Política

PDT decide pela expulsão do deputado Hissa Abrahão

No fim da tarde desta terça-feira (24), Hissa Abrahão, solicitou ainda que o documento seja enviado à direção nacional do Banco do Brasil para que justifique o motivo do empréstimo - foto: Arquivo EM TEMPO

Voto em favor do impeachment contrariando o partido complica a vida de Hissa com o PDT – foto: Arquivo EM TEMPO

Trinta dias após ter se filiado ao PDT e 19 dias após ter sido empossado presidente da legenda no Amazonas, o deputado federal Hissa Abrahão – pré-candidato a prefeito de Manaus – está com os dias contados no partido. A direção nacional anunciou ontem, em sua página oficial, a abertura do processo de expulsão de Hissa e mais cinco deputados federais que votaram a favor do impeachment da presidente Dilma, anteontem na Câmara dos Deputados, contrariando a orientação do PDT.


A decisão pela expulsão dos parlamentares foi divulgada na manhã de ontem, no site oficial do PDT, após reunião entre o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, e outros líderes do partido, ocorrida na sede nacional do PDT, em Brasília. Os membros da Comissão Permanente discutiram sobre os votos dos parlamentares Hissa Abrahão (AM), Mário Heringer (MG), Sérgio Vidigal (ES), Giovanni Cherini (RS), Flávia Morais (GO) e Subtenente Gonzaga (MG), que se posicionaram favoráveis ao impeachment, indo contrários à determinação dada pelo partido na última sexta-feira.

A Comissão de Ética já iniciou o processo de instauração de desligamento, e após serem notificados, os deputados deverão apresentar o direito de defesa no prazo de 30 dias, conforme previsto na legislação e nos estatutos. Segundo o PDT, desde dezembro do ano passado, o partido já havia decidido votar contra o impeachment. Todos os membros foram avisados sobre a possível expulsão, caso contrariassem as orientações. E mesmo com a ameaça de perder a filiação do PDT, os seis parlamentares resolveram ir contra a decisão e votaram a favor do impedimento da presidente Dilma.

Procurado pela reportagem, o deputado Hissa Abrahão disse que se manterá tranquilo quanto a decisão do PDT. Segundo ele, seu posicionamento em relação à votação de impeachment sempre foi transparente ao partido. “O PDT já tinha conhecimento do meu voto. Apesar de mantê-lo em sigilo, por opção, eu nunca escondi minha opinião sobre a atual crise política. Me filiei ao partido, ciente da minha decisão. Votei com a consciência limpa. Infelizmente, a possível expulsão pode interferir na minha candidatura às eleições para a Prefeitura de Manaus, este ano, mas o que eu posso fazer? ”, disse Hissa. “Se essa expulsão realmente acontecer, terei que assistir às eleições de
camarote”, brincou.

O deputado ressaltou, que até o momento não foi notificado sobre o seu possível desligamento do partido. “Ainda não recebi nenhuma informação oficial. Inclusive, no dia da votação ao impeachment, conversei por telefone com o presidente Carlos Lupi, e em nenhum momento fui coagido ou ameaçado de ser expulso. Pelo contrário, a conversa foi tranquila e amigável. Se realmente o PDT prosseguir com o processo de expulsão, assim que eu for notificado irei reunir com meus advogados para apresentar uma defesa prévia no prazo de 30 dias, conforme é estipulado pelo estatuto
pedetista”, informou.

Para esclarecer seu posicionamento e os últimos acontecimentos em torno de seu voto e as consequências para as eleições de 2016, Hissa irá realizar na tarde desta terça-feira uma
coletiva de imprensa.

Sem surpresa

Ex-presidente interino do PDT, o deputado estadual Dermilson Chagas (PEN), que pediu desligamento da legenda após a filiação de Hissa ao partido, disse que não se surpreendeu com o voto do parlamentar e considerou o posicionamento um
interesse político.

“O deputado Hissa Abrahão não me surpreendeu. Também não foi uma surpresa para o PDT. Na minha opinião, o voto dele não passou de uma jogada política para as eleições deste ano, e parece que nem vai dar certo, caso seja expulso. É muito provável que a decisão nacional do partido prevaleça. O voto contra o impeachment já estava definido. Sinceramente, penso que ele foi pressionado pelos eleitores, e mudou de voto. De certa forma, não fez mais que sua obrigação, preferiu seguir a vontade da maioria dos amazonenses”, disse o deputado estadual.

Por Bruna Amaral

1 Comment

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  1. MARCELO

    19 de abril de 2016 at 10:41

    so pra lembrar que pelo menos 50% da população do amazonas não ler jornais e tem muito pouco acesso a net, quero dizer com isso que quem esteve nas ruas pedido o afastamento da presidente é dos outros 50% e com certeza não chega a 25% desses 50.
    erraram e feio porque é claro por todos que o PSDB tem como seu maior sonho levar o nosso polo industrial e os nossos deputados fizeram o favor de entregar nosso estado a maos deles

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