Cultura

Parque Lage e Casa França-Brasil demitem 40% dos funcionários

Casa Franca

A dois dias do Natal, os 70 funcionários da OS haviam recebido aviso prévio. O prazo expiraria neste sábado (23) – foto – divulgação.

A crise financeira no Rio ceifou 40% do quadro de funcionários do Parque Lage e da Casa França-Brasil, duas das maiores instituições culturais cariocas.

A demissão coletiva dos 30 profissionais, boa parte deles da administração, foi confirmada à reportagem nesta quinta (21) por Marcio Botner, presidente da Oca Lage, OS (Organização Social) contratada pelo governo fluminense para gerir os dois espaços.

A dois dias do Natal, os 70 funcionários da OS haviam recebido aviso prévio. O prazo expiraria neste sábado (23).

A Oca Lage se dizia incapaz de honrar dívidas, pois a Secretaria de Cultura do Rio não havia repassado R$ 6 milhões aos polos culturais – metade nunca paga do orçamento previsto para 2015.

Nesta semana, o conselho da OS (que inclui uma ex-secretária de Cultura, Adriana Rattes, e o artista plástico Ernesto Neto) se reuniu com a atual titular da pasta, Eva Doris Rosental, para discutir o atraso de sete meses dos repasses prometidos para o ano passado.

“Não houve sinalização [de pagamento]”, diz Botner, sócio da galeria A Gentil Carioca e ex-professor e ex-aluno da Escola de Artes Visuais (EAV) Parque Lage.

Segundo Botner, os cortes não atingem o corpo docente da escola de artes do Parque Lage, principal formadora de artistas no Rio.

O programa de bolsas gratuitas para 2016, que ainda não foi lançado, pode sair até o começo de abril, diz.

A palavra mais citada pelo galerista, em cinco minutos de conversa, foi “readequação” (sete vezes). “A crise do Estado é muito séria, seríssima. Dentro disso, o contrato que existe entre a Oca Lage e o governo [de R$ 12 milhões anuais por cinco anos, a partir de 2014] terá de ser revisto.”

Botner calcula uma dívida acumulada de R$ 1 milhão com fornecedores, sobretudo da área verde (175 mil m², quase um Maracanã) do Parque Lage, encostado no morro do Corcovado.

Ele diz acreditar no “comprometimento do Estado” para salvar as instituições culturais dessa forca financeira.

“O Parque Lage vai viver pelo menos mais 400 mil anos. Pra mim, pelo menos. Nossa escola de arte – digo que é o Taj Mahal da cultura brasileira – vai viver para sempre”, afirma.

O problema são os próximos meses. Fora o programa de bolsas, há projetos com curadores visitantes e exposições.

A reportagem não conseguiu falar com a Secretaria de Cultura do Rio nesta noite de quinta-feira (21).

Questionada na semana passada sobre os orçamentos previstos para a Oca Lage em 2015 e 2016, a pasta se limitou a responder que a Fazenda “ainda vai definir o cronograma de desembolso dos restos a pagar do ano passado”.

Olimpiada

Na Olimpíada, a delegação da Grã-Bretanha ficará no Parque Lage (o “aluguel”, segundo Botner: R$ 2 milhões), e a da Finlândia na Casa França-Brasil, o que reforçará o caixa da Organização Social.

Botner também quer organizar uma programação no Parque Lage dedicada aos 400 anos de William Shakespeare, aproveitando a passagem dos conterrâneos do autor de “Romeu e Julieta” na instituição.

Já a agenda do Parque Lage, no momento, centra-se nos cursos de férias de sua escola de arte.

Um deles, “Creativity Masterclass 01 / Sol na Barriga” (R$ 620 por três dias de aula), organizará “uma série de palestras interativas que traçam uma relação entre alta motivação e desempenho otimizado”.

 

Por Folhapress

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