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Pílula vira polêmica no tratamento do câncer

Produto ainda não teve eficácia comprovada por testes, e as primeiras análises feitas pelo MCTO não foram satisfatórias – foto: divulgação

A substância foi sintetizada pela equipe de pesquisadores chefiada por Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo – foto: divulgação

Dia 8 de abril é comemorado o Dia Mundial de Luta contra o Câncer, doença que mata mais de 8 milhões de pessoas em todo mundo e meio milhão só no Brasil. E uma das maiores polêmicas da atualidade a respeito deste tema é a fosfoetanolamina, que ficou conhecida nas redes sociais como ‘pílula do câncer’.

Exatamente por isso o medicamento é alvo de intensas discussões no meio médico. Os seus defensores afirmam que ela apresenta ótimos resultados e por isso deve ser usada imediatamente. Os críticos, defendem o final dos testes antes da utilização. No meio dessa discussão, estão os pacientes.

A substância foi sintetizada pela equipe de pesquisadores chefiada por Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos, há aproximadamente 20 anos. Ela teria, supostamente, a capacidade de destruir tumores malignos sem atacar as células saudáveis dos pacientes. No entanto, ela nunca chegou a ser avaliada pelos órgãos competentes como os demais medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua distribuição foi aprovada, por decisão judicial para alguns pacientes em tratamento contra o câncer.

Entretanto, não existem, até o momento, estudos científicos que comprovem a eficácia e a segurança no uso dessa substância, necessários ao seu reconhecimento como medicamento. O problema é que a substância não passou oficialmente pelas etapas de pesquisa exigidas pela legislação, que prevê uma série de estudos antes de um medicamento ser usado por seres humanos, mas já foi aprovada para uso pelo Congresso Nacional. O texto está com a presidente Dilma Rousseff, que tem até a próxima semana para decidir se veta ou sanciona a lei.

De acordo com o deputado estadual Sinésio Campos (PT), autor da proposta de utilização da pílula no Amazonas, os critérios de aprovação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são questionáveis. “O Ministério da Saúde libera o cigarro, dizendo claramente que se trata de um produto nocivo para a saúde. Ora, como pode uma entidade como esta querer ser dona da verdade e ainda criar tanta burocracia para um remédio aprovado na Câmara e no Senado por unanimidade? Há comissões técnicas nas duas casas para avaliar a questão. Além disso, diversos pesquisadores de renome participaram de audiências nos dois parlamentos e não foram
contestados”, reclamou.

Sinésio vê também questões de interesse privado por trás da tentativa de veto ao medicamento. “Aqui mesmo, em Manaus, posso citar dezenas de casos de pessoas que vieram a meu gabinete pedindo ajuda, que conseguiram o medicamento por via judicial e melhoraram a ponto de sair do estado terminal. Me parece que há interesse das indústrias farmacêuticas para a não distribuição gratuita do medicamento no SUS. Espero apenas que a exemplo de outros remédios criados no Brasil, a fosfoetanolamina não precise ter a chancela de uma grande indústria farmacêutica para ser comercializada”, alerta.

Posição oficial

Por meio de nota, a Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon) afirmou que não comenta sobre a droga, pois não conhece a fundo a pesquisa desenvolvida pela USP e trabalha especificamente com uma lista de medicamentos padronizados pelo SUS.

Já os ministérios da Saúde e o da Ciência, Tecnologia e Inovação declararam apoiar os estudos sobre a fosfoetalonamina, com previsão de investimento de R$ 10 milhões.

Em razão disso, foi criado um grupo de trabalho, em 30 de outubro de 2015, com a participação de diversos órgãos, como universidades, centros de pesquisa, a Anvisa e o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi) para a realização da síntese do produto, dos testes pré-clínicos e dos ensaios clínicos. A previsão é que até o segundo semestre deste ano o grupo já tenha os primeiros resultados dos estudos pré-clínicos.

Testes falharam

Os primeiros testes com a fosfoetanolamina sintética, substância utilizada na pílula do câncer, mostraram que o conteúdo das cápsulas não é puro e que ela não tem eficácia contra células cancerígenas. A conclusão é de grupo de pesquisadores instituído pelo governo, em uma iniciativa coordenada pelos ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação e o da Saúde. Os pesquisadores concluíram que a fosfoetanolamina apresentou quatro substâncias diferentes. A eficácia da substância foi testada apenas em culturas de células, os chamados testes in vitro.

Números

Atualmente, 8,2 milhões de pessoas morrem por ano de câncer no mundo. No Brasil, as estimativas para o ano de 2016 serão válidas também para o ano de 2017 e apontam a ocorrência de aproximadamente 596.070 casos novos de câncer. No Amazonas, a estimativa é de 9.130 novos casos em 2016.  Atualmente, há 267,16 casos diagnosticados no Estado.

Por Agência Brasil

1 Comment

1 Comment

  1. Moraes

    8 de abril de 2016 at 16:15

    Gostaria muito de conseguir a pílula do câncer o meu marido tem câncer de esofago e rádio e nem a quimioterapia não está melhorando já entrei liminar nas o juiz negou porque não é com um parente dele se fosse ele liberava.

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