Dia a dia

Parto normal é tema de seminário em Manaus

Evento promovido pela Fiocruz em parceria com a UEA debateu estratégias e necessidade de ampliar o parto normal - Foto: Diego Janatã

Evento promovido pela Fiocruz em parceria com a UEA debateu estratégias e necessidade de ampliar o parto normal – Foto: Diego Janatã

Responsável por 98% de nascimento dos amazonenses em instituições privadas, o parto cesariano virou alvo de discussão na manhã desta quinta-feira (23), em Manaus. O debate que trata sobre a redução deste procedimento cirúrgico, foi realizado durante o Seminário Norte sobre Parto e Nascimento, no auditório da Fiocruz Amazônia, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, com a presença de pesquisadores da instituição, secretários municipais e estadual de saúde e representantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

De acordo com o pesquisador e organizador do evento, Jersem Orellana, o objetivo do seminário é despertar a atenção dos profissionais de saúde, da população, das autoridades sanitárias e até mesmo do judiciário, para o assunto. Orellana destacou que todos devem ficar alerta quanto aos perigos de partos cesarianos e dos procedimentos médicos hospitalares desnecessários utilizados durante a internação e o trabalho de parto, que pode oferecer riscos às vidas da mãe e do bebê.

“Aplicações desnecessárias de hormônios que aceleram o trabalho de parto, a realização de ruptura imatura de membranas para acelerar o parto. Isso tudo deve ser levado em consideração, principalmente pelo público feminino, na hora da escolha. Mesmo que o parto seja normal, precisamos evitar situações, como o corte da região vaginal, para facilitar a passagem do feto. Esse debate não pode ser ignorado pela população e nem pelas classes de saúde”, avaliou.

O pesquisador destacou que o Amazonas ainda está muito atrás dos outros Estados, nesta discursão. Segundo Jersem, o assunto é muito delicado e impacta negativamente os perfis de mortalidade nos segmentos materno infantil e por isso, muitas vezes enfrenta dificuldades por conta de vícios em conduta de alguns profissionais da rede de atenção, especialmente dos médicos responsáveis pelos partos, que insistem na cultura do parto cesariano e da utilização desnecessária de métodos para acelerar o trabalho de parto normal.

“Existe um certo atraso do Amazonas em relação a esse assunto. Nas demais partes do mundo, essa discursão já está amadurecida e tem mostrado resultados satisfatórios. Falta um pouco de empenho das entidades de classe, das associações e um pouco da participação da sociedade, que não despertou interesse em um tema tão atual, tão importante e tão natural, como o parto natural”, frisou.

Para Jersem, uma das estratégias usadas para estimular o parto normal, tem sido a atenção pré-natal. O pesquisador afirmou que toda mulher precisa ter essa atenção suficientemente habilitada e treinada. Para ele é indispensável um conhecimento sobre o assunto, só assim será possível convencer e orientar a mãe, não só dos benefícios do parto normal para ela e para a criança. Além disso o pesquisador ressaltou a importância do ato para o estreitamento da relação afetiva entre mãe e filho. Outras estratégias incluem a capacitações dos servidores e a sensibilização de entidades de profissionais de saúde que trabalhem com o parto normal.

“Infelizmente ainda não existe um interesse da classe médica neste assunto. Hoje (ontem), no seminário, de 140 inscrições que tínhamos disponíveis para a categoria, apenas cinco médicos participaram do evento. Foram convidados conselhos, associações e todos se recusaram a participar do evento. Parece um sintoma grave do comprometimento dessa relação entre as altas taxas de cesarianas e a classe médica”, avaliou.

Mesmo com esse quadro negativo no Estado, Jersem ressaltou que não houve crescimento nos casos de parto cesariano. Devido algumas evidências cientificas, o índice do Brasil sofreu uma queda. Ele explica ainda que o ato cirúrgico implica na mobilização de uma série de recursos não só financeiro, mas também como humano.

“O parto normal precisa de um neonatologista, de um ginecólogo, anesteologista, de toda uma infraestrutura hospitalar. Até do pagamento pelo ato cirúrgico. Então tem toda uma questão mercadológica por trás disso tudo, que faz com que os profissionais médicos tenham tanto afinidade pelo parto cesário. Tenho exemplos de colegas que tiveram seus filhos e que relataram o absurdo, de médicos que cobram até R$ 15 mil para deixarem de fazer a cesariana para fazerem um parto normal dentro de uma instituição pública. Isso precisa ser trabalhado, finalizou”.

Por Gerson Freitas

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