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Pesquisadores internacionais estarão em Manaus para falar sobre novidades no tratamento de doenças pigmentares

Vitiligo é uma doença que acomete de 0,5% a 1% da população e provoca a perda da coloração natural da pele – foto: divulgação

Vitiligo é uma doença que acomete de 0,5% a 1% da população e provoca a perda da coloração natural da pele – foto: divulgação

Renomados pesquisadores, nacionais e internacionais, estarão em Manaus, no próximo dia 10, para participar do “XVI Master Class sobre Vitiligo e Doenças Pigmentares”. O evento acontece a partir das 8h30, na Fundação Alfredo da Matta, na Zona Sul, sob a organização dos especialistas  Paulo Cunha (SP), e Sinésio Talhari (AM). O congresso terá como tema “Vitiligo e melasma – novas terapias experimentais”, com ênfase nos novos e velhos desafios de controle da doença.

O vitiligo é uma doença que acomete de 0,5% a 1% da população mundial e provoca a perda da coloração natural da pele. No Brasil, estima-se que 2,9 milhões de pessoas sofram de vitiligo e a sua causa não é totalmente esclarecida. As manchas esbranquiçadas podem se manifestar em várias partes do corpo. Não doem, não coçam e não incomodam o paciente, não apresentando, portanto, nenhum sintoma. Atingem todas as raças e ambos os sexos, em qualquer idade.

O dermatologista Sinésio Talhari, que estará no evento apresentando casos clínicos da doença, aponta que quanto mais cedo o diagnóstico, melhores são os resultados obtidos com o tratamento. Por meio da terapia é possível controlar a doença e até curar o paciente, fazendo com que as manchas desapareçam totalmente.

Tratamentos

“Ainda não se sabe exatamente o que danifica os melanócitos (células que produzem a melanina, o pigmento que dá cor à pele) e leva ao seu subsequente desaparecimento na pele afetada, deixando manchas brancas. Existem várias maneiras de tratar o vitiligo e as diversas modalidades terapêuticas têm diferentes modos de ação. O tratamento deve ser individualizado”, explica Paulo Cunha, professor e chefe do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí e vice-presidente da Sociedade Internacional de Dermatologia.

O especialista apresentará três palestras durante o evento. Em uma delas ele falará sobre o tratamento com Laser de Dióxido de Carbono (CO2) combinado com Betametasona e Solução de Ácido Salicílico.
Ele também irá abordar o uso do Pigmerise no tratamento do Vitiligo. “Pigmerise é um fito complexo natural derivado da pimenta negra, com alta concentração de piperina. Usada na pele, é capaz de aumentar a formação de melanina e a pigmentação”, informa o pesquisador.

A eficácia do uso da Luz Intensa Pulsada associada ao lazer Q-Swuitched no tratamento para melasma também fará parte de uma das apresentações do médico.

“Publiquei inclusive na ‘Therapeutic Hotline’, que é revista internacional, um artigo sobre o assunto e, até o momento, mais de 200 pacientes foram tratados com essa técnica. Tenho obtido bons resultados”, aponta.

Genética x vitiligo

Outro destaque no “XVI Master Class sobre Vitiligo e Doenças Pigmentares” será a apresentação do geneticista Marcelo Távora Mira, professor titular do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e pesquisador na área de mapeamento genético de doenças complexas – entre elas o vitiligo e a hanseníase -, há mais de 15 anos. Além disso, ele atua como professor visitante em instituições de pesquisa de Manaus há quase sete anos.
O pesquisador irá apontar a hereditariedade como principal fator de risco genético para a suscetibilidade ao vitiligo.

Segundo ele, nos Estados Unidos, por exemplo, uma pesquisa mostrou que 20% dos indivíduos com a doença tinham pelo menos um parente de primeiro grau também afetado. Além disso, outros estudos apontaram que o risco de um indivíduo com um parente de primeiro grau afetado também desenvolver a doença pode ser de 7 a 12 vezes maior.

Segundo descobertas recentes, o vitiligo compartilha um número interessante de variantes genéticas com outras doenças autoimunes, como a tireoidite de Hashimoto, diabetes mellitus e o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES).

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