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Pela primeira vez, mosquito infectado por zika é encontrado na natureza

Pesquisadores do IOC (Instituto Oswaldo Cruz) finalmente identificaram mosquitos da espécie Aedes aegypti infectados com o vírus zika na natureza. Os insetos foram coletados no bairro carioca do Realengo e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

A esta altura da epidemia, ainda haveria alguma dúvida sobre o elo entre o zika e o mosquito da dengue? “A verdade é que sempre há”, explica Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. “Você está lidando com um vírus novo, num continente onde ele nunca tinha circulado, com muitas espécies nativas de mosquitos. E, desde que o zika emergiu de modo epidêmico, em locais como a Polinésia Francesa, a Micronésia e a Nova Caledônia, ninguém tinha encontrado nenhum mosquito infectado naturalmente com ele.”

A associação com o A. aegypti e outros mosquitos do mesmo gênero, porém, parecia lógica por causa da origem africana comum do vírus e do inseto, pela presença de ambos em ambientes urbanos e porque o zika pertence ao grupo dos Flavivirus, parasitas microscópicos como os causadores da dengue e da febre amarela, já conhecidos há tempos por se espalharem “de carona” no organismo dos sugadores de sangue.

Para confirmar a hipótese, os pesquisadores coletaram cerca de 1.500 mosquitos (de diversas espécies diferentes) no entorno (e dentro) das casas de pacientes que tinham tido sintomas de infecção pelo zika. Por meio de análises genéticas e de uma técnica que isola as partículas do vírus, a presença do zika foi confirmada em quatro mosquitos A. aegypti -mosquitos de outras espécies não parecem carregar o vírus.

“Essas taxas de infecção geralmente são baixas mesmo”, diz Lourenço. Ele lembra que a maior parte dos mosquitos nasceu faz pouco tempo e não teve tempo de ser infectar ainda; dos que chegam à idade de sugar sangue, alguns podem não picar pessoas com zika ou, mesmo se picarem alguém doente, seu organismo pode eliminar o vírus antes que possam transmiti-lo a algum ser humano.

“Essa peça da engrenagem, do quebra-cabeças [ou seja, a identificação do vírus no mosquito selvagem], estava faltando. Agora nós a temos”, diz o pesquisador.

Mistura?

Em laboratório, os especialistas estão tentando analisar se a presença do zika pode ter algum efeito sobre a viabilidade de outros vírus carregados pelo A. aegypti, como o da dengue e o da chikungunya. “Estamos testando todas as combinações possíveis desses vírus todos”, afirma Lourenço.

É concebível que haja uma competição entre eles dentro do organismo dos insetos, ou mesmo que o zika e o vírus da dengue troquem material genético. Ainda não há dados claros a esse respeito, no entanto. Também ainda é cedo para dizer se outras espécies de mosquitos, nativas do país, seriam capazes de atuar como vetores do zika.

Por Folhapress

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