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Parentes de entregador de pizza morto protestam e cobram investigação

Aproximadamente cem pessoas realizaram na tarde deste sábado (4) uma manifestação no Largo do Guimarães, no bairro de Santa Tereza, em protesto a morte do entregador de pizza, Rafael Camilo Neris, 23. Ele morreu após ser baleado durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

Durante o protesto, parentes e familiares de Neris usaram uma camisa com a imagem do rosto do jovem e exibiram cartazes pedindo justiça. A família acusa o Bope de ter atirado por engano na vítima.

“Ele era meu filho. Morreu trabalhando para realizar o sonho de andar de avião. Nunca se envolveu com tráfico e nem nada de errado. Por isso queremos que tudo seja investigado e os atiradores sejam presos o mais rápido possível.” afirmou Lúcia Helena, mãe de Rafael.

A polícia alega que realizou disparos porque foi recebida a tiros, mas familiares e amigos de Neris dizem que o jovem nada tinha a ver com o tráfico ou com o tiroteio.

Neris fazia diariamente jornada dupla. Trabalhava como entregador de produtos vendidos pela internet durante o dia e, à noite, entregava pizza no seu bairro. “Ele acordava às 4h30 e só voltava pra casa depois de meia-noite. Era esforçado e determinado”, disse Diego Pardim, amigo da vítima.

A jornada dupla foi adotada para ajudar a pagar a prestação de mais de R$ 1.200 do seu carro. Foi durante o trabalho de entregador de pizza que ele foi morto, diz a família.

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Civil diz que as circunstâncias da morte de Neris ainda estão sendo investigadas. Na quarta (1º), agentes realizaram uma perícia complementar no local onde o corpo foi encontrado.

Os pais do jovem prestaram depoimento, e os PMs do Bope deverão ser ouvidos nos próximos dias.

As armas utilizadas na operação foram apreendidas e passarão por exame de balística para detectar se foram usadas na morte de Neris.

Segundo a polícia, o Bope foi ao morro após a base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Fallet ter sido invadida por criminosos.

É mais um caso envolvendo a tropa de elite da PM, que já responde pelo desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, após ter sido detido por PMs na Rocinha (Zona Sul).

Em nota, a PM disse que um IPM (Inquérito da Polícia Militar) está em andamento, e o prazo para concluir as investigações é de 40 dias.

Por Folhapress

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