Dia a dia

Parintins sofre com a falta de policiamento

Falta de infraestrutura e de material humano comprometem o combate à criminalidade em Parintins, que nos últimos anos vem acompanhando o crescimento da violência. Combate à criminalidade está comprometido - foto: divulgação

Falta de infraestrutura e de material humano comprometem o combate à criminalidade em Parintins, que nos últimos anos vem acompanhando o crescimento da violência – foto: divulgação

Parintins (AM) – Com mais de 112 mil habitantes, conforme o Censo do IBGE de 2011, a cidade de Parintins (a 369 quilômetros de Manaus) enfrenta um sério problema relacionado à segurança pública. A cidade tem duas delegacias, a 3ª Delegacia Interativa e a Especializada em Crimes contra Mulher, Crianças e Idosos. Entretanto, apenas o 3ª DIP tem delegado, mas após às 20 horas, a delegacia não registra mais Boletins de Ocorrência (B.O), por falta de funcionários da Polícia Civil.

“Essa situação precisa ser revista principalmente em relação às pessoas que residem na zona rural que muitas vezes, numa emergência, procuram a delegacia à noite e têm que voltar para sua localidade por que não são atendidas”, reclama o líder comunitário Sérgio Muniz.

Em 2015 o 3ª DIP dispunha de quatro delegados, o titular Bruno Fraga, e os delegados adjuntos Reinaldo Figueira e Humberto Vaqueiro, além da titular da especializada, Ana Denise Machado. Porém, com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu a promoção dos comissários de polícia ao cargo de delegado, apenas o titular Bruno Fraga permaneceu em Parintins. O delegado adjunto Reinaldo Figueira foi deslocado para Nhamundá.

Para atender as duas delegacias, a Polícia Civil conta atualmente, com 10 investigadores o que não atende a alta demanda de ocorrências como assaltos, arrombamentos, tráfico de drogas e crimes de pistolagem.

O crescimento da violência na cidade é preocupante. No último final de semana de janeiro foram registrados mais de oito assaltos praticados por adolescentes infratores, em sua maioria para quitar dívidas com o tráfico de drogas.

“Nós sabemos da dedicação e do trabalho dos delegados, mas é preciso que se aumente o número de investigadores, a cidade cresceu muito e com ela a violência, eu mesma já fui vítima dessa violência terrível e também já oficiei aos órgãos de segurança do Estado alertando sobre essa situação”, informa a vereadora Vanessa Gonçalves (Pros). No ano passado, a vereadora foi assaltada, quando chegava em casa.

Outro que reconhece o esforço e o trabalho da Polícia Civil, apesar da falta de material humano, é o presidente da Associação de Moradores do Bairro da União, João Nogueira. Para Nogueira é interessante que haja uma revitalização do setor em Parintins porque hoje com êxodo rural a questão da segurança se torna mais complexa. “As famílias estão migrando para cidade, estão vindo todas para os bairros e loteamentos e isso exige das autoridades segurança”, afirma.

De acordo com o diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), delegado Mariolino Brito, a diminuição do número de delegados em Parintins se deu pela necessidade do remanejamento para outras cidades que não tinham delegados de Polícia. Segundo ele, a delegada titular da Delegacia da Mulher e o quadro de investigadores da Polícia Civil para Parintins serão preenchidos após concurso público da instituição. Ele chama a atenção para o fato de que em meio a deficiência de investigadores em 2015 o delegado Bruno Fraga enviou mais de mil inquéritos para a Justiça e que os procedimentos quanto ao registro de ocorrências ocorrem de forma normal em casos de flagrantes.

Por Tadeu de Souza

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir