Economia

PL que regulamenta profissão de garçom pode causar demissões no setor de alimentos

Com a criação desse novo piso, os garçons deixariam de receber fora os 10 % da gorjeta - foto: Arthur Castro

Com a criação desse novo piso, os garçons deixariam de receber fora os 10 % da gorjeta – foto: Arthur Castro

À espera da sanção da presidente Dilma Rousseff, o Projeto de Lei (PL) 1.048/91 – que regulamenta a profissão de garçons -, pode acarretar demissões de trabalhadores da classe.

O texto da nova medida, além de regulamentar a taxa de 10% da gorjeta, adicionará um aumento no salário desses trabalhadores no valor de três salários mínimos, o que vai onerar o empresariado do setor, o qual, por sua vez, para se ver livre das despesas, poderá promover cortes de funcionários.

Com a criação desse novo piso, os garçons deixariam de receber fora os 10 % da gorjeta, um valor que gira em torno de R$ 830 e passariam a ganhar R$ 2.172. Esse aumento significa uma série de desgastes na economia local, segundo informações da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Estado do Amazonas (Abrasel-AM).

Para a vice-presidente da Abrasel-AM, Lilian Guedes, com o aumento no salário desses funcionários, os estabelecimentos poderiam demitir em grande escala. “Fomos pegos de surpresa em uma reunião no Sindicato dos Trabalhadores de Bares e Restaurantes na manhã da última sexta-feira (26). Esse aumento é muito alto, As empresas não poderão se adequar a esse novo piso”, disse Lillian.

Para Francisco Marques, que há seis anos trabalha como garçom em uma churrascaria, o aumento é significativo e seria bem aceito por toda a classe. “É uma boa noticia, caso aconteça. Temos uma carga horária de oito horas diárias, mas nem sempre é cumprida e temos que ficar um tempinho a mais” contou.

Desgaste
Para o assessor jurídico do Sindicato dos Restaurantes e Hotéis, Albenir Rodrigues, o novo piso pode acarretar muitos desgastes econômicos. “A economia no país não está legal. Com esse aumento, vários empresários poderão fechar as portas”, avaliou.

Segundo o empresário Vilmar Diego, dono da churrascaria tropeiro, a PL 1.048/91 não acompanhou o as mudanças na economia.

“Antigamente eu comprava o quilo da carne a R$15. Atualmente, o quilo da carne gira entre R$ 45 e R$ 48. Caso esse novo piso dos garçons seja sancionando pela presidente, os empresários deixarão de trabalhar dessa forma e passarão a trabalhar apenas com self-service, onde o custo com a mão de obra é mais barato”, destacou Vilmar.

Irregularidades
Para o representante do Sindicato dos Trabalhadores de Bares e Restaurantes, Jerson Almeida, caso a lei seja aprovada com esse texto, os empresários tentarão driblar essa lei, ocasionando outras irregularidades.

“Possivelmente essas empresas vão fazer uma manobra de nomenclatura para sair desse vermelho. Elas passaram a contratar pessoas para fazer o mesmo trabalho exercido pelos garçons, mas com o nome de atendente”, afirmou Jerson.

Segundo o dirigente sindical, a confirmação desse novo piso salarial, talvez, não represente de fato o montante real. Ele deve se reunir hoje com representantes da Abrasel-AM para esclarecer sobre o verdadeiro valor do piso para os garçons. Segundo Jerson, caso o valor seja real, a PL 1.048/91 terá que passar por modificações para que possa atender não apenas os garçons, mas toda a categoria.

Para a gerente da churrascaria Picanha Mania, Ana Pires, o novo piso seria uma grande ganho para todos os trabalhadores da classe, mas ocasionaria um grande prejuízo para as empresas do ramo alimentício. “Com esse valor teríamos uma despesa grande. Nosso lucro em dia de grande movimento gira em torno de 8%. Para atender essa exigência, a única solução seria reduzir o quadro de funcionários”, disse Ana.

Segundo dados da Abrasel e do Sindicato dos trabalhadores de Bares e Restaurantes, o Amazonas tem um total de 40 mil profissionais da categoria exercendo a função em todo o estado.

Por Henderson Martins

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