Política

Perícia em telefone inocenta prefeito de Coari, diz polícia

Raimundo Magalhães entregou telefone para a perícia policial e foi inocentado de ligação com empresário - foto: Alberto César Araújo

Raimundo Magalhães entregou telefone para a perícia policial e foi inocentado de ligação com empresário – foto: Alberto César Araújo

A perícia realizada pelo setor de inteligência da Secretária de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM) concluiu a perícia e revelou, ontem (19) ao EM TEMPO, não ter identificado nenhuma conversa entre o prefeito de Coari, Raimundo Magalhães (PRB) com o empresário Thiago Caliri Queiroz, em suposta troca de mensagens via WhatsApp.

O secretário de Segurança, Sérgio Fontes informou que foram identificadas 414 mensagens no celular de Magalhães, das quais 412 eram de chats e 12 em grupos, mas nenhuma revelou qualquer conversa com o empresário Thiago. Fontes adiantou, ainda, que o aparelho do prefeito de Coari não foi periciado pela polícia, mas pelo laboratório de inteligência da SSP. “Extraímos as conversas com o intuito de comprovar ou não as supostas trocas de mensagens entre o empresário e o prefeito. Fizemos o levantamento e das 414 mensagens, sendo 412 em chats e 12 em grupos, não identificamos nenhuma conversa com o Sr. Thiago Caliri Queiroz”, reforçou o secretário.

Devido ao resultado do estudo no celular entregue pelo próprio prefeito, o secretário instruiu Magalhães que entre com processo criminal, uma vez que, segundo Raimundo Magalhães trata-se de injúria e difamação, pois segundo Fontes, só por meio da ação é que todos os envolvidos terão quer prestar esclarecimentos.

“Só podemos avançar com as investigações caso seja aberto pelo próprio prefeito um processo criminal para que possamos investigar mais profundamente, além de chamar todos os envolvidos, como o empresário e o dono do blog onde a denúncia foi publicada. Até então, não há investigação nenhuma, apenas fizemos um levantamento no celular a pedido do próprio prefeito”, explicou Fontes.

O secretário disse que Thiago Queiroz tem passagem pela polícia e que Magalhães teria encontrado na prefeitura negócios do empresário com a administração passada na prefeitura da cidade.

Só para lembrar, no dia 14, o empresário prestou depoimento na CPI criada na Câmara Municipal de Coari e confirmou que as mensagens, supostamente trocadas entre ele e o prefeito, eram verídicas. Em reunião que antecedeu a sessão da CPI, no dia 13, a Comissão deliberou sobre uma visita a Polícia Federal e ao secretário de Segurança Pública, Sérgio Fontes, para pedir explicações de como seria o procedimento legal de quebra do sigilo telefônico e solicitar uma contra- prova da perícia do telefone de Magalhães entregue à SSP.

A reportagem tentou contato com o prefeito Raimundo Magalhães, mas até o fechamento desta edição não conseguiu.

Carlos Alberto apóia decisão

O deputado Carlos Alberto, que pertence ao mesmo partido do prefeito de Coari, o PRB, classificou como sábia a decisão dos partidos políticos em abrir mão do processo que pedia uma nova eleição naquele município. “O povo de Coari não agüenta mais essa situação. São quatro prefeitos no curto espaço de tempo de quatro meses. O povo quer paz e essa ação dos partidos adversários de não continuar com o processo que poderia levar a uma nova eleição foi sábio e inteligente. Não há mais o que contestar e o Magalhães tem todas as prerrogativas para administrar a cidade até o final do seu mandato”, justificou o republicano em entrevista concedida à TV da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Desistência de processo é bom senso’

Para os deputados estaduais Abdala Fraxe (PTN) e Luiz Castro (PPS), parlamentares que estão acompanhando de perto a questão da situação do município de Coari e já foram alvos de agressão moral do presidente da Câmara do município, vereador Iranilson Medeiros (DEM) pela defesa em favor do atual prefeito, Raimundo Magalhães (PRB), avaliaram como uma medida positiva do advogado que defendia a ação que pedia o cancelamento das eleições de 2012 em Coari.

Abdala Fraxe disse que o grupo caiu na realidade, visto que estavam com uma ação inexistente no mundo jurídico, além de terem entrado com a ação intempestivamente. “A decisão foi uma volta ao bom senso. Além de eles estarem pedindo algo que não existe no mundo jurídico, pediram fora do prazo”, relembrou Fraxe.

Já o deputado Luiz Castro acredita que o grupo viu que não conseguiriam aprovação da matéria e que teria um custo muito alto para o final não ter o pedido atendido. “Acho que eles observaram que não tinha jeito. Além de ser uma ação inexistente, pois não está prevista no ordenamento jurídico, o custo seria muito alto para tentar levar adiante”, explicou.

Castro espera que com essa desistência, o próprio presidente da Câmara, vereador Iranilson Medeiros entenda que é hora de pensar mais no povo de Coari. “Espero que agora, inclusive o presidente da Câmara, pense mais no povo de Coari e deixe o prefeito trabalhar”, alerta o parlamentar.

A advogada de Magalhães, Maria Benigno, acredita que eles (os partidos) tenham ponderado de que o município volta à estabilidade, com pagamentos de funcionários, fornecedores entre outros feitos. Benigno informou que já entrou com manifestação de que não há por parte da defesa de Magalhães discordância com a desistência do grupo. “A discussão naquela cautelar (que deu o direito de Magalhães assumir) mostrou que a maioria entendeu que não havia conexão jurídica na ação, então, creio que eles entenderam isso”, explicou a advogada.

Sobre a possibilidade do Ministério Público Eleitoral (MPE) pedir o prosseguimento da ação, tendo em vista tratar-se de interesse público, Benigno está confiante de que não haverá interesse. “Creio que não haverá interesse, uma vez que o próprio MPE deu parecer contrário a ação”, destacou.

 

Por Moara Cabral Jornal EM TEMPO

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir