Cultura

Peça Boletim de Ocorrência está de volta a Manaus

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devido à boa aceitação do público que assistiu à montagem, essa comédia de costumes estará em cartaz neste sábado e domingo – foto: Divulgação

A estreia da peça de teatro “Boletim de Ocorrência”, escrita e dirigida por Roger Barbosa, foi em dezembro do ano passado, durante a Mostra Artecena. E, devido à boa aceitação do público que assistiu à montagem, no Teatro Manauara, essa comédia de costumes estará em cartaz neste sábado e domingo, no mesmo palco.

Roger Barbosa conta que já tinha a ideia da peça há uns quatro anos. “O nome do rascunho era ‘Encontros e desencontros na delegacia’. Geralmente, eu fico anos com a ideia de uma peça na minha cabeça”, comenta o diretor.

“Boletim de Ocorrência” é resultado de um trabalho do curso de montagem de um espetáculo da escola Artecena. O cenário é uma delegacia de polícia comandada pelo delegado Mauro (Yohei Miura), que tenta manter o local sempre em ordem, diariamente. Mas a recepcionista Marcela (Ariane Feitoza) preocupa-se mais com fofocas e o impacto da crise econômica do país em sua vida. Daí ser do tipo que “se vira nos 30”, ou seja, assume outras funções para ganhar a vida como as de manicure, conselheira amorosa e informante de um programa de TV sensacionalista.

O diretor explica que não se trata de uma montagem com conteúdo regionalista. “O foco é a cultura brasileira e a crise econômica que o país vivencia”, diz. Não faltam também personagens – cujas histórias estão interligadas – que podem despertar uma certa familiaridade por parte do público, como a travesti Stephanny (Paul Brown), o preso Valdomiro (Wilson do Carmo) que prefere não deixar a cadeia, o casal Norma (Allícia Castro) e Fernando (Vicente Dunorte).

Completam o elenco os atores Cláudia Simões (Marta), Francisco David (delegado Renato), Graça Sousa (Jandira) e Magda Carvalho (Gorete). Roger destaca que todos os atores do elenco apresentam o “physique du rôle” imaginado para cada personagem.

Roger Barbosa, que já havia investido no humor em “De salto alto”, conta que optou pela comédia de costumes para narrar o cotidiano da delegacia de “Boletim de Ocorrência” por admirar o trabalho de dramaturgos como Martins Pena (1815-1848) e Artur Azevedo (1855-1908), representantes desse gênero no país.

“É um texto bastante ágil, com muitas surpresas e ação. A montagem percorre vários caminhos. Você ri muito, depois se emociona e, em alguns segundos, está rindo de novo”, afirma. “A peça também faz o público pensar sobre padrões sociais como a mulher que precisa trabalhar em mais de uma função e o delegado endurecido pela vida que possui um segredo”.

Por Luiz Otavio Martins

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