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PCdoB defende plebiscito para antecipar eleições

Senadora reafirmou que há um golpe em curso no país, em que as pedaladas fiscais são apenas um pretexto da oposição para tomar o poder - foto: Ione Moreno

Senadora reafirmou que há um golpe em curso no país, em que as pedaladas fiscais são apenas um pretexto da oposição para tomar o poder – foto: Ione Moreno

Única parlamentar do Amazonas no Congresso Nacional que votou contra o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) disse que não teme prejuízo eleitoral por sua atitude e que, na sua avaliação, por conta da crise política generalizada que o país está passando, a melhor solução seria convocar um plebiscito para saber da população se será antecipada ou não a eleição para presidente da República.

Durante visita ao EM TEMPO na última sexta-feira, Vanessa defendeu a tese e contou detalhes do status quo da crise político-institucional instalada em Brasília. Segundo ela, em encontro na última terça-feira de um grupo de políticos com Dilma e o ex-presidente Lula, chegou a conversar sobre o plebiscito com a presidente afastada, que se mostrou interessada no assunto. “Mas, isso é uma concertação que deve ser feita. Há ainda algumas resistências de alguns políticos mais próximos a ela. Vejo que a presidente está disposta e tem o pé no chão sobre o que está acontecendo”, disse a senadora.

Conforme Vanessa, o PCdoB é o único partido que tem posição firmada a respeito da realização de um plebiscito no país, já decidido internamente entre a militância. “Não dá para tapar o sol com a peneira. O Brasil vive uma crise da democracia das mais graves, e o que está em curso não é um processo de impedimento de uma presidente, o que está em curso é um golpe. Porque, mais do que provado está, que nenhum crime ela cometeu”, argumentou.

Entretanto, para que o plebiscito aconteça, será necessária vontade política no Congresso Nacional em aprovar uma Emenda Constitucional ou mesmo um projeto de lei que passaria com votação por maioria simples (41 votos, no caso do Senado). “Mas, com o cenário crítico que estamos passando, seria muito difícil aprovar essa lei, e o presidente interino, Michel Temer, jamais chamará o plebiscito”, disse a senadora.

Além disso, para viabilizar o plebiscito, o grupo pró-Dilma acredita que consegue reverter no Senado o processo de cassação da presidente afastada, levando em consideração os últimos fatos divulgados recentemente, em que vieram à tona áudios de conversas entre os senadores Romero Jucá (RR) e Renan Calheiros (AL), além do ex-senador José Sarney (AP), todos do PMDB, com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que em delação premiada na Lava Jato mostra que antes mesmo do afastamento de Dilma estes políticos – antes aliados – já arquitetavam uma forma de barrar o avanço das investigações da Lava Jato e a saída da petista.

“Precisamos de cinco a seis votos e nós temos, lá na ponta do lápis, no mínimo dez pessoas que se orientam pelos fatos e não pela benesse que um governo possa dar. Exemplos disso são os senadores Reggufe (sem partido-DF), Cristovam Buarque (PPS-DF) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE)”, afirmou a comunista.

Na sua avaliação, se o Senado conseguir reverter o processo de impeachment de Dilma, será a “maior derrota do mundo para os golpistas”. “Se a gente conseguir – o país vive um momento difícil -, ela (Dilma) dificilmente reconquista o apoio do Congresso, que é onde ela precisa. Então, acho que Dilma tem que se comprometer (com o plebiscito). Já falei isso com ela mesmo, que a gente barre esse processo e que faça imediatamente uma nova eleição”, informou.

Ao ser perguntada quais seriam as opções de candidatos para o eleitor brasileiro, caso o plebiscito se concretize, Vanessa disse não saber, mas, pelo cenário que se apresenta, corre um grande risco de o país ter uma saída até mesmo conservadora, mesmo sendo democrática.

Defensora de Dilma, a senadora endossa o discurso adotado pelo governo de que o que está havendo no país é um golpe. “Estão tentando tirar uma pessoa porque acham que ela não reúne mais as condições políticas de encaminhar seu projeto político, de barrar as investigações da Lava Jato e tudo o mais. Isso está claro. A gente que está lá no Congresso convive com todos os parlamentares e sabemos que todos que votaram a favor do impeachment, votaram com muita consciência”.

Vanessa contesta a tese da oposição de que Dilma cometeu pedaladas fiscais e cometeu crime de responsabilidade e que, na realidade, o que está havendo é uma briga pelo poder em que os “perdedores” das eleições de 2014 não admitem a derrota. Segundo ela, a tentativa de golpe sempre existiu, desde a época do ex-presidente Lula, mas não vingou porque na época o petista tinha alta popularidade e a economia estava muito boa. “Bastou chegar o momento de queda de popularidade, crise econômica, pronto, o terreno está feito. E estavam preparando isso há muito tempo”, acrescentou.

Na realidade, completou a senadora, a oposição aproveitou o cenário de crise na economia, alto índice de desemprego, a corrupção e o avanço da Lava Jato para tirar Dilma e mudar a política econômica, de Estado e exterior para o neoliberalismo.

 

Por Valéria Costa

1 Comment

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  1. Junior

    30 de maio de 2016 at 13:04

    Vanessa vai pra cuba onde é seu lugar.

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