Cultura

‘Pintura ao vivo’ estimula olhar e consumo da arte, em Manaus

Todo artista tem de ir aonde o povo está. A praça, de preferência. Popular e ampla, é um lugar inspirador. Esse contato entre artistas e público completa 1 ano hoje, no largo São Sebastião, no Centro de Manaus. O projeto “Pintura ao Vivo no Largo” celebra o primeiro aniversário de uma iniciativa que se propõe duradoura: fazer arte onde o povo está.

E é na calçada de pedras portuguesas, que formam ondas pretas e brancas, que os artistas plásticos criarão obras com tela, tinta e pincel, a partir das 8h30. Fotógrafos irão expor seu olhar sobre Manaus, poetas declamarão versos, escritores apresentarão textos e desenhistas irão compor traços de uma cidade que já não é mais um porto de lenha, mas também ainda não se transformou em uma Liverpool dos trópicos.

O “Pintura ao Vivo no Largo” especial pretende reunir 60 artistas. Em média, 30 participam do projeto, sempre aos domingos, segundo a Associação de Cultura do Estado do Amazonas (Aceam), que criou a mobilização. A edição deste domingo homenageia a cidade, que faz aniversário no dia 24 deste mês, e pretende estimular um debate sobre o meio ambiente.

“No momento em que a cidade enfrenta uma onda de calor e completa mais um ano como metrópole, o debate é oportuno”, diz Rosa dos Anjos, 44, presidente da Aceam. “A arte tem a particularidade de promover discussões sobre a realidade, pois é inspirada em sua diversidade”, lembra Rosa dos Anjos.

Conforme a artista, com o “Pintura no Largo” a Aceam pretende manter o estímulo à produção artística em Manaus e fomentar a cultura. “É também uma forma de unificar ideias e a cadeia produtiva da arte, que assegura força política ao artista”, afirma Rosa.

Na programação de hoje, o projeto oferece oficinas de pintura e desenho, inclusive para crianças. O artista plástico Moacir Andrade, um dos mais conceituados do Amazonas, ministrará palestra. “É apenas uma área para a prática da arte. Precisamos de mais espaços, em Manaus, para produzir cultura”, defende Rosa dos Anjos. “Os governos, em vez de cortar verbas para a cultura, deveriam fazer mais investimentos”, sugere.

Mercado consumidor

Para o artista Jorge Klein, 54, o “Pintura ao Vivo no Largo” pretende ser também um estímulo para o consumo de arte. Ao produzir suas obras sob a supervisão do público, conforme Klein, o artista fomenta o gosto pela cultura e pode criar um mercado para seus trabalhos. “Manaus consome muito pouco a arte local. Essa iniciativa é uma forma de tornar o espaço mais presente para o consumidor”, diz o artista. De fato, o trabalho na praça pretende atrair cada vez mais o interesse do público e gerar oportunidades para negociar a obra sem atravessadores. “Artista e consumidor interagem com a arte, gerando valor à cultura”, comenta Klein.

O projeto festeja um ano justamente porque o povo está lá, no largo, prestigiando. A arte faz onda, como a calçada da praça, que inspirou o famoso calçadão de Copacabana (RJ).

Por Cleber Oliveira

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