Política

Petrobras pode perder área de exploração de petróleo na Argentina

A Petrobras recorreu à Suprema Corte argentina, mas até o início da noite desta sexta (4) não havia decisão - foto: reprodução

A Petrobras recorreu à Suprema Corte argentina, mas até o início da noite desta sexta (4) não havia decisão – foto: reprodução

O tempo corre contra a Petrobras na Argentina e tudo indica que a empresa perderá o controle de uma área de exploração de petróleo na província de La Pampa no próximo domingo (6).

Sob concessão da Petrobras desde 1990, a região de Jagüel de los Machos será entregue à estatal Pampetrol na segunda (7), um dia após vencer o contrato com a brasileira.

O parlamento de La Pampa votou por não renovar a concessão da Petrobras, que é criticada por reduzir seus investimentos na região e pagar menos royalties do que outras empresas privadas que operam na província.

A Petrobras recorreu à Suprema Corte argentina, mas até o início da noite desta sexta (4) não havia decisão.

O governador Oscar Mario Jorge, que é do partido da presidente Cristina Kirchner, informou nesta semana que a operação em Jagüel de los Machos será terceirizada, uma vez que a Pampetrol, criada em 2006, não teria condições técnicas para operar imediatamente o campo.

O deputado de La Pampa Hugo Pérez, da União Cívica Radical, disse à reportagem que a licitação foi feita nesta quinta (3) e saiu vencedora a empresa Petroquímica Comodoro Rivadávia, que também explora petróleo na região. Ela trabalhará como prestadora de serviços e se comprometeu em pagar 35% em royalties à província. A Petrobras pagava 12%.

Autor da lei que propôs retirar o controle da região da Petrobras e entregar à Pampetrol, Pérez afirma que não é nada contra a empresa brasileira.

“A ideia é fortalecer a empresa estatal local, que poderá contratar mais mão de obra da região e atender às necessidades da população”, disse.

Saída para a Argentina

Segundo ele, pesou na decisão dos parlamentares a informação -especulada na imprensa- de que Petrobras está vendendo seus ativos na Argentina.

“Pelo que sabemos, a Petrobras está se retirando da Argentina devido aos problemas que enfrenta no Brasil”, afirmou. “O governo provincial renovaria a concessão por mais dez anos para, no dia seguinte, a Petrobras negociar a venda desses ativos. Iríamos dar o aval para um negócio financeiro e imobiliário da Petrobras”.

Mais importante do que Jagüel de los Machos para a Petrobras, no entanto, é a área de 25 de Mayo-Medanito-SE, cuja concessão vence em outubro do ano que vem e também deverá ser entregue à Pampetrol, caso a brasileira não consiga reverter a decisão.

A área é responsável por mais da metade da produção de petróleo e gás de La Pampa, uma província que despertou recentemente para a produção de hidrocarbonetos.

Os grandes campos de exploração da Argentina estão em Néuquen e Río Negro, onde também há áreas sob concessão da Petrobras.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, Medanito-SE é um reservatório conectado a uma área explorada pela Petrobras na vizinha Río Negro. A atividade de um lado da fronteira é complementar à realizada do outro lado.

Perder um dos braços da operação seria negativo para a companhia.

Retirada

Embora não haja informações oficiais da empresa brasileira, a Petrobras já teria começado a preparar sua retirada de Jagüel de los Machos. Avisou empresas terceirizadas e trabalhadores de sua saída. Segundo Hugo Pérez, a empresa tentou retirar equipamentos de extração na semana passada, mas foi impedida por uma denúncia popular.

“Ainda não sabemos se a estatal pode retirar os equipamentos. O contrato é de 1990 e ainda não tivemos acesso ao documento original”, disse Pérez.

Gabriel Matarazzo, presidente do sindicato que representa os trabalhadores na região, afirma que a empresa brasileira falhou ao não criar vínculos com a comunidade local.

“A Petrobras focou suas relações em Néquen e Río Negro e se esqueceu de La Pampa, foi um erro”, disse. “A empresa nunca se instalou oficialmente na província, não tem nem mesmo escritório ali”.

Procurada, a Petrobras não se pronunciou.

Por Folhapress

 

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