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‘Penso no meu corpo como um carro’, diz Phelps, que busca vaga na Rio-2016

Michael Phelps

Embora ainda tenha de passar pela seletiva dos EUA, entre junho e julho, para se garantir no Rio, ele já contabiliza os ganhos – foto: reprodução

“Eu me sinto como uma criança novamente.”

O clichê, perdido em meio a tantas outras frases, passaria despercebido em qualquer entrevista.

Porém, quando se trata do mais premiado atleta olímpico da história, a conotação adquire outro tom.

A menos de cinco meses dos Jogos Olímpicos do Rio, Michael Phelps, 30, assegura atravessar seu período mais “relaxado e feliz” nesta década.

Em outras palavras, ele afirmou ter reencontrado o prazer de se sacrificar. E, acredite, diz que vê prazer na dor.

 

“Nesta mesma época, antes dos Jogos de Londres-2012, eu tinha um percentual de 13% de gordura no corpo. Hoje, tenho 5%”, contou o nadador em evento de um de seus patrocinadores, em Baltimore, nos EUA. Seu peso ideal, disse, fica entre 90 kg e 100 kg.

Em auto-avaliação, Phelps não poupou críticas. Chamou sua preparação para a Olimpíada passada de “desastre” e disse que mereceu sofrer derrotas sentidas em Londres –por exemplo, ficou fora do pódio nos 400 m medley e perdeu na batida de mão nos 200 m borboleta após liderar toda a prova.

“Agora, para estes Jogos Olímpicos, estou feliz novamente. De um jeito que eu não ficava desde o período entre 2007 e 2009, que foi o melhor de minha carreira, com o Mundial de 2007 e os Jogos de Pequim. É um sentimento excelente, de quando eu estava no meu melhor”, afirmou o nadador.

Ele não abriu o plano de quantas provas nadará na capital fluminense, mas revelou alguns truques de sua preparação.

Por exemplo, fez um voto de abandonar dias de folga até os Jogos. “Treino literalmente todos os dias.”

Um dia normal de treinamento de Phelps começa por volta de 7h30 e se alonga até 21h. Obviamente, neste meio tempo ele também cumpre outras tarefas, mas praticamente tudo é voltado para sua preparação.

A alimentação ganhou grande relevância. Se no passado reportagens abordavam a dieta do atleta de até 12 mil calorias diárias, atualmente a ingestão caiu consideravelmente.

“A Nicole [noiva de Phelps] ajuda muito não fazendo bolo de carne ou empanadas quando ele volta para casa”, relatou Keenan Robinson, preparador físico do nadador há 12 anos.

“Hoje, eu me sinto melhor e mais saudável. Não preciso abrir mão de comer um chocolate depois de um treino, mas sou mais consciente”, afirmou Phelps, que há pouco mais de um ano deixou Baltimore, sua cidade natal, para viver no Arizona.

“Agora penso no meu corpo como um carro. Quanto melhor a gasolina, melhor o desempenho.”

Entre um autoelogio e outro, ele disse que nunca conseguiu competir em 100% da forma física. Atingir um novo patamar é sua meta para o Rio.

Detentor de 22 medalhas olímpicas, das quais 18 de ouro, o norte-americano retomou a carreira em 2014, após um hiato de dois anos, e afirmou que suas recentes apresentações fizeram expectativas em relação aos Jogos do Rio aumentarem.

Ele terminou 2015 com os melhores tempos do mundo nos 200 m medley, 100 m borboleta e 200 m borboleta.

“Quando obtive aquelas marcas no Campeonato Nacional, pensei ‘p… merda, isso é para valer”‘, contou Phelps.

A fase mais consciente também contrasta com um campeão que, até recentemente, cometia falhas de um perdedor. No final de 2014, por exemplo foi pego dirigindo embriagado e isso fez com que perdesse o Mundial de Kazan, realizado em agosto passado. Em 2009, uma foto sua fumando maconha foi divulgada por um tabloide britânico.

Ainda neste primeiro semestre, Phelps deve assistir ao nascimento de seu primeiro filho, um menino. “Mas nada de Michael Jr., pode esquecer”, brincou, sem revelar o nome.

O jornalista PAULO ROBERTO CONDE viaja a convite da Under Armour

 

Por Folhapress

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