Dia a dia

Parintins deve ter 70% de turistas a menos em 2016

 Embarcações enfeitadas e atracadas no porto da Manaus Moderna aguardam os passageiros, rumo à ilha de Parintins – foto: Diego Janatã


Embarcações enfeitadas e atracadas no porto da Manaus Moderna aguardam os passageiros, rumo à ilha de Parintins – foto: Diego Janatã

Indecisões sobre a realização do 51º Festival Folclórico de Parintins, crise econômica, elevação dos preços dos pacotes turísticos e a decadência da tradição de brincar de boi-bumbá no mês de junho levaram os torcedores dos bois Garantido e Caprichoso a desistirem de ir à ilha Tupinambarana e assistir pela televisão, aqui em Manaus, ao espetáculo que acontece no próximo fim de semana. A movimentação de pessoas saindo de Manaus ao município, na manhã da quarta-feira (22), era considerada tranquila pelos donos de embarcações.

Para controlar a situação delicada e amenizar as perdas já previstas, donos de embarcações decidiram, na manhã da última segunda-feira (20), reduzir os altos custos para os brincantes chegarem a Parintins até o próximo sábado (25). De acordo com o presidente da Associação das Agências de Passagens de Transporte Aquaviárias do Amazonas (Agepetram), Altair Ribeiro, até ontem a redução do fluxo de pessoas saindo da capital com destino à ilha já alcançava a marca de 70%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“A procura por excursões até a ilha está muito abaixo do que era programado. Tínhamos noção que iríamos enfrentar essa situação, mas não tão aguçada assim. Por isso, decidimos fazer promoções de passagem e esticar as saídas dos barcos até o fim de semana para que todos participem da festa. Com esse processo de redução de preços, nossa expectativa é pelo menos chegar ao mesmo patamar do ano passado. Uma passagem que semana passada era R$ 100, agora está R$ 80, ida ou volta. Ontem, as embarcações já começaram a sair e outras sairão até sábado”, informou.

Já para quem se programou e iniciou a venda dos pacotes em barcos particulares há pelo menos dois meses garante que o prejuízo não foi tão grande como era esperado. Para o organizador Joel Araújo, da caravana do barco Lady Daiane, que saiu terça-feira (21) à noite rumo à ilha, os torcedores continuam apaixonados pela cultura e não será a crise e nem as indecisões do festival que os impedirão de dançar o “dois para lá e o dois para cá”, no compasso dos bumbás.

“Não posso responder pelas embarcações que já fazem linha semanalmente para o município, mas, no meu caso, que trabalho há anos com barcos fretados neste período do ano, para realizar excursões até a ilha, posso garantir que o fluxo de pessoas que vai no nosso barco até lá continua o mesmo do ano passado e dos demais. Também concordamos com a associação na redução do pacote e, desde segunda-feira, estamos vendendo a R$ 400 ida e volta com direito a alimentação. Na semana passada, estava custando R$ 450”, frisou.

Pesquisa

Mesmo assim, os amantes do boi-bumbá continuam indecisos se vale a pena ou não investir no desejo de assistir às apresentações lá em Parintins. É o caso do vendedor Ronaldo Alencar, que esteve ontem na Manaus Moderna, pesquisando passagens, mas até o fim da manhã ainda não tinha certeza se iria ou não para a ilha dos bumbás.

“Sempre digo que não vou, mas quando chega neste período bate aquela vontade incontrolável de estar lá. Ir de avião para mim é impossível. Os preços para Parintins estão mais caros que uma viagem para o Nordeste. O jeito é recorrer aos barcos, mas, mesmo assim, ainda estou achando caro pagar R$ 400. Acho que, diferente dos anos anteriores, em que eu jogava algumas roupas na mala e ia embora para ilha, este ano vou assistir pela televisão, em casa, deitado”, destacou.

Por Gerson Freitas

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