos que as obras estruturais da cidade não conseguem acompanhar. “É por isso que ocorrem os gargalos, porque de uma ponta a outra da cidade existem poucas opções de saída de veículos. E a cada dia, temos mais veículos ainda nas ruas”, disse.

Jaime Kuck ressalta ainda o fato de Manaus ser uma cidade setorizada, ou seja, locais onde as pessoas trabalham e moram (bairros) são opostos, o que congestiona o fluxo de inda e vinda no trajeto de casa ao trabalho. Além disso, elas preferem usar o veículo particular já que o transporte coletivo é deficitário. “No Centro de Manaus, por exemplo, existem 50 mil imóveis vazios. Se em cada um deles morasse quatro pessoas, seriam 200 mil pessoas morando no Centro, o que aliviaria o trânsito pois elas trabalhariam no mesmo bairro ou fariam o fluxo contrário da maioria das pessoas ao sair de casa”, disse.

Gargalos

“Comprar carro não resolve o problema de mobilidade urbana, aliás, só aumenta o número de automóveis nas ruas. Isso é pensar de forma individualista”, disse o doutor em Planejamento de Transporte, Geraldo Alves de Souza. Ele aposta em uma mudança de cultura, para incentivar outros meios de locomoção, como transporte coletivo e bicicleta, além de caminhada. Geraldo Alves acredita que essa iniciativa deveria começar pelos gestores e funcionários públicos em geral, para dar o exemplo. “Além de mudar o estilo de vida, forçaria a administração pública a cuidar melhor dos transportes coletivos, com prioridade”, disse.

Outra observação do Geraldo Alves é que a falta de planejamento das ruas e avenidas deixou poucas alternativas para dar mais fluidez ao trânsito. “Não temos alternativas para os acessos Norte/Sul e Leste/Oeste da cidade”, informa ele ressaltando a complicação maior com a faixa azul, local só para passar ônibus, por começar e a terminar sem um propósito. “É uso irracional de espaço de circulação, principalmente nos horários de pico, que tem alta demanda de veículos”, explicou.

Ele alerta também sobre um investimento que ajuda o trânsito, que é a construção de calçadas, porque o pedestre acaba usando a rua e atrapalha o trânsito, além do risco de causar acidentes. “A educação é importante, porque alguns comportamentos dos motoristas são nocivos, como andar em alta velocidade, e cortar e fechar os outros carros. A via é pública e é para todos os meios de transportes, inclusive carroça, por isso que o maior veículo tem que respeitar sempre o menor”, contou.

Por Cíntia (equipe EM TEMPO)

 

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