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Pesquisadores amazonenses buscam baratear produção em olarias do Estado

Tradicionalmente produzidos com argila vermelha, a proposta é tornar argila branca e o caulim matéria-prima para a produção de tijolos e telhas- foto: Diego Janatã

Tradicionalmente produzidos com argila vermelha, a proposta é tornar argila branca e o caulim matéria-prima para a produção de tijolos e telhas- foto: Diego Janatã

Pesquisadores amazonenses começaram a desenvolver estudo na busca por baratear os custos da produção cerâmica do Estado. Tradicionalmente produzidos com argila vermelha, a proposta é tornar argila branca e o caulim matéria-prima para a produção de tijolos e telhas, segundo afirma o pesquisador Eveson Marinho, que coordena o projeto, com apoio do governo do Estado por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). Os estudos têm prazo para serem concluídos em 2017.


O mercado, que conta com, aproximadamente, cem indústrias espalhadas pelo Estado, sendo 34 associadas ao Sindicato da Indústria de Olaria do Estado do Amazonas (Sioam), trabalha com os modos tradicionais e o que muda, segundo o presidente do Sioam, Sandro Santos, são os equipamentos de uma fábrica para outra.

Para o presidente do sindicato, a proposta da pesquisa só interessa ao polo oleiro, que concentra a maioria das fábricas entre os municípios de Iranduba, Manacapuru, caso haja grande vantagem econômica na aplicação da argila branca e do caulim no processo de fabricação de tijolos e telhas.

De acordo com Sandro, numa primeira análise, a matéria-prima não apresenta vantagens para o setor, uma vez que, no Amazonas, ela está concentrada em grande quantidade nas regiões próximas de Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo. “Já encarece com o transporte, uma vez que estamos no mínimo a 100 quilômetros da matéria-prima. A não ser que ela seja economicamente muito viável. Até porque a indústria tem que estar do lado da mina”, avaliou.

Apesar da primeira impressão, há interesse por parte do Sioam a respeito da pesquisa no sentido de baratear os custos de produção, porque o mercado, segundo Sandro, sofreu quede de 35% no passado por conta do mau momento da construção civil. Somente em dezembro, a produção da indústria oleira foi menor, aproximadamente, 50% em relação a novembro. Para sanar os prejuízos, o setor fechou 2015 com um corte de 30% da sua mão de obra, conforme o presidente do sindicato.

Dúvida

A empresária do setor ceramista Hyrlene Ferreira não acredita que seja possível incluir no setor de cerâmica vermelha o material usado para cerâmica branca. Segundo ela, a matéria-prima usada na pesquisa é voltada para outras aplicações como vasos e pisos e por isso não existe a possibilidade de incluí-la no processo de telha e tijolo.

Hyrlene, que já foi presidente do Sioam, disse que o mercado precisa de pesquisas que realmente possam baratear os custos de produção, uma vez que o setor é muito pressionado pelos órgãos de fiscalização do trabalho, que cobram o cumprimento de, aproximadamente, 40 normas regulamentadoras (NRs).

Segundo ela, com o mercado em queda, muitas fábricas têm diminuído o preço do milheiro de tijolo, na fábrica, de R$ 450 para até R$ 350. “Não tem expectativa de melhorar a nossa situação porque a construção civil está parada. E na cidade universitária o governo está construindo com bloco de cimento”, comentou.

Produtos com qualidade melhorada

Segundo Eveson Marinho, a pesquisa apontou que os preços mais baixos virão com a melhoria na qualidade dos produtos cerâmicos na otimização do processo de fabricação. Nesse rumo, os estudos sugerem a obtenção de tijolos e telhas de melhor qualidade a partir da formulação das misturas e de melhorias no processo de fabricação, por meio do controle das propriedades das matérias-primas.

Marinho disse que a pesquisa identificará as características individuais da argila branca e caulim na otimização da massa cerâmica, por meio de variações. A proposta pretende valorizar a matéria–prima retirada do solo na Região Norte, contribuindo para preservação da biodiversidade do solo amazônico.

O estudo “Processo de análise exploratória da argila branca e o caulim para beneficiamento de processos industriais cerâmicos em Itacoatiara” é desenvolvido no Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (RH-Interiorização) da Fapeam.

De acordo com o projeto de pesquisa, a cerâmica compreende todos os materiais inorgânicos, não metálicos, obtidos geralmente após tratamento térmico em temperaturas elevadas. O estudo em questão busca encontrar nas matérias-primas argilosas novas formas para aperfeiçoar o processo de construção de tijolos e de telhas de cerâmica vermelha.

Segundo o coordenador da pesquisa, conhecer os constituintes como a argila branca e o caulim é de fundamental importância para beneficiar o processo de fabricação da cerâmica vermelha, pois a presença e a quantidade de cada componente é o que define as propriedades de cada argila, matéria usada na fabricação da cerâmica.

 

Por Emerson Quaresma

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